O Jornalismo e o Cinema

Tema rende clássicos e produções premiadas
sábado, 06 de abril de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Cena do filme Todos os homens do presidente
Cena do filme Todos os homens do presidente

Os laços que unem jornalismo e cinema são extensos, antigos e duradouros, e deram origem aos chamados newspaper movies (filmes de jornalista), um subgênero consagrado no cinema norte-americano.

Antes da televisão se tornar popular, os fatos só ‘aconteciam’ quando os jornais os publicavam. Até hoje, não podemos prescindir do noticiário: entre outras finalidades, para nos conectar com a sociedade. A força da credibilidade dada ao jornalismo, com o passar do tempo, lhe conferiu o status de “quarto poder”.

Com um universo de mais de 25 mil filmes relacionados ao tema, a 7ª Arte se apropriou dessa credibilidade em um momento de crise na indústria hollywoodiana. Afinal, se o povo acredita no que a imprensa diz, a confiança na profissão poderia ser levada para as telas, decretaram os chefões dos grandes estúdios.

Do início do século passado em diante, a produção de filmes sobre o tema se intensificou, e cada vez mais, com sucesso. O cinema passou a mostrar para o público o complexo universo da notícia e seus agentes, apresentando os conflitos éticos e morais da profissão. Entre casos verídicos e fictícios sobre a atividade desse agente e seu cotidiano, apresentamos aqui uma resumidíssima lista de alguns memoráveis filmes. Confira:

Todos os homens do presidente (1976)
Talvez seja o filme mais aplaudido e recomendado para estudantes, profissionais da área e o público interessado no gênero. A história é baseada na reportagem dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein (The Washington Post) que investigaram o escândalo Watergate que levou o presidente Richard Nixon à renúncia. O filme mostra os bastidores da profissão, num roteiro preciso com os seus personagens. Não se propõe a mostrar apenas a investigação de um caso jornalístico, mas também a desenvolver os personagens na narrativa. Constrói sua atmosfera usando elementos cotidianos como o café que afasta o sono e cansaço. E também revelando, a todo momento, a presença do relógio, que não deixa esquecer que o tempo não para e que é ele que dita a premência do trabalho. O filme continua atual e atraindo as novas gerações. Até hoje consegue ter mais peso que muitas obras que vieram depois dele. Talvez seja por isso que muitos profissionais da área digam que é o filme definitivo sobre jornalistas.

Repórteres de guerra (2010)
Baseado em fatos, conta a história de quatro fotojornalistas que cobriam a primeira eleição democrática da Africa do Sul, nos anos 90. O dia a dia desses profissionais em meio a tiroteios, assassinatos, atentados e miséria. A questão central desse filme é sobre o papel do jornalista no fato abordado. Até que ponto o profissional tem que ser isento de emoções para cumprir com seu trabalho de forma eficiente. Sua “passividade” na hora de cobrir um acontecimento faz o repórter ser menos humano? Ou ter menos compaixão? Essas questões são bem ilustradas nesse filme de ação que a princípio não chama tanta atenção, mas acaba surpreendendo.

Spotlight (2015)
Baseado em fatos, conta a história da investigação do grupo de jornalistas de Boston que reuniu vários documentos provando abusos sexuais de crianças por padres da igreja católica. Mostra bem os bastidores de uma redação e a correria de repórteres e editores no seu cotidiano. “Spotlight” é uma ótima escolha para quem quer ter uma ideia de como funciona um jornal.

Ainda:  

Cidadão Kane (1941)
A montanha dos sete abutres (1951)
Rede de intrigas (1976)
The Paper (1994)
O informante (1999)
Shattered Glass (2003)
The Post (2018)

E um seriado:

The Newsroom (2012 a 2014)

 

  • Repórteres de guerra

    Repórteres de guerra

  • Kirk Douglas em A montanha dos sete abutres

    Kirk Douglas em A montanha dos sete abutres

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