Gargalo do desenvolvimento

sexta-feira, 07 de outubro de 2016
por Jornal A Voz da Serra

DENTRE OS desafios do prefeito eleito Renato Bravo, um deles tem inquestionável preponderância para o bem-estar da população, hoje e no futuro: a educação. Com a responsabilidade de gerir o ensino fundamental no município, caberá a ele adotar medidas de fortalecimento desse período escolar indispensável para o desenvolvimento das crianças e jovens, já que é nessa fase que elas adquirem o domínio da escrita, da leitura, e do cálculo, conhecimento indispensável para a vida em nossa sociedade.

COM UMA formação adequada, dedicada e colaborativa, o aprendizado ganhará força e consistência para que não tenhamos um quadro de cidadãos sem condições de enfrentar os desafios da vida, principalmente, preparando nossas crianças para o ensino médio e o superior. Este deverá ser o compromisso do futuro gestor.

       A DIVULGAÇÃO do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2015 evidenciou a urgência da adoção de mudanças, e levou o governo a optar por Medida Provisória elaborada pelo Ministério da Educação, uma vez que os projetos formulados neste sentido vêm sendo sistematicamente engavetados pelo Congresso. Medidas provisórias sempre deixam um sabor de autoritarismo, mas, pelo menos, o assunto salta para a condição de pauta nacional, e o atual debate, descontados os ranços ideológicos, certamente contribuirá para o aperfeiçoamento das alterações propostas.

TODAS AS avaliações conhecidas vêm demonstrando, há anos, que a reforma tornou-se inadiável. A verdade é que o ensino médio brasileiro está muito abaixo da média dos países desenvolvidos e mesmo daquela estipulada pelas autoridades educacionais para proporcionar o mínimo de qualidade aos estudantes.

COM ALTAS taxas de evasão e reprovação na rede pública, não prepara adequadamente os jovens para o ensino superior nem para o exercício de atividades profissionais. Transformou-se, por suas falhas, pela pouca atratividade para os estudantes e pelo currículo ultrapassado, no grande gargalo da educação nacional. É hora de mudar.

A PROPOSTA apresentada pelo governo, que, evidentemente, poderá ser alterada pelo Congresso, baseia-se em dois eixos básicos — o incentivo à especialização e o ensino integral. O aumento da carga horária, das atuais 800 horas anuais para um mínimo de 1,4 mil horas, tem como premissa um tempo maior de permanência dos alunos na escola, mas só alcançará seu propósito se houver mais investimento e projetos pedagógicos compatíveis com a extensão do período. 

O GOVERNO DEU a largada para uma reforma curricular que tende a dar maior autonomia aos estudantes, abrindo um leque de oportunidades para aqueles que souberem fazer as escolhas certas. As resistências têm que ser encaradas como normais, mas não podem ser obstáculos ao que está sendo proposto. Quem efetivamente quiser contribuir para a qualificação do ensino médio tem que propor saídas para os problemas atuais, a começar com uma melhor qualidade do ensino fundamental. Tarefa para Renato Bravo e sua equipe de governo.

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