Minhas manias preferidas

Por Carlos Emerson Junior
sexta-feira, 27 de maio de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Manias... quem não as tem? E até onde um mero hábito mecânico pode virar um perigoso TOC? E por falar nisso, o que é mesmo um TOC?

Perguntas, perguntas e mais perguntas. Será que perguntar também é uma mania? Sem brincadeira, acho que uma das coisas que nos diferenciam dos demais habitantes vivos deste planetinha são as nossas manias, saudáveis ou não.

Alguém já viu um cachorro angustiado quando saiu para passear, tentando se lembrar se esqueceu o gás ligado? É um exagero, claro, mas do jeito que estamos tratando os nossos pets, qualquer dia eles vão acabar maníacos compulsivos por osmose!

Segundo a Wikipedia, a palavra vem do grego mania (loucura), distúrbio mental caracterizado pela mudança exacerbada de humor, com alteração comportamental dirigido, em geral, para uma determinada ideia fixa e com síndrome de quadro psicótico grave e agudo característico, embora não exclusivo (mania secundária), do Transtorno ou Distúrbio Bipolar e se caracteriza por grande agitação, loquacidade, euforia, insônia, perda do senso crítico, grandiosidade, prodigalidade, exaltação da sexualidade e heteroagressividade.

Entendeu alguma coisa? Nem eu!

Vamos de novo: o Dicionário Houaiss define mania como “hábito extra, prática repetitiva, costume esquisito, peculiar, excentricidade como por exemplo deitar-se sempre do lado direito ou gosto ou preocupação excessiva por ou com algo”.

Melhorou, não é mesmo?

A questão da mania é tão fascinante que alguém, na internet, é claro, se deu ao trabalho de elaborar uma lista com todas as manias conhecidas, de A até Z. Ali encontramos coisas interessantes e inesperadas como a “dacnomania – mania de morder alguém ou a si mesmo”, “erotografomania – desejo de escrever cartas de amor”, “nudomania – mania de ficar nu”, “sofomania – mania de saber muito”, “odaxelagnia – desejo de mordiscar carinhosamente os outros”, “rinotilexomania – mania de colocar o dedo no nariz” e a mais conhecida e que acomete a classe política em geral, a “cleptomania – mania de roubar sem necessidade”.

Mas o que importa mesmo são as nossas próprias manias, aqueles toques que não causam danos a ninguém e, por que não, facilitam nossas rotinas. Há alguns anos atrás correu pelo mundinho dos blogs um “meme” (uma mania em desuso), sobre nossas manias preferidas. As minhas foram e ainda são as seguintes:

- Ler jornais de trás para diante. Eu acho que isso vem de criança mesmo. Lembro que gostava dos quadrinhos do segundo caderno do jornal carioca O Globo, que ficavam na penúltima página. Depois passei a ler a seção de esportes, sempre na última página. Hoje, bode velho e leitor compulsivo (opa!), só sei ler da última para a primeira página (mas, atenção, é só com jornais, não faço isso com livros e revistas porque ainda não estou louco);

- Nunca piso no chão sem estar calçado. Isso não sei explicar, já que nasci e cresci em Copacabana, indo sempre à praia de pé no chão. De repente, não consegui mais andar sem um chinelo, sandália, tênis, qualquer coisa, menos pé no chão. Acho que Freud explica. Ou então Jung... Será que pisei em cocô de cachorro e fiquei traumatizado? Vá saber!

- Minhas roupas são todas arrumadas no armário por tipo e cor. É sério! Separo as camisas em mangas compridas, curtas e sem mangas e agrupo pelas cores. Calças e bermudas também. Mas isso deve ser porque sem óculos não enxergo nada e dessa maneira consigo visualizar facilmente a peça que vou usar. Ainda bem que não sou daltônico.

- Detesto filas. Fila de banco, restaurante, cinema, teatro, INSS, vale-transporte, vale-idoso, vale-gás, correios, bolsa família, eleição, o que for. Se for preciso mudo de programa, chego mais cedo ou mais tarde, enfim, faço qualquer negócio para não ser obrigado a encarar uma fila.

- Trocar modelos de celulares. É minha perdição. Estou sempre de olho nos sites especializados para saber quais as últimas novidades. Parece que depois de certo tempo eu enjoo do bicho e não sossego até passar para outro. Minha mulher brinca que “ainda bem que não faço isso com ela”, que maldade!

- Pois é. Não, não é o fim da crônica não, é mania mesmo. Podem reparar que uso e abuso do “pois é”, escrevendo e falando, principalmente quando o raciocínio, já meio baleado, custa a fechar a ideia. Tá bom, isso não é mania, é pobreza de vocabulário mesmo...

Mais algum? Sem dúvida, mas acho bom parar por aqui. Algumas manias são tão nossas que fica até difícil explicar. Aliás, não conto nem por decreto! E você, querida leitora e caríssimo leitor, qual a sua mania preferida?

Carlos Emerson Junior

(carlosemersonjr@gmail.com)

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