História do Dia das Bruxas

Festa pagã foi condenada na Europa durante a Idade Média
sábado, 27 de outubro de 2018
por Jornal A Voz da Serra
História do Dia das Bruxas

A história desta data, com mais de 2500 anos, surgiu entre o povo celta, que acreditava que no último dia do verão - 31 de outubro -, os espíritos saíam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam, nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas, entre outros.

Portanto, era uma festa pagã, condenada na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamada de Dia das Bruxas. Quem comemorasse a data, era perseguido e condenado pela Inquisição à fogueira. Para diminuir as influências pagãs, a Igreja cristianizou a festa e criou o Dia de Finados: 2 de novembro.

Símbolos e tradições - Por estar relacionada em sua origem à morte, a festa resgata elementos e figuras assustadoras, tendo como símbolos, fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos negros e até personagens como Drácula e Frankenstein. As crianças também participam desta festa. Com a ajuda dos pais, usam fantasias assustadoras e vão de porta em porta na vizinhança, dizendo “doçura ou travessura?”.  Naturalmente, terminam a noite de 31 de outubro com sacos cheios de balas, chocolates e doces.

Halloween no Brasil - No Brasil, a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboraram para a propagação da festa em território nacional, pois valorizam e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.

Críticas - Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci, comemorado também em 31 de outubro. A comemoração da data também recebe fortes críticas dos setores religiosos, principalmente das religiões cristãs. O argumento é que a festa de origem pagã dissemina, principalmente entre crianças e jovens, ideias e imagens que não correspondem aos princípios e valores cristãos. De acordo ainda com estes religiosos, as imagens valorizadas no Halloween são negativas e contrárias à prática do bem.

Curiosidades

Aparentemente, as primeiras celebrações da data no universo cristão tiveram início em 13 de maio de 610 d.C., quando o Papa Bonifácio IV, dedicou o Panteão de Roma, a Maria e todos os mártires. A data foi mudada para 1º de novembro (que era o dia da dedicação da Capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, no Vaticano) pelo Papa Gregório III, no século seguinte, para coincidir com a celebração que já ocorria na Inglaterra. Posteriormente, no século XI, o feriado de Finados foi definido como sendo dia 2 de novembro por monges de Cluny, na França. Embora seja um feriado religioso, na Idade Média, acreditava-se que neste dia, almas do purgatório poderiam aparecer em forma de bruxas, sapos e monstros.

Sobre a origem da palavra Halloween, uma das hipóteses é que veio da contração da frase “All Hallows’ Eve”, que significa Véspera (do Dia) de Todos os Santos, ou seja, uma referência à data do dia 31 de outubro, quando é celebrado o Halloween até os dias de hoje.

Abóboras: Como alguns segmentos religiosos pregam o não-consumo de carne nesta data, as pessoas tendiam a optar por alimentos de origem vegetal. Uma vez que a data é no final de outubro, época das colheitas no hemisfério norte, muitas pessoas optavam por preparar alimentos com abóboras e maçãs, que eram colhidos na época. Para se ter uma ideia, na Irlanda e Escócia, o nabo era tradicionalmente esculpido durante o Halloween. Foram imigrantes da América do Norte que utilizaram abóboras, a partir de 1837, que se tornaram um símbolo do Halloween depois da metade do século XIX.

Gostosuras ou Travessuras: Também na Idade Média, era costume as crianças passarem pela vizinhança fazendo orações pelos familiares falecidos de cada casa. Em troca, recebiam um bolo, chamado de “Bolo das Almas”. Provavelmente, esta tradição acabou mudando um pouco entre os séculos XVI e XVII, devido à Reforma Protestante e consequente perseguição dos católicos, que eram impedidos inclusive de realizar qualquer tipo de celebração religiosa.

 

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