O anjo que sai às ruas no dia do Enem para transportar candidatos atrasados

Professora fez a gentileza pela primeira vez em 2016, repetiu nos dois dias de prova deste ano e pretende continuar nos próximos
sábado, 18 de novembro de 2017
por Dayane Emrich
Alessandra Jaccoud: “Estávamos em casa quando minha filha questionou: Mãe, será que terá alguém para ajudar o pessoal esse ano? Aquilo me sensibilizou
Alessandra Jaccoud: “Estávamos em casa quando minha filha questionou: Mãe, será que terá alguém para ajudar o pessoal esse ano? Aquilo me sensibilizou"

Domingo, 5 de novembro de 2017. Faltavam apenas oito  minutos para os portões da Universidade Estácio de Sá -- um dos locais de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) -- fechar quando a professora Alessandra Jaccoud, de 43 anos, viu dois jovens desesperados correndo na Rua Monte Líbano, no Centro.

“Não hesitei e já fui perguntando: Vocês vão fazer o Enem? Entrem no carro, eu levo vocês!”, conta ela, aliviada por ter chegado a tempo para que os estudantes conseguissem fazer a prova. Alê, como gosta de ser chamada, é uma dessas pessoas que está sempre disposta a ajudar e que os jovens tiveram muita sorte de encontrar.

Esta, no entanto,  não foi a primeira vez que a professora cedeu espaço no banco do carona em dia de vestibular. Em 2016, depois de levar a filha para fazer a prova do Enem no Campus da Uerj, na Vila Amélia, ela percebeu que era grande a quantidade de jovens que corriam para chegar ao local de prova antes do fechamento dos portões. “Naquele ano eu fiz pelo menos três viagens com o carro cheio. Levava os alunos da Praça do Suspiro até o portão da universidade. Na época, lembro que ajudei duas meninas que estavam vindo de Cordeiro e que quase perderam a prova por conta de atraso do ônibus”, conta ela.

Alessandra afirma também que nem sempre os atraso estão relacionados a irresponsabilidade ou displicência dos candidatos. “Muitos não têm pai ou mãe para trazer de carro, moram em locais afastados, onde o acesso de transporte é difícil”, explica, revelando os motivos que a levaram a repetir a boa ação. “Estávamos em casa quando minha filha questionou: Mãe, será que terá alguém para ajudar o pessoal esse ano? Aquilo me sensibilizou. Pegamos a chave do carro e, a poucos minutos da abertura dos portões, fomos para as ruas”.

A professora conta que não se lembra da fisionomia dos jovens, tampouco seus nomes. “É tudo muito rápido. Não dá tempo de perguntar nada, apenas de desejar uma boa prova. Quando a gente ajuda alguém, o universo conspira a nosso favor e somos recompensados com a sensação de dever cumprido”, pontua, afirmando que pretende continuar a missão nos próximos anos.

 

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