Ivan Lins abre Natal do Sesc em Friburgo com show no Municipal

Cantor e compositor fala sobre a sua carreira em entrevista exclusiva para A VOZ DA SERRA
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
por Lyvia Stael (lyvia@avozdaserra.com.br)

Um dos compositores brasileiros mais gravados no Brasil e no exterior, conhecido por suas harmonias diferenciadas e por seus arranjos, ao mesmo tempo refinados e populares, Ivan Lins apresentou um show com grandes sucessos de sua carreira, promovido pelo Sesc, na última sexta-feira, 13, no Teatro Municipal Laercio Ventura, em Nova Friburgo, e concedeu entrevista exclusiva para A VOZ DA SERRA.
Acompanhado dos músicos Nema Antunes, no contrabaixo, e Teo Lima, na bateria; o público pode relembrar sucessos como “Madalena”, “Abre alas”, “Somos todos iguais essa noite”, “Começar de novo”, “Dinorah, Dinorah”, “Bandeira do Divino”, “Bilhete”, “Desesperar, jamais”, “Vitoriosa”, “Vieste”, entre outras canções.
Com várias indicações, foi vencedor de quatro prêmios Grammy por seu trabalho e outras três em que participou de álbuns vencedores. Além de ter suas melodias como base para grandes letristas e poetas brasileiros, suas composições e temas musicais estão presentes em diversas trilhas do cinema e da TV. Nos anos 80 seu trabalho repercutiu internacionalmente, principalmente nos EUA onde foi e é gravado por grandes artistas.
O compositor recebeu a equipe de A VOZ DA SERRA antes da apresentação e falou sobre a comemoração dos 50 anos de carreira, 75 de idade e 55 de música no próximo ano; do carinho com a região serrana do Rio de Janeiro, sobre as “clínicas” de música que tem participado e conselhos para os jovens músicos.


Região Serrana

“Realizei shows muito bonitos em Nova Friburgo, tenho casa em Teresópolis, houve uma época em que eu vinha bastante. Além disso, tenho um primo que mora na cidade e meu filho se formou em odontologia aqui. Eu vinha algumas vezes para me encontrar com ele. É uma cidade linda. Gosto muito da culinária friburguense, com influências das colonizações  suíça e alemã”.
50 anos de carreira, 75 de idade e 55 de música
Ivan Lins planeja comemorar as datas com shows especiais em 2020. “Quero presentear o meu público, porque gosto muito de cantar os meus sucessos com a participação dele. Meus shows sempre foram assim, faço questão dessa participação, até mesmo no Japão, em outra língua. Para a comemoração, além das músicas conhecidas, irei relançar algumas. Neste show em Friburgo escolhi uma canção de 1974, que é um alerta sobre a violência contra a mulher. É um canto de libertação e termina assim: as pessoas tem que gostar de mim como sou e, não, como você quer que eu seja”.

Música e cidadania

“A música tem a função de libertar, é uma pena que os políticos não pensem desta forma, porque a música salva, cura. A música e o esporte auxiliam na inclusão social, na cidadania, mas, os poucos projetos que existem partem da iniciativa privada, um trabalho que poderia ser realizado pelo governo”.

Clínicas de música

“Tenho ministrado clínicas, workshops sobre letra e música. É uma conversa com músicos e pesquisadores. Trocamos experiências acerca de melodias, composições, criações e letras. Conto como é meu processo de criação, sobre minhas parcerias. É ótimo, conheço novos músicos e relembro outros tantos”.

Novos músicos

“Sei que o mercado está difícil para quem está começando, mas quem gosta de música e sente que tem musicalidade, não deve desistir, precisa prosseguir, acreditar no seu talento, estudar, evoluir, escutar muita coisa, principalmente o que foi feito em uma época em que a qualidade da música era maior.  Sempre falo nas clínicas que é preciso se associar a grupos, buscar boas parcerias, organizar saraus. Há uma dificuldade dos novos músicos aparecerem na mídia aberta, então as redes sociais tem sido importantes para a apresentação dos trabalhos.”
“Tem um grupo de São Paulo que eu gosto muito, o 5 a Seco, o Dani Black, que é um menino muito talentoso, e as cantoras, como Maria Gadu, Roberta Sá, Maria Rita, Tatiana Parra e Bruna Moraes”.

Referências para quem está começando

“Ouçam Tom Jobim, Milton Nascimento, Dori Caymmi e João Donato – a forma como desenvolveram a musicalidade deles é um exemplo e um presente para os ouvintes. São algumas das grandes referências na música brasileira, entre tantas outras maravilhosas”.
 

 

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