A história de Alex Davis: um dos precursores da luta em Friburgo

Americano, como é conhecido, hoje gerencia cerca 50 atletas de alto nível do MMA
sábado, 01 de setembro de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Alex Davis treinando um atleta
Alex Davis treinando um atleta

 

O pontapé inicial que originou uma tradição friburguense de revelar grandes lutadores foi dado há muito tempo. E um dos precursores e responsáveis por colocar Nova Friburgo no foco das lentes e olhares dos maiores palcos de lutas nasceu na terrinha.

Alex Davis é um multicampeão  de judô e jiu jitsu e uma referência no mundo da luta. Mundo mesmo. Hoje manager de atletas de ponta do UFC, o Americano, como é conhecido na cidade, integra uma das principais equipes de luta do mundo, a American Top Team, que também tem outro friburguense, recém-contratado: Anderson França.

“Eu nasci em Friburgo, mas com 3 anos fui morar nos Estados Unidos. Quando voltei ao Brasil, alguns anos depois, eu não falava mais português e meus colegas na época de colégio me chamavam de Americano por conta disso”, conta Alex.

Para chegar ao este patamar e ser uma das grandes referências para os melhores lutadores de MMA do mundo, Alex suou muito. O início em Friburgo foi complicado e, por essas complicações, o judô surgiu na vida de Alex como uma tentativa de se integrar na cidade.

“Justamente por não entender bem o idioma, acabei arrumando muita briga. Estudei no antigo Cêfel e meus colegas ficavam me sacaneando. Eu não tinha como entender, mas sabia que eles estavam me zoando e aí era confusão na certa. Meu pai de tanto ir ao colégio para me tirar das brigas acabou me matriculando na academia Sol Nascente, localizada perto do colégio Nossa Senhora das Dores, do mestre Takahashi Yamagushi, responsável por trazer o judô para a região”, explica.

Matriculado na academia do Mestre Yamagushi, Americano foi se encaixando e viu no esporte um casamento perfeito para o sucesso que estaria por vir.

“A partir daí eu me encontrei. Fui muito bem sucedido. Fui campeão regional, estadual, nacional. Competi bastante por Friburgo e pelo Estado do Rio. Por pouco eu não consegui uma vaga nas olimpíadas de 84. Eu cheguei a competir por um tempo no motocross, onde tem muita gente que me conhece como Americano também. Depois disso voltei para a luta. Fui campeão carioca e me mudei para os EUA novamente, onde conheci e fiquei amigo do Marco Ruas, segundo brasileiro a ganhar o UFC”, listou Alex.

American Top Team e a descoberta de novos talentos

A trajetória vitoriosa não parou por aí. De volta aos EUA, vieram novas conquistas e desafios. Do ingresso em uma das principais equipes de lutar do mundo a gerenciar carreira de grandes mitos do MMA, Alex é uma espécie de mentor dos maiores ídolos do UFC.

“Nos EUA eu fui multicampeão, lutando judô. Pouco depois eu conheci o Minotauro, integrei a equipe dele e estava lá nas primeiras lutas que ele fez no UFC. Nesse meio tempo eu não parei de lutar e consegui ser campeão de jiu jitsu. Isso chamou a atenção do dono de uma equipe de luta que me pediu para ensinar judô. Mais tarde, essa equipe, somada às forças do Marco Ruas e o Marcelo Silveira, veio ser a American Top Team (ATT). Eu fui o primeiro manager da ATT e estou até hoje”.

Mantendo tudo em família, a luta está mesmo no sangue. Tanto que sua filha é casada com Anderson França, técnico e responsável por revelar Edson Barboza, Marlon Moraes e outros nomes das artes marciais de Friburgo e região.

“Foi a época em que conheci o Marlinho (Marlon Moraes) e o Juninho (Edson Barboza Jr.) e trouxemos ele para o MMA. Atualmente eu cuido da carreira do Juninho. Muitos atletas já passaram por mim. O primeiro foi o Minotauro, mas tive e tenho outros grandes nomes como Pezão, Touquinho, Jhon Linecker, Cara de Sapato, Thiago Marreta, entre outros. São cerca de 50 atletas sobre o meu gerenciamento. Eu devo ser o maior manager do Brasil nos EUA, e tudo começou aí em Friburgo”.

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