Friburguenses viajam a Tóquio para correr em uma das maiores maratonas do mundo

Prova, que faz parte das chamadas Marathon Majors, acontece no dia 26 deste mês
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
por Karine Knust
(Fotos: Acervo Pessoal)
(Fotos: Acervo Pessoal)

Dezoito mil quilômetros de distância. Vinte e cinco horas de voo.  Temperatura variando entre 3 e 11 graus. A língua? Japonês. Imagine sair do conforto do seu lar, pegar a estrada, embarcar em um avião, fazer uma conexão no meio do mundo, embarcar em outro avião, chegar ao destino, calçar o tênis e... correr. Correr mesmo. Maratona. Outra, né? Porque a primeira, sem dúvida, é chegar lá, do outro lado da Terra, onde o sol nasce primeiro.

Esta é a missão de Tássia Sampaio e Nelson Vasconcelos nos próximos dias. Os friburguenses embarcam para o Japão com um único objetivo: participar de uma das maiores corridas do mundo: a Maratona de Tóquio. Quem vê até pensa que os dois são corredores profissionais, mas está redondamente enganado. Enquanto Tássia, 30 anos, se divide entre atender pacientes em seu consultório dentário e se dedicar a corrida, Nelson, de 55, também procura administrar o tempo para se empenhar como analista judiciário e, claro, na prática de esportes.

Tássia começou a correr com a intenção de eliminar os quilos indesejados, mas foi só pegar o gostinho pelo esporte que a modalidade virou paixão e as corridas esporádicas pela calçadas se transformou em rotina séria. A dentista já participou de diversas competições na região, fora do estado e até do país, na Argentina e no Chile. Participando cada vez mais de corridas, Tássia fez inúmeras amizades e, com isso, acabou descobrindo a existência das famosas “Marathon Majors” - as seis maiores maratonas do mundo, que acontecem em Tóquio, Londres, Boston, Berlim, Chicago e Nova York.

“Eu ouvi falar dessa maratona através do Nelson, que, na época, já tinha participado da maratona de Nova York e Berlim. Achei aquilo o máximo e fui me informar. Quando li sobre as Marathon Majors coloquei na minha cabeça que iria fazer todas, independentemente dos anos que vou levar pra completar as seis, mas quando eu vi que Tóquio estava entre as seis, e seria a primeira do ano, fiquei até desanimada achando que jamais iria participar, por ser muito longe e a mais cara. ”, afirma Tássia.

Mas, como boa brasileira que é, o desânimo não foi capaz de abatê-la e ela não desistiu: “O problema é que eu sonho grande! Fiquei pensando sobre essa corrida por um bom tempo e ‘conversando’ com Deus para que tudo desse certo se fosse a vontade dele. Por curiosidade, liguei para uma agência que faz esse tipo de serviço, e a moça disse que não tinham mais vagas, na primeira semana já tinham acabado as inscrições. Mas Deus abriu as portas e depois de uma semana ela me ligou e eu consegui fazer a inscrição e, agora, estou indo pra lá, realizar esse grande sonho. E, detalhe, com o amigo que me apresentou as majors, o Nelson!”, conta a dentista.

Diferente de Tássia, Nelson pegou gosto pelo esporte quando serviu o exército. Nos últimos anos, ele começou a também praticar Triathlon e já participou de diversas competições de corrida, inclusive, internacionais. Dentre elas, é claro, as maratonas de Chicago, Nova York e Berlim, que fazem parte do top 6.

“Até agora, a maratona de Nova York, em 2014, foi a mais dura. Enfrentei sensação térmica de zero grau, ventos de 80 quilômetros, risco de cancelamento da prova, intermináveis pontes e subidas. Em Berlim, 2015, fiz meu melhor tempo, 3 horas e 29 minutos, pois dentre as consideradas grandes maratonas, esta é a mais rápida, totalmente plana e onde são quebrados os recordes mundiais desta modalidade. Já na maratona de Chicago, em 2016, fiz meu segundo melhor tempo em maratonas, apesar de algumas subidas e do vento contra, muito comum naquela cidade”, conta Nelson.

Condicionamento físico

Para se preparar para uma competição como essa, é preciso manter uma rotina de exercícios físicos bem específicos. Como Tássia e Nelson lidam com o esporte como um hobby, ainda é preciso conciliar os treinos com a rotina de trabalho.

“Minha rotina é uma loucura! Acordo muito cedo, corro, malho, trabalho até tarde, à noite tenho sempre algum compromisso. Treinar para maratona não é uma missão muito fácil. Exige musculação, dieta, fisioterapia, cumprir planilhas de treinamento de corrida, técnicas, abdicar de alguns eventos no sábado à noite, porque no domingo tenho que acordar de madrugada pra fazer o longão (corrida longa), e ainda conciliar com o trabalho. São três meses de preparação para a maratona. No primeiro mês não tive tantos treinos longos, já no segundo começou a ficar mais puxado e no terceiro a gente não vê a hora de chegar a maratona”, conta Tássia.

“Para Tóquio mantive a preparação para as provas de triathlon, mas com ênfase nas corridas longas semanais. Realizei treinamento de base, com tiros na pista de atletismo, buscando ritmo e velocidade e em subidas para fortalecer a musculatura das pernas, para chegar bem na Maratona. Este ano, houve uma mudança no percurso em Tóquio, e a expectativa é que isso torne a prova mais rápida, inclusive com quebra de recordes. Espero conseguir quebrar a minha marca pessoal e me sinto preparado para isso. Chegando na cidade, alguns dias antes da prova, a gente também espera conseguir diminuir os efeitos causados pelo fuso horário, o chamado jet lag”, acrescenta Nelson.

Os friburguenses embarcam rumo à terra do sol nascente neste sábado, 18, param em uma conexão em Amsterdã e chegam a Tóquio na quarta-feira, 22. A maratona acontece no dia 26 de fevereiro. Sobre a comunicação com os japoneses lá no outro lado do mundo, Tássia garante aos risos: “Vamos nos comunicar por mímicas”.

World Marathon Majors

A World Marathon Majors é uma competição em formato de campeonato para maratonistas, iniciada em 2006. Os atletas que competem nestas maratonas recebem pontos por terminarem em qualquer um dos cinco primeiros lugares. Os cinco primeiros atletas colocados pontuam em cada prova.

Nos últimos anos, o Quênia tem dominado no masculino. Entre 2007 e 2015 o país teve oito vencedores. No feminino, o domínio também é africano. São cinco vitórias do Quênia, uma da Etiópia e três da Alemanha.

As provas acontecem em quatro países diferentes ao longo do ano. Começa em fevereiro, em Tóquio, no Japão. O percurso, de 42,195km, conta com a participação de 36 mil corredores. Em abril, os participantes da WMM vão para os Estados Unidos, na famosa Maratona de Boston. A prova já teve 119 edições e mais de 30 mil pessoas participam por ano. É considerada uma das mais difíceis do mundo.

Ainda no mês de abril, é realizada a Maratona de Londres, na Inglaterra. São cerca de 35 mil pessoas por edição. Já em Berlim, na Alemanha, a competição acontece em setembro, com 40 mil corredores. Um mês depois, em outubro, é a vez de voltar aos Estados Unidos para a Maratona de Chicago. São 37 mil participantes em média. Nova York é a cidade que finaliza o campeonato. Nessa prova existe o maior número de inscritos de todas as majors, são cinquenta mil atletas participantes.

O prêmio para o vencedor da World Marathon Majors é de U$ 500 mil. Mas, o maior sonho de muitos corredores amadores é a Six Star Finisher Medal, a medalha que representa as seis maratonas e que só é dada àqueles que participam de todas elas. Para Nelson, por exemplo, depois de Tóquio, vão faltar apenas a de Boston e de Londres para conquistar a medalha.

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