Incerteza no ressarcimento de custo do TFD leva paciente à Justiça

Em dois meses, mulher diagnosticada com câncer gastou mais de R$ 5 mil
sábado, 29 de junho de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
O vereador Wellington Moreira e Fabiana Neto (Foto: Henrique Pinheiro)
O vereador Wellington Moreira e Fabiana Neto (Foto: Henrique Pinheiro)

 

A filha de uma paciente de 62 anos, diagnosticada com câncer retal, cujo tratamento foi realizado via Tratamento Fora de Domicílio (TFD), move uma ação judicial em que cobra da Prefeitura de Nova Friburgo o ressarcimento pelos altos custos no combate à doença. De acordo com Fabiana Neto, foram gastos mais de R$ 5 mil com a recuperação de sua mãe. Esse valor, segundo ela, deveria ser ressarcido pela prefeitura, mas após muitas tentativas, até agora nenhuma resposta de que será atendida.

Fabiana, procurou o vereador Wellington Moreira, presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, após as denúncias feitas à redação de A VOZ DA SERRA sobre a crise na saúde friburguense. De acordo com ela, até o diagnóstico correto foram oito meses de preocupação com a doença se agravando.

“Em julho de 2018 eu procurei um posto de saúde após os primeiros sintomas aparecerem. No atendimento, disseram que era apenas uma virose. Os dias foram passando e vi que a situação era mais grave. Em outubro, ela estava com uma hemorragia e foi internada no Hospital Raul Sertã. Do diagnóstico da virose até a internação foram três meses. Minha mãe ficou por 30 dias e esperando o resultado da biópsia. Descobri que o hospital estava sem patologista há dois meses. O câncer da minha mãe é raro e agressivo. Quando diagnosticado no estágio inicial, as chances são de 95% de cura. Por conta do atraso de oito meses no diagnóstico, esse tumor que estava no estágio 1, passou ao estágio 4, numa escala que vai até 5 e ela não conseguia realizar o tratamento pela via  pública”, contou a filha da paciente. 

A situação ficou tão grave que Fabiana teve de entrar com uma ação judicial para que sua mãe recebesse o tratamento adequado. “Chegou a um ponto que só restaram duas opções: fazer o tratamento ou morrer. Através de uma ação judicial consegui que minha mãe fizesse o tratamento via TFD. Minha mãe fez quimioterapia em Teresópolis e radioterapia em Petrópolis. Foram três meses de tratamento em unidades particulares. Hoje ela está finalizando o tratamento e está praticamente curada”, contou aliviada.

Mais dor de cabeça

Com a situação praticamente resolvida outro problema veio à tona. Ao pedir à Prefeitura de Nova Friburgo o ressarcimento do dinheiro gasto durante o tratamento via TFD, Fabiana não obteve retorno e garantias. “Minha mãe ficou em Petrópolis por dois meses, isso inclui gastos com transporte, alimentação diferenciada por conta da doença, aluguel de um imóvel provisório, gás entre outras despesas que nós precisamos pagar no ato do tratamento. Foram mais de R$ 5 mil gastos durante todo o processo. Por lei, esse tipo de tratamento tem ressarcimento”, explicou.

Sem condições de arcar com os custos, Fabiana procurou ajuda e pegou empréstimos. “Eu não tinha condições de pagar tudo a vista, então fiz uma rifa, pedi emprestado uma parte a amigos e outra peguei com outra pessoa. Tenho que pagar esses empréstimos e com juros altos. Até o momento não tenho certeza se serei ressarcida e se será integral, porque de 15 em 15 dias eu procuro a prefeitura e é um setor repassando a responsabilidade para o outro. O TFD, no Raul Sertã, joga (a responsabilidade) para a Secretaria Municipal de Saúde, que joga para a tesouraria que retorna para a Secretaria de Saúde. Não sei mais a quem a recorrer e por isso eu procurei o vereador ”, disse Fabiana.

A prefeitura afirma que acompanhante e paciente tem direito a, juntos, gastarem R$ 30 por dia com alimentação e exige a comprovação por notas fiscais. Eu fiz uma compra de alimentos em um supermercado que custou R$ 114 e durou mais de uma semana, ou seja, eu economizei para os cofres públicos. Mesmo assim, a prefeitura não aceitou a nota fiscal e me informou que desse gasto total , só R$ 30 serão ressarcidos. Não sou apenas eu que está passando por essa situação de incerteza. Existem muitas pessoas pedindo ressarcimento.”, denunciou.

O que diz a Comissão de Saúde 

“Assim que a Fabiana me procurou, conversei com ela que concordou em expor essa situação pela incerteza de não ser ressarcida pelos gastos que a Secretaria de Saúde deveria arcar. Peço ao prefeito que, caso não esteja sabendo desta situação, agora pela imprensa, ele estará ciente e possa ajudar não só a Fabiana, mas todas as pessoas que estão na fila para receber esse dinheiro porque elas estão devendo e precisam pagar esses empréstimos” pediu.

 

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