Frizão perde amistoso e capitão Cadão por fratura na perna

Grave lesão marca possível ano de despedida do zagueiro dos gramados
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
por Vinicius Gastin
Merica orienta os jogadores durante o tempo técnico: treinador fez testes na equipe
Merica orienta os jogadores durante o tempo técnico: treinador fez testes na equipe

O resultado é o menos importante em jogos amistosos. A derrota por 2 a 0 para o Macaé na tarde do último domingo, 22, no estádio Eduardo Guinle nem de perto é tão impactante quanto a cena envolvendo o zagueiro Cadão. O capitão tricolor levou a pior em uma forte dividida, e após a realização de exames foi constatada uma fratura na perna. 

Desta forma, o técnico Merica ganha um desfalque de peso para o jogo de estreia na Copa do Brasil, contra o Oeste, no dia 15 de fevereiro. Talvez até mesmo para o Campeonato Carioca da Série B. Após mais um jogo-treino, o Friburguense se concentra nos treinamentos, que serão realizados em Nova Friburgo nas próximas semanas.

O jogo

Em mais um teste preparatório para a temporada de 2017, Friburguense e Macaé apresentaram algumas de suas armas. Enquanto o Tricolor da Serra aposta novamente na garotada, a equipe do Norte Fluminense traz nomes mais conhecidos em seu elenco, a exemplo do goleiro Milton Raphael, ex-Botafogo, do zagueiro Aislan, ex-São Paulo e Vasco e do meia Marquinho, que teve breve passagem recente pelo Botafogo. No banco, o experiente técnico Renê Simões. Se alguém esperava um Macaé superior, pelo fato de estar ás vésperas do início do Carioca, acabou surpreendido pelo equilíbrio. Inclusive com o Frizão criando as melhores oportunidades na primeira etapa.

Afonso defendeu com dificuldade apenas uma vez nos 45 minutos iniciais. Os garotos do Friburguense, comandados por Cadão, Sérgio Gomes, Ziquinha e Gleison encaixaram a marcação e deram trabalho com a bola dominada. Lucas Cunha, em dois chutes de longa distância, fez Milton trabalhar. Mas o goleiro do Macaé foi decisivo aos 33 minutos, em bola cabeceada por Bruno na pequena área. Destaque para as boas participações do lateral esquerdo Ricardo e do volante Rafael, revelações do clube que devem ser mais utilizados este ano. O atacante Jarles também foi bastante acionado durante o primeiro tempo.

Mudanças na etapa final

O Macaé voltou mais presente no campo de ataque, e criou oportunidades para finalizar com Marquinho e Zotti. Para o Friburguense faltava o capricho no último passe. Renê Simões mexeu primeiro, promovendo as entradas dos atacantes Yago, ex-Vasco, e Charles Chad, conhecido do torcedor carioca pelas passagens em diversos clubes de menor investimento do estado. Já Merica apostou em Jefferson, Fabiano e Roberto Júnior, nas vagas de Lucas Cunha, Ziquinha e Cadão, que deixou o campo lesionado de maneira preocupante. O capitão tricolor se envolveu em uma forte dividida, e foi substituído imediatamente. 

O jogo se manteve equilibrado, mas a partir de um erro de passe de Roberto Júnior o Macaé encaixou o contra golpe e, depois de boa trama, Yuri abriu o marcador aos 32 minutos. João Victor, Rodrigo e Matheus também foram a campo. Já com o time bastante modificado, o Friburguense sofreu o segundo gol aos 36 minutos, marcado por Xavier após belo domínio, giro e finalização precisa.

Sem Bidu, ainda apurando a forma física, Jefinho e Wender, o Friburguense foi a campo com Afonso, Sérgio Gomes, Cadão, Bruno e Ricardo; Rafael, Lucas Toledo, Lucas Cunha e Gleison; Ziquinha e Jarles.

O drama do capitão

Cadão sempre foi daqueles que materializam o sentido da frase clichê “dar a vida em campo”. Jogador do Friburguense desde 1999 viveu as mais diversas situações vestindo a camisa tricolor, passando pela conquista de títulos, rebaixamentos, acessos. Alegrias e decepções. Em quase todas ele foi porta-voz do elenco, para transmitir satisfação ou enfrentar questionamentos. Mensageiro da vitória ou escudo nas derrotas. Capitão sempre. Talvez o momento mais difícil ele tenha vivido no amistoso deste último domingo, 22. Cadão “deu a vida em campo”, e com a habitual disposição e entrega, deixou uma parte de seu suor em campo.

Por volta dos 20 minutos do segundo tempo, o capitão se envolveu em uma forte dividida, à direita da grande área de Afonso. O barulho produzido naquele lance apenas reforçava o semblante de dor do zagueiro. Em campo, os jogadores também acompanhavam o atendimento com preocupação. Não dava mais para o zagueiro, e Roberto Júnior, provavelmente novo titular da posição, foi a campo.

Com dificuldades e ajuda de profissionais, Cadão tirou a chuteira e o meião. Mas não conseguiu realizar os movimentos de forma normal. A desconfiança de que o pior poderia ter acontecido começava a se confirmar ali. Encaminhado para o hospital, o zagueiro de 45 anos recebeu uma das piores notícias da carreira. A suspeita de fratura na perna estava confirmada. 

“Hoje é um dia de tristeza para o futebol. Cadão fraturou a perna num jogo-treino contra o Macaé. Ele é um exemplo de atleta e, principalmente, de ser humano. Força, amigo. A família Friburguense está com você”, lamentou o técnico Merica, através de seu perfil em uma rede social.

Quis o destino que o capitão, exemplo de dedicação e vitalidade, atrasasse o início daquela que pode ser a sua última temporada como jogador profissional. O Tricolor fica sem seu principal líder dentro de campo, referência técnica e de conduta para os mais jovens. Fora de campo o seu exemplo ainda há de imperar. Perde o Friburguense, muito mais do que apenas um jogo amistoso. Resta ao torcedor agradecer a Cadão pela oportunidade de acompanhar a trajetória de maior fidelidade e amor ao clube em todos os tempos. Uma boa recuperação ao capitão.

 

 

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