Nos hospitais, palhaçadas, doações e muito amor pelos enfermos

Voluntários evangélicos do grupo Doutores da Graça aliviam a dor de pacientes no Hospital Raul Sertã
sábado, 17 de novembro de 2018
por Alerrandre Barros, Paula Valviesse e Ana Borges (redacao@avozdaserra.com.br)
O grupo de voluntários em ação (Arquivo pessoal)
O grupo de voluntários em ação (Arquivo pessoal)

Levar alegria e amparo espiritual aos enfermos e seus acompanhantes é a missão do Doutores da Graça, grupo evangélico interdenominacional de Nova Friburgo, que há seis anos faz visitas semanais ao Hospital Municipal Raul Sertã, o maior da região. Com adereços coloridos e música, eles adentram as alas, cantam, conversam com os doentes, distribuem presentes em fazem orações que acalentam corações angustiados.

“Tudo começou quando operei os rins no Rio de Janeiro, em 2012. Internada no hospital, conheci o serviço de capelania hospitalar realizada pelo pastor Paulo Ogg. Fui tocada pelo trabalho de visitar quem não recebia visitas e decidi trazer o projeto para Friburgo”, conta a líder do grupo, Camila Batista.

Pouco tempo depois, Ogg esteve na cidade para ministrar um curso na Igreja Batista Central, no Paissandu. Camila participou do treinamento e começou a integrar a equipe que fazia visitas ao hospital. Com o passar do tempo, parte do grupo se desvinculou da igreja e se criou, no município, o Doutores da Graça interdenominacional, ou seja, aberto a voluntários de qualquer grupo religioso protestante. Hoje, conta com cerca de 50 integrantes.

O trabalho do grupo no hospital ocorre todos os sábados, sempre antes do horário de visita de familiares e amigos. Com máscaras de super-heróis, nariz de palhaço ou saias de bailarinas, eles visitam os quartos da pediatria. Entoam canções, contam histórias e distribuem brinquedos doados. É uma festa comedida, que mobiliza também os funcionários do hospital, outro público-alvo dos “doutores”.

“Somos muito bem recebidos, inclusive nas alas de pacientes adultos. Algumas visitas aos quartos duram mais tempo do que outras, dependendo do estado de saúde do paciente. Enfermeiros e médicos nos acompanham e também são impactados pelo trabalho, pois padecem de aflições tanto quanto os pacientes”, disse Tiago Vidal, outra liderança do grupo. As visitas duram até duas horas.  

Os doutores da graça não vão somente ao Raul Sertã. Já estiveram também na Maternidade Dr. Mário Dutra, realizaram trabalhos com a Unimed, e ainda participam de ações sociais em comunidades da cidade. Eles também fazem visitas às casas de enfermos. Doam fraldas, roupas, medicamentos receitados pelo médico, cestas básicas. Também atuam como cuidadores, quando o acompanhante do paciente precisa se ausentar do leito por algum motivo.

Para integrar o grupo, é preciso ter vocação para a capelania hospitalar e ser membro frequente de uma igreja evangélica. O voluntário precisa ser indicado e acompanhado pelo seu pastor. Ele terá que se adequar às normas do grupo e passará por uma capacitação, em que será treinado pelos doutores da graça. Só após uma período de observação é que então se tornará integrante do projeto social.

“É um trabalho voluntário e ninguém recebe remuneração. É preciso vocação, porque nem todo mundo consegue lidar com o sofrimento. Os voluntários são treinados para falar com os pacientes. Recebem orientações sobre como se comportar no ambiente hospitalar e seguem normas de higiene”, explicou Tiago.  

Segundo Camila, o grupo religioso faz do projeto uma missão ou um “chamado” de Deus para levar o Evangelho de Jesus Cristo, mas não impõe a ninguém sua fé. “Entendemos que nosso chamado específico é cuidar dos órfãos, viúvas, enfermos e dos mais necessitados, levando amor, perdão, cuidado e a graça de Cristo para todos aqueles que querem. Estamos lá para servir”.

Qualquer pessoa pode colaborar com o trabalho do Doutores da Graça fazendo doações. Para saber o que doar e quando doar, basta seguir a página deles no Facebook (http://bit.ly/2K2FZFG).

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Doações de leite para o Hospital Maternidade Mário Dutra ajudam nos cuidados sos bebês prematuros

 

Fundado em 6 de dezembro de 2001, o Banco de Leite Materno do Hospital Maternidade Doutor Mário Dutra de Castro, no centro de Nova Friburgo, tem como funções principais a coleta, armazenamento e distribuição de leite materno, e a realização de trabalhos de informação e orientação sobre o aleitamento. A unidade está aberta para todas as lactantes que puderem doar, sendo o leite coletado destinado aos cuidados do bebês prematuros internados no hospital, cujas mães não conseguiram desenvolver, mesmo que temporariamente, a produção necessária para a alimentação do recém-nascido.

Doar leite é um gesto de amor. Segundo a nutricionista do hospital e responsável técnica pelo Banco de Leite, Tânia Costa, não existe alimento que substitua o leite materno: “No caso dos bebês prematuros é muito mais do que alimentação, ajuda em tudo, como, por exemplo, no desenvolvimento da imunidade, que muitas vezes não está completa quando a criança nasce prematura. O leite materno é indiscutivelmente o melhor alimento, e as doações ajudam quando a mãe, neste período, não consegue produzir o leite”, informou  Tânia.

Ela ainda ressaltou que doar é mais simples do que as pessoas pensam. O primeiro contato é feito na unidade, onde a doadora preenche uma ficha e passa por uma avaliação médica. Depois, o leite é coletado pelos profissionais da maternidade na residência das doadoras.

“Buscamos as doações em todo o município, organizamos uma rota de coleta e mantemos sempre contato com a mãe que doa para saber se foi possível coletar, se ela estará em casa. Na primeira doação, que é feita no Banco de Leite, realizamos o cadastro e dali a doadora já sai com o kit de coleta, composto pelo frasco, touca e máscara, e passamos a buscar o leite em sua casa”.

Segundo Tânia, existem algumas restrições para doar, mas todas as informações são passadas pelos técnicos, fora isso, não há tempo mínimo, nem máximo para a doação: “Enquanto a mulher estiver amamentando e desejar doar o leite excedente este gesto é bem-vindo. Já tivemos casos de mulheres que doaram leite por mais de um ano e meio”, diz a responsável pela unidade.

Os técnicos do Banco de Leite estão à disposição para tirar as dúvidas e orientar as mães que desejam colaborar com a unidade. O leite coletado passa por todo um controle de qualidade, inclusive pelo processo de pasteurização, que assegura que o alimento doado não tenha nenhum contaminante, assim como permite que seu prazo de armazenamento seja de até seis meses.

Como o consumo é grande, uma vez que o leite materno é o alimento priorizado para os bebês internados na maternidade, não há limite máximo de doações, sendo sempre aceitas novas voluntárias. O Banco de Leite conta com a colaboração do Rotary Clube e da Unimed Nova Friburgo para a coleta do alimento, que é realizado todas terças e quintas-feiras na unidade e, de acordo com o agendamento, na casa das doadoras.

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Eleitores de Jair Bolsonaro fazem campanha para ajudar Santa Casa

Quando o presidente eleito Jair Bolsonaro tornou pública sua intenção de doar a “sobra” de sua campanha para a Santa Casa de Juiz de Fora (MG), hospital onde foi tratado logo após sofrer o atentado contra sua vida, foi informado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tal repasse não podia ser feito sob a alegação de que o dinheiro pertencia ao partido e seu destino só podia ser decidido pelo presidente do PSL.

Ao tomar conhecimento da restrição, seus apoiadores iniciaram uma campanha nas redes sociais para receber doações, desde R$ 1,00 para ajudar o hospital filantrópico. Contudo, a maior parte dos depósitos na conta da instituição foi de R$ 17,17, numa alusão ao número do partido do então candidato. A ideia da doação foi manifestada por Bolsonaro no dia 30 de outubro, dois dias após ter sido eleito presidente da República.

A conta da Santa Casa, registrada no Banco do Brasil, contabilizava, até o dia 9, quase 40 mil depósitos voluntários, totalizando R$ 900 mil, e a expectativa é que a campanha continue. Em nota, o hospital esclareceu que não está promovendo vaquinhas virtuais e sobre a conta para depósitos, esclareceu. “A conta do Banco do Brasil número 6367-3 da agência 4478-4 é, de fato, da Santa Casa de Juiz de Fora, embora a agência apareça nomeada como se fosse de Santos – SP”.

Responsável pelo primeiro atendimento a Bolsonaro após o golpe desferido por Adelio Bispo de Oliveira durante comício em Juiz de Fora, a Santa Casa de Misericórdia da cidade engrossa o número de entidades filantrópicas que relatam dificuldades financeiras. Uma das principais razões apontadas para esse problema é a defasagem da tabela de repasses do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mais de 70% dos atendimentos realizados pelo hospital no ano passado foram destinados a pacientes do SUS. Este também foi o caso do tratamento oferecido a Bolsonaro, que ocupou um dos 523 leitos da casa antes de ser transferido para São Paulo (onde passou 23 dias no Hospital Albert Einstein ). Trinta dias antes de receber o então presidenciável, a Santa Casa completou 164 anos. Segundo levantamento de 2017, os prejuízos relacionados a repasses do SUS ultrapassam R$ 27 milhões.

“Nos últimos oito anos [a instituição] conseguiu aumentar o faturamento, apesar do alto custo dos serviços, somado pela não atualização das tabelas do SUS”, destacou, em nota, a assessoria da Santa Casa que recebe pacientes de 96 municípios da macrorregião sudeste de Minas Gerais.

Com título de Hospital de Ensino, em função da formação de novos profissionais pelos programas de residência médica – a Universidade Federal de Juiz de Fora oferece curso de Medicina –, a instituição tem um quadro de 850 médicos e dois centros cirúrgicos. “Por ano, são realizados mais de 780 mil exames de análises e imunologia, 86,2 mil consultas de urgência e emergência e quase 20 mil cirurgias”, informou o órgão.

A campanha de Bolsonaro arrecadou R$ 4,3 milhões, gastou R$ 2,8 milhões, e devolveu ao partido R$ 1,5 milhão.

 

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