Madeiras dos eucaliptos da Praça Getúlio Vargas apodrecem no horto

Toras que deveriam ser reaproveitadas estão jogadas no chão
quinta-feira, 03 de março de 2016
por Alerrandre Barros
A madeira se deteriora no horto municipal (Foto: Henrique Pinheiro)
A madeira se deteriora no horto municipal (Foto: Henrique Pinheiro)

A madeira dos eucaliptos cortados na Praça Getúlio Vargas, no início do ano passado, ainda não foi reaproveitada e está apodrecendo no horto municipal de Nova Friburgo. Nesta quinta-feira, 3, as toras estavam dispostas uma sobre a outra, no chão, na subida de uma estrada de terra, na entrada do horto, no Parque São Clemente.

“A madeira está aí desde o ano passado. Colocaram as toras em cima de uma plantação de íris (uma espécie de flor)”, disse um jardineiro que trabalha no local.

As toras são produto da operação de poda e cortes de eucaliptos que foi parar na Justiça. Em janeiro de 2015, a prefeitura começou a cortar pelo menos 20 árvores para evitar acidentes na principal praça do centro da cidade. A suspeita de irregularidades nos laudos que orientaram os serviços motivou o Ministério Público Federal (MPF) a abrir inquérito para apurar as denúncias de ativistas ambientais. Várias árvores podem ter sido cortadas sem necessidade na praça tombada como patrimônio histórico.

Como o estrago já estava feito, em março, o MPF propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado pela prefeitura e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para orientar as ações de revitalização na praça e ainda propor medidas compensatórias, dentre elas o reaproveitamento da madeira cortada. Desde então, as toras se deterioram no horto. Há também madeiras depositadas na Empresa Brasileira de Meio Ambiente (EBMA), no Córrego Dantas. Nesta quinta-feira, 3, a equipe de A VOZ DA SERRA esteve na sede da empresa, mas não foi autorizada a ver e fotografar as toras.

Para o engenheiro florestal Roberto Frossard, as toras que estão no horto municipal deveriam ter sido colocadas em local seco e sobre uma estrutura que impedisse o contato delas com o solo. “A madeira absorve a umidade. Isso potencializa a ação de agentes decompositores, que corroem o cerne, a parte nobre da madeira. Além disso, as toras deveriam ter sido cobertas para evitar contato com a umidade”, orienta o profissional.
 
De acordo com o documento proposto pelo MPF, a madeira seria reaproveitada pela prefeitura ou doada para escolas ou artistas que trabalham com a matéria-prima. “Para isso, as toras deveriam ter passado por processo de secagem, com a retirada das cascas. Só assim elas poderiam ser reaproveitadas por marceneiros, por exemplo”, explica o engenheiro Roberto Frossard. O descumprimento do TAC prevê multa de R$ 2 mil neste caso.  

Impasse e obra de arte

Em dezembro do ano passado, a secretária municipal de Cultura, Maria Cristina da Paz Sacchetto, convidou o Conselho Municipal de Política Cultural de Nova Friburgo para propor um destino para as madeiras, mas o órgão ainda não respondeu à prefeitura. Apesar da falta de celeridade no processo, A VOZ DA SERRA apurou que integrantes do conselho vão sugerir que uma obra de arte em madeira seja produzida e colocada no local onde estava a árvore-mãe da praça. Mas, se todas as toras realmente estiverem podres, isso não será possível.

O MPF e a Prefeitura de Nova Friburgo não responderam o e-mail do jornal até o fechamento deste texto.

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