A música e o tratamento de doenças psíquicas

Estudos comprovam que terapia com música alivia a depressão em crianças e adolescentes
sábado, 14 de setembro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
A música e o tratamento de doenças psíquicas

A depressão atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, sendo definida como um transtorno mental. Se caracteriza por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, com oscilações entre os sentimentos de baixa autoestima e culpa. E consequentes distúrbios do sono e do apetite, além de cansaço e falta de concentração. A depressão pode ganhar uma forma recorrente ou de longa duração e, em suas formas mais graves, levar ao suicídio.

O elevado número de suicídios registrados em todo o mundo, com destacado aumento entre os idosos, e ultimamente, entre jovens também, tem chamado a atenção dos especialistas e entidades que tratam do assunto. É preocupante o aumento da depressão em crianças e adolescentes.

Números do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA mostram que cerca de 11% das crianças abaixo de 18 anos têm sintomas de transtorno depressivo. Atualmente são usados métodos de tratamento populares que incluem psicoterapia e uso de medicamentos antidepressivos, que são conhecidos por serem associados com o aumento do risco de suicídio.

Com crianças e adolescentes

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Nacional da Irlanda, em parceria com o Instituto de Musicoterapia da Irlanda do Norte, entre 2011 e 2014, analisou dados de um grupo de jovens que estavam recebendo tratamento para desenvolvimento emocional e problemas de comportamento.

O trabalho envolveu dois grupos com cerca de 125 indivíduos cada um. Um deles recebeu a terapia tradicional enquanto o outro, a musicoterapia. No final do estudo, os pesquisadores descobriram que as crianças testadas com musicoterapia mostraram maior autoestima e redução de sintomas depressivos, além de significativa melhoria em suas habilidades comunicativas e interativas.

Transtornos psíquicos e dependência química

A especialista Eliziê de Souza esclarece que na área de saúde mental, a musicoterapia não apenas auxilia no tratamento dos pacientes com transtornos psíquicos, mas, também com dependência química. 

“A musicoterapia se tornou uma ferramenta importante nos tratamentos, pois ela promove o início da interação com paciente. Utilizando-se dos elementos da música como o som, a harmonia, o ritmo, ela é capaz de auxiliar o paciente ou o grupo a combater as várias patologias que envolvem o desenvolvimento, a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, expressão e a organização física, mental ou social”.

Sendo capaz de alterar a respiração, a pressão sanguínea e até mesmo os batimentos cardíacos, a música atua diretamente no sistema límbico do cérebro: 

“Essa região é responsável pelas emoções, afetividade e motivação, por isso é capaz de contribuir com o aumento da produção de endorfina e principalmente para a socialização, já que um dos maiores desafios a serem vencidos por estes pacientes é o isolamento social. Um dos motivos pelos quais ela é indicada no tratamento das doenças psíquicas, é que contribui muito no combate ao estresse, ansiedade e depressão”, destaca.

Dessa forma, por entrar em contato direto com as emoções, a musicoterapia ajuda o paciente a expressar os conteúdos internalizados. “Nem sempre o paciente consegue verbalizar o que está sentindo, muitas vezes porque estão bloqueados pela inibição, pelo estresse ou pela falta de estímulo. Assim, a música funciona como um grande conector. Através dela, os pacientes conseguem, utilizando-se da melodia e da letra de canções, exteriorizar o que sentem, expressar desejos, medos, insegurança e dúvidas, por exemplo”.

A terapeuta explica ainda que essa ferramenta possibilita o despertar e o desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo. “Essas transformações levam a modificar padrões cristalizados e a resgatar o fluxo vital e por sua vez a saúde do paciente. Além disso, a musicoterapia realiza um trabalho preventivo, pois visa o ‘esvaziamento’ e canalização da tensão e da ansiedade, o que impede que estas se acumulem e tenham como consequência, bloqueios psicossomáticos responsáveis por gerar o estresse e a depressão”, concluiu.

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