Mitomania: quando o hábito de mentir vira doença

sábado, 30 de março de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Mitomania: quando o hábito de mentir vira doença

A mitomania é a tendência patológica mais ou menos voluntária e consciente para a mentira. Normalmente, as mentiras dos mitomaníacos estão relacionadas a assuntos específicos, mas, podem ser ampliadas e atingir outros assuntos em casos considerados mais graves.

O indivíduo que sofre de mitomania, tem uma necessidade patológica de contar mentiras, e faz dessas mentiras o seu universo e maneira de acalmar suas ansiedades. É importante também diferenciar a mitomania, de falsas memórias, pois mesmo indivíduos saudáveis costumam distorcê-las e ter lembranças muito diferentes de um mesmo evento. Enfim, é uma doença grave e esse paciente necessita de atenção por parte de amigos e familiares, e ser tratado.

Compulsão em mentir, pseudologia fantástica ou mentir patológico é um transtorno psicológico caracterizado por contar mentiras compulsivamente, sem benefícios externos e geralmente restritos a assuntos específicos, apresentando-se de maneira bem vista socialmente. Em casos considerados mais graves, podem incluir uma enorme diversidade de assuntos e a própria pessoa tem dificuldade em lembrar o que é verdade e o que é invenção.

Origem e sintomas  

São diversos os motivos pelos quais a mitomania se manifesta. Primeiro, por vários fatores sociopsicológicos do contexto da pessoa afetada e, segundo, porque enfatiza uma situação social, podendo, então, mostrar-se eventual dependendo das circunstâncias presentes na época em que o indivíduo está vivendo. Na maioria das vezes um dos motivos é o desejo de aceitação daqueles que o rodeiam. Costuma ser difícil convencê-lo a aderir a um tratamento.

Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente. Muitas vezes se apresentam unidas à angústia profunda, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão, transtorno ansioso ou de humor.

Os principais sintomas são:

  • As histórias contadas não são totalmente improváveis ​​e muitas vezes têm algum elemento de verdade. Elas não são uma manifestação de delírio ou de algum tipo de psicose mais amplo: quando confrontado, o contador pode admitir que elas são falsas, mesmo que a contragosto.

  • A tendência de contar mentiras é duradoura, não sendo provocada apenas por situação imediata ou pressão social, sendo uma característica natural da personalidade.

  • A motivação definitivamente emocional (medo, vergonha, desejo por aprovação), sem benefícios externos óbvios (como vender produtos, manter um relacionamento ou escapar impune de um crime).

  • As mentiras tendem a apresentar o mentiroso favoravelmente: pode ser apresentado como sendo uma pessoa corajosa, esperta, feliz, bem sucedida ou bem relacionada com celebridades.

Admitir que mente é um sofrimento mesmo para quem não tem mitomania e maior ainda se a mentira durar anos. Desse ponto de vista, pode-se afirmar que o discurso do mitômano é muito diferente do discurso do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins. Contam histórias ao mesmo tempo que acreditam nelas. É também uma forma de consolo.

Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva (fatos visíveis). Ele tem necessidade de contar histórias falsas para se sentir bem consigo mesmo, caracterizando nestes casos um fenômeno psicológico denominado bovarismo (fugir da realidade).

O papel da família e amigos se torna extremamente importante na vida do indivíduo que sofre da doença, ajudando-os a separar o que é real ou invenção, com acompanhamento especializado. Grande parte dos casos de mitomania levam ao suicídio, principalmente se associados a depressão e pós-depressão. Ao não obter o apoio necessário e ser excluído do grupo que frequentava ou participava, o indivíduo pode acabar vivenciando uma situação sem saída.

Aconselha-se àqueles que convivem com o mitômano, principalmente se ele demonstra vontade de enfrentar a doença, a apoiá-lo. Abandoná-lo, pode acarretar profunda melancolia, depressão e desejo de suicídio.

 

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