Jardineiros: a arte de recriar, transformar, renovar

sábado, 14 de dezembro de 2019
por Lyvia Stael (lyvia@avozdaserra.com.br)

Responsável pela equipe de jardinagem do Nova Friburgo Country Clube há sete anos, Luderites Macedo, 59 anos, recebeu a equipe do jornal numa manhã chuvosa no jardim histórico do parque São Clemente para falar sobre o ofício que exerce há dez anos - a jardinagem.  

O que pode parecer simples, inicialmente, se mostra uma tarefa que exige paciência, observação, senso estético, noções de clima, característica botânica das espécies, iluminação, solo adequado, irrigação, cartela de cores das flores. É preciso conhecer as plantas e entender o que elas precisam para que estejam cheias de vida, respeitando seu tempo natural.

Mas também deve ir além: pragas, adubação, poda, entre outros assuntos técnicos devem fazer parte do leque de um bom profissional da jardinagem. Um bom jardineiro deve atentar para a adaptação das plantas, para as questões que envolvem luz e sombra. Saber onde posicionar cada tipo de vegetação priorizando as fases de crescimento de cada planta. O movimento do sol é essencial.

O resultado de seu trabalho no comando de seis jardineiros é impressionante. A chuva intermitente que recai sobre a cidade há alguns dias em nada parece atingir a beleza da vegetação: folhas e flores apresentam-se exuberantes nos 80 mil metros quadrados do jardim, na verdade, não só um jardim, mas vários, projetados e distribuídos harmoniosamente pelo paisagista francês Glaziou (Auguste François Marie). 

Considerado um dos maiores patrimônios naturais de Nova Friburgo, o jardim possui plantas raras, exóticas, nativas e originárias de outros países – cerejeiras japonesas, papiros egípcios, magnólias, bambus indianos, plátanos canadenses e cedros do Líbano e Ginko Biloba. Assim como bromélias, beijo, agave polvo e outras espécies, que são cuidadas com todo carinho pela equipe de jardinagem.

O fiel jardineiro do Country Clube, Macedo, lembra o incrível poder da profissão - os jardineiros podem recriar, transformar e renovar. Talvez seja por esse motivo que a jardinagem tenha adquirido o status de terapia nos últimos anos, e muitas pessoas têm colocado as mãos na terra, para sentir o cheiro, plantar uma semente ou muda e acompanhar a evolução. Com esta entrevista, o Caderno Z homenageia todos os jardineiros, profissionais festejados oficialmente neste domingo, 15.   

AVS: Quando começou a praticar a jardinagem?

Luderites Macedo: Na verdade eu trabalhava como DJ no Rio, em rádio e casas noturnas, mas comecei a cuidar do jardim do sítio da minha cunhada e a gostar do resultado. De lá fui trabalhar em um horto e cuidar de jardins em residências. Quando percebi estava gostando de jardinagem, me sentia realizado ao ver a beleza das plantas.

E como veio trabalhar como jardineiro em um dos principais jardins do estado?

Vim para Friburgo para conhecer minha esposa, gostei muito da cidade, mas não tinha mercado para DJ, na época. Como também era jardineiro, foi mais fácil encontrar trabalho nessa área. De música continuo gostando e sou DJ em casa, mas sempre gostei mesmo de lidar com plantas. Há sete anos, quando comecei a trabalhar no Country Clube, me encantei pelo espaço e pelo desafio de cuidar de um lugar tão belo. Então comecei a me dedicar, pesquisar, saber quais espécies gostam de sombra, de sol, local em que se adaptam melhor.

Como é realizado o trabalho da equipe?

Primeiro, gostaria de agradecer à equipe do Country e nossos amigos jardineiros. Somos sete funcionários cuidando do jardim, podamos árvores, cortamos as que estão mortas ou ameaçam cair e atingir os visitantes, os troncos cortados são reaproveitados para decoração e apoio de outras plantas, não jogamos nada fora aqui. Remanejamos plantas para ambientes em que se adaptem melhor, colhemos as plantas e flores que caem, limpamos, criamos adubo com reaproveitamento também, a partir de cortes de gramas, folhas secas, serragem, terra fértil e esterco. Plantamos e ficamos atentos às emergências climáticas.

Quais plantas você mais gosta desse jardim?

Gosto das flores do beijo, porque floresce bastante, com muitas cores vivas e o público gosta de tirar fotos perto delas, sempre tem alguém pedindo mudas. Tem as bromélias também, que são muito bonitas, as palmeiras e árvores antigas, desde a época do Barão, como o papiro.

O que mais gosta na profissão?

Gosto mesmo de criar, de enfeitar os espaços, ver o resultado. Tem que gostar muito e ter paciência, eu sou um pouco exagerado, se tiver que ajoelhar no chão para cuidar de uma planta, eu ajoelho. É prazeroso quando recebemos um elogio ou reconhecimento de alguém pelo nosso trabalho, pedidos de fotos com as plantas

Em todo esse tempo de trabalho, qual o maior ensinamento que teve trabalhando com plantas?

Quando fui informado que iria fazer essa entrevista, ao chegar em casa, eu lembrei que ouvi de uma funcionária, que trabalha aqui comigo, que jardim é uma coisa de Deus, porque você cuida de uma das mais belas criações da Terra. E pensei que ter uma casa decorada por uma planta, ter um jardim faz a gente se sentir bem. As pessoas precisam ter prazer e felicidade com coisas simples.

 

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