Município comemora 200 anos de emancipação político-administrativa

Em 3 de janeiro de 1820, decreto de Dom João VI transformava terras da Fazenda do Morro Queimado, da Sesmaria de Cantagalo, na Freguesia de São João Batista da Vila de Nova Friburgo
sexta-feira, 03 de janeiro de 2020
por Lyvia Stael (lyvia@avozdaserra.com.br)
A Fazenda do Morro Queimado, onde tudo começou (Arquivo AVS)
A Fazenda do Morro Queimado, onde tudo começou (Arquivo AVS)

 

O novo ano inicia com um importante registro histórico: os 200 anos da elevação de Nova Friburgo a vila ou emancipação político-administrativa, termo que representa o desmembramento de parte de um território ou região para constituir outro município. Em 3 de janeiro de 1820, o rei português Dom João VI assinava o decreto que transformava as terras da Fazenda do Morro Queimado dos domínios da Sesmaria de Cantagalo em Freguesia de São João Batista da Vila de Nova Friburgo. O nome foi dado em homenagem ao santo padroeiro homônimo escolhido pelo próprio rei.

A data já foi motivo de polêmica por um longo tempo, exatamente até 1968, quando uma comissão especial composta por notáveis e membros do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro definiu o dia 16 de maio como data oficial da criação de Nova Friburgo.

Os Sertões Lestes do Macacu, como era conhecida toda a região em que hoje se localiza o Centro-Norte fluminense, incluía o atual território de Nova Friburgo, então denominado Fazenda do Morro Queimado, pertencente à Sesmaria de Cantagalo. Dez anos depois de chegar ao país, em 1808, quando a Família Real Portuguesa transferiu-se para o Brasil, o rei Dom João VI pretendia ampliar o Reino, ao mesmo tempo que, pressionado pela Inglaterra - sua parceira contra o imperador Napoleão Bonaparte - precisava conter o tráfico negreiro e optaria por um projeto de europeização do país.

Um primeiro decreto, também assinado pelo rei, em 16 de maio de 1818, que antecedeu o da criação da vila, autorizava a vinda de famílias suíças à região do Sertão Leste do Macacu. Foram estabelecidas 260 dessas famílias áreas próximas à confluência dos rios Cônego com Santo Antônio e margem direita do Rio Bengala, onde hoje se localiza a Praça Getúlio Vargas (foto). Este decreto criou Nova Friburgo antes mesmo da vila existir, e foi considerado a verdadeira certidão de nascimento da cidade.

Quando Nova Friburgo era ainda somente uma ideia em 1818, D. João VI estabeleceu diversas diretrizes para a futura vila, desde infraestrutura urbana até bem-estar social de seus habitantes. A instrução dos colonos era fator determinante para o sucesso do empreendimento e o rei estipulou que a vila fosse equipada com escolas, jardim botânico e museu.

Em 1824, o contingente populacional foi reforçado com imigrantes alemães. Os colonos alemães implantaram as primeiras indústrias, que se expandiram e transformaram a cidade em importante centro de têxteis e vestuário. O cultivo do café, principal riqueza no início da colonização, trouxe a ferrovia à região em 1873. Com isso, migrantes brasileiros e mais imigrantes vieram - italianos, espanhóis, libaneses e japoneses.

Os dois séculos da emancipação político-administrativa, completados nesta sexta-feira, dia 3, devem ser motivo de comemoração. Através dele o território começou a ganhar formatação de cidade. Nova Friburgo foi evoluindo através do tempo, e hoje, é uma das principais cidades que integram o Estado do Rio, com destaque nas áreas cultural, histórica, turística e com grande potencial econômico.

 

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