Meu pai, meu herói: histórias de amor, orgulho e proteção

Meu herói usa capa.. para se proteger de incêndio: oficiais de Nova Friburgo e seus filhos falam sobre a missão
sábado, 11 de agosto de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Meu pai, meu herói: histórias de amor, orgulho e proteção

“Vontade inabalável de cumprir o dever e integral devotamento à segurança da comunidade, até com o sacrifício da própria vida”. Estas são duas das obrigações e deveres do bombeiro, descritas no Estatuto dos bombeiros-militares do Estado do Rio de Janeiro, estabelecido pela Lei 880/1985. E quando esse devotamento à segurança envolve os filhos, temos grandes exemplos de heróis, mas não do tipo que veste capa e voa. A armadura desses bravos guerreiros é à prova de chamas e os pré-requisitos para alcançar locais de difícil acesso são muita dedicação e treinamento.

Seguindo os passos do pai

O 2º sargento Alexandre Diniz Breder é a inspiração dos filhos Larissa, de 6 anos, e Lucas, de 8. Os pequenos chegam fardados para a entrevista, realizada no quartel do Corpo de Bombeiros de Nova Friburgo. Orgulhosos, eles exibem a roupa, cada um com uma cobertura: a menina com o boné vermelho dos bombeiros mirins e o menino com o laranja, cor usada pelo resgate e salvamento, que pegou emprestado com o pai, especialmente para a ocasião.

“É muito gratificante para mim que as crianças se inspirem no nosso trabalho e sonhem em ser bombeiros quando crescerem. Eles sempre pediram a farda, queriam se vestir como os bombeiros de verdade, então há pouco mais de um ano eu comprei o uniforme para os dois. Às vezes eles pedem para usar para sair na rua, em dias comuns”, conta o pai orgulhoso.

E nesse planejamento da futura profissão, não é difícil adivinhar o que as crianças decidiram ser quando chegar a hora: “Eu quero ser bombeiro como meu pai”, afirma Lucas. Já Larissa escolheu outra forma de representar a corporação: “Quero ser médica dos bombeiros quando eu crescer, para ajudar a salvar as pessoas”, diz a pequena.

E o pai incentiva os dois a darem o seu melhor, reforçando que é preciso estudar, ser obediente, respeitar os outros e, acima de tudo, amar a profissão: “Eu sempre falo para eles sobre a importância de ajudar as pessoas, de ser um bom cidadão. A pedido dos dois vou à escola, compartilho as histórias e simulo treinamentos junto com os colegas da turma. A última visita foi na escola da Larissa, onde fizemos um exercício de evacuação de prédio, e todos ficaram muito felizes em participar, ajudaram a desenhar as sinalizações e depois seguiram as orientações sobre como proceder em uma situação como essa”, lembra Breder.

 

Treinamento vira diversão em família

Os filhos do sargento Alberto Moreira da Silva, Sara, de 7 anos, e Daniel, de 10, também ficam animados ao falar sobre a profissão do pai. Quando perguntada sobre o que ele faz, Sara logo informa: “Ele sobe na corda, apaga o fogo e ajuda as pessoas”. Ela ainda lembra de momentos nos quais pôde compartilhar com os amigos um pouquinho das açṍes do pai: “Uma vez a minha escola veio visitar o Corpo de Bombeiros e meu pai estava trabalhando, então todo mundo pôde ver o que ele faz, o que é ser um bombeiro”.

E se o pai consegue subir na corda e alcançar o teto do local de treinamento existente no quartel, Daniel também. Ele que tem várias fotos com o uniforme dos bombeiros, inclusive vestindo a pesada roupa de aproximação, usada em casos de incêndios, explica como isso é possível: “Consigo subir na corda porque tenho força”, esclarece, todo prosa.

Força e também um pouco de treinamento. Moreira ensinou os pequenos sobre o que fazer em casos de emergência: “Orientei sobre como ligar para 193, especialmente nesse momento que a avó deles está doente. Ensinei também pequenos cuidados que fazem diferença no dia a dia, como ficar longe do fogo, não mexer em panela quente. E nos exercícios juntos eles aprenderam a subir na corda, adoraram essa experiência. O Daniel consegue alcançar uma boa altura e a Sara faz isso brincando, sem nenhum problema”, conta o sargento.

Sobre como conciliar as responsabilidade de pai e bombeiro, a declaração de Moreira é emocionante: “Quando recebemos um chamado sempre pensamos em nossos filhos, na nossa família. Redobramos os cuidados quando estamos em ação. E quando as circunstâncias envolvem crianças, a primeira coisa que passa pela cabeça é que poderiam ser nossos filhos. Ser bombeiro e pai é uma dupla missão, o sentimento de cuidar do próximo que já existia, que é parte da gente quando escolhemos essa profissão, aumenta de forma imensurável”.

 

24 horas com o coração apertado de saudade

O subtenente Pablo Dias é pai da Maria Flor, de um ano e nove meses. Apesar da pouca idade, a pequena já reconhece as sirenes dos bombeiros e associa esse som ao pai. Tímida, com a presença de pessoas com as quais não está acostumada, ela se agarra ao pescoço de Pablo e esconde o sorriso. Apesar da timidez, o ambiente lhe é familiar e Maria Flor observa atentamente os detalhes e as luzes do quartel, enquanto Pablo conta como é a experiência da paternidade e como isso influencia na sua percepção da vida e do trabalho.

“Quando são 24 horas de serviço o coração fica apertado de saudade, mas compenso nas 72 horas de descanso. Sou muito agradecido por exercer a profissão que amo e ter nela a possibilidade de passar três dias completos com a minha filha, acompanhar a sua rotina diária, vê-la crescer. Desde quando entramos nos bombeiros já temos essa visão diferenciada para com o próximo, esse sentimento de querer ajudar. Como pai, essa vontade se multiplica e sinto também que passei a ser ainda mais cuidadoso”, diz Pablo.

E a Maria Flor já compreende quando o pai sai para trabalhar, só que é necessário um bate-papo no dia anterior: “Eu tenho que fazer uma negociação com ela quando vou entrar em serviço, explicar que o papai vai estar no Bombeiro trabalhando e que quando voltar poderemos passar um bom tempo juntos. Teve uma vez em que não falei nada, ela acordou, não me viu e passou o dia todo chorosa”, conta o subtenente.

 

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