Friburgo sedia encontro de capoeira Nativos da Serra

Grupo do Mestre Caroço é quem organiza o evento deste fim de semana, aberto ao público
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
por Vinicius Gastin
O Nativos da Serra
O Nativos da Serra

A arte de jogar capoeira envolve muito mais do que apenas praticar uma atividade física. A modalidade é esporte, obviamente, mas também cultura, música e história.  O 18º Encontro de Capoeira Nativos da Serra vai reunir todos esses ingredientes e mais centenas de praticantes e amantes, a partir desta sexta-feira, 29, com atividades que prosseguem até domingo, 1º de dezembro.

Neste primeiro dia de evento, a programação acontece na Sociedade Esportiva Friburguense (SEF), a partir das 19h, com uma Roda de Abertura para recepcionar os convidados. Há capoeiristas do Rio de Janeiro, municípios vizinhos e também de outros estados confirmados no Encontro. No sábado, 30, logo pela manhã, acontece uma oficina comandada pelo Mestre Preguinho, de Cantagalo. À noite é realizada a Noite de Cantigas, sob comando dos instrutores Seu Madruga e Cobrinha, para valorizar e incentivar a musicalidade dentro da Capoeira.

“Os alunos vão ao evento simplesmente para cantar. Se quiserem, podem também tocar algum instrumento. Foi uma forma que a gente encontrou para fazer com que o aluno tenha mais gosto pela musicalidade. A alma da capoeira é a música. Depois tem a parte das premiações”, explica o Mestre Caroço, fundador e responsável pela Associação Nativos da Serra.

O ápice do evento, entretanto, está programado para o domingo, 1º, a partir das 9h30, nas dependências do Colégio Estadual Professor Jamil El-Jaick, no Centro. O tradicional batizado envolve formatura e troca de graduação, para os mais novos e também para os adultos, apresentações artísticas, dentre outras atividades. De acordo com Caroço, são aguardados mais de 20 Mestres de Capoeira, e um total de 300 a 400 pessoas.

“O evento é aberto a toda a comunidade, a quem quiser participar. Agradeço aos patrocínios da Papelaria Tanajura, Escola Parque Folly e Costela e Picanha do Cônego, além dos apoios da Hela Fechaduras, Tatoosan, Cia. do Aparelho, Fominhas’s Delivery, Mania de Casa, Cêfel IGP, Ariteka, DJ Victor, Academia Brasil e Odonto Med.”

A Nativos da Serra

A Associação de Capoeira Nativos da Serra atua em Nova Friburgo há 18 anos. A ideia partiu do Mestre Caroço, fundador e responsável pelo grupo, juntamente com alunos que já o acompanhavam. Desta forma teve início a história da primeira Associação de Capoeira registrada em Nova Friburgo. “Resolvemos fundar uma associação genuinamente friburguense. Até então, eu pertencia a uma equipe de Niterói, a Barravento, onde treinei durante bastante tempo, até me formar Mestre de Capoeira”, conta.

A graduação de mestre é a máxima da capoeira, mas dentro dela, de acordo com a Federação que o friburguense segue, existem quatro graus. A evolução dentro desta escala acontece a cada dez anos, e Caroço deve alcançar o último grau em 2026. “O que faz a gente atingir esse estágio é realmente o tempo na Capoeira. Não tem um tempo determinado, mas sim, a exigência de muita dedicação, o que você realiza pela capoeira. A gente realizas provas escritas e práticas todos os anos, e depois que a dificuldade aumenta, esse tempo também é ampliado”, explica.

O grupo Nativos da Serra treina todas as terças e quintas-feiras, das 19h30 às 21h30, na Sociedade Esportiva Friburguense (SEF).

Projetos sociais

Além das atividades propriamente ditas, o Grupo Nativos da Serra também possui algumas ramificações, através de projetos sociais coordenador por alunos de Mestre Caroço, responsável pela supervisão desses trabalhos, que são abertos a comunidade e podem ser procurados nos horários das respectivas aulas. 

Uma dessas alunas responsáveis pelas atividades para crianças e jovens é Fabiana, a Cobrinha. Natural do Rio Grande do Norte, ela está em Nova Friburgo há dez anos. Desde que chegou à cidade, buscou o contato com a Capoeira e logo encontrou a Nativos da Serra. Embora a modalidade seja uma paixão, conta que era difícil praticá-la no nordeste. 

“No interior não era permitido que as mulheres praticassem a capoeira. O preconceito era muito grande, como ainda é também, mas hoje em dia já existe uma liberdade maior. Tive uma dificuldade, mas depois da faculdade, consegui praticar mais.”

Cobrinha é responsável pelo projeto social desenvolvido aos sábados no Colégio Estadual Professor Jamil El-Jaick, a partir das 10h, para crianças a partir dos três anos de idade. “Desde que eu peguei a graduação de monitora eu já queria dar aula de capoeira. Sempre quis passar conhecimentos para as pessoas, de tão emocionante e gostoso que é a energia da capoeira. Comecei a trabalhar o Jamil, e surgiu essa possibilidade”, conta. 

Outro trabalho desenvolvido pelo grupo é coordenado por Roan, o Lagarta. Ele trabalha com crianças e jovens na Paróquia Imaculada Conceição, sempre às terças e quintas-feiras, das 18h às 19h. Friburguense, começou a praticar a capoeira com 12 anos de idade, parou por um tempo e retornou em 2015. Já no ano seguinte ficou responsável por tocar o projeto “De semente a berimbau”, voltado para crianças com seis a 16 anos de idade.

“Na verdade eu não comecei, e sim, dei continuidade ao projeto, o mesmo em que o Mestre Caroço começou. E foi lá também que eu iniciei os meus treinos. É um projeto inteiramente gratuito, e aberto a toda a continuidade. Exigimos apenas que a criança esteja matriculada na escola, com notas boas e bom comportamento”, explica.

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