Friburgo registra recorde de 530 focos de incêndios florestais este ano

Comandante bombeiro acredita em causa humana: “Às vezes a pessoa acha que colocar fogo em lixo não vai gerar problema, mas um vento pode levar uma faísca, levando a proporções absurdas"
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Incêndios nas montanhas vistos do alto do Bairro Suíço (Foto da leitora Lia Rodrigues)
Incêndios nas montanhas vistos do alto do Bairro Suíço (Foto da leitora Lia Rodrigues)

O último final de semana foi marcado por diversas ocorrências de incêndios florestais. As chamas nas matas não deram trégua às equipes do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros, comandada pelo tenente-coronel Thiago Nunes Alecrim.

As chamas eram vistas de diferentes pontos da cidade. O cheiro de fumaça esteve presente durante boa parte do sábado e domingo. Muitas casas ficaram sujas por conta das cinzas levadas pelo vento. O céu azul ficou enevoado por conta da fumaça. O distrito de Amparo e os bairros Cascatinha e Vilage foram os mais atingidos. Ao todo, o fogo destruiu 200 mil mestros quadrados de vegetação.

O clima não ajudou muito. Havia a expectativa, por conta da previsão do tempo, da chegada de uma frente fria e com ela a chuva para ajudar no combate às chamas. A frente fria não veio e a chuva deu lugar ao sol intenso.

Uma aeronave do Corpo de Bombeiros fez um monitoramento onde havia focos de incêndio, na manhã desta segunda-feira, 16. Por três vezes os bombeiros foram até o bairro Vilage, para tentar apagar as chamas no morro existente no bairro.

Segundo informações do 6º GBM, 20 militares atuam no combate ao fogo. Em 2019, de janeiro até agosto foram registrados 530 focos de incêndio. É o maior registro da história, desde que a região passou a ser monitorada em 2014.

De acordo com o comandante do 6º GBM, tenente-coronel Thiago Nunes Alecrim, não há dúvidas de que as causas dos incêndios sejam ações humanas. “Às vezes a pessoa acha que colocar fogo em lixo não vai gerar problema, mas um vento pode levar uma faísca, levando a proporções absurdas. Estamos na pior época do ano, com pouca chuva e baixa umidade do ar. Além de atacar a natureza, pessoas que tem problemas respiratórios e alergias”, afirmou.

 Ele disse ainda que  dispôe de quatro equipes, que são deslocadas de acordo com o tipo de situação. "Quando não tenho mais efetivo, recebo apoio de unidades próximas”, disse o comandante.

Conforme a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), os culpados por esse tipo de crime podem ser multados ou presos. O grande problema, entretanto, é que praticamente não há investigação em relação a esses crimes. Além disso, até os próprios afetados – no caso, os vizinhos – não costumam denunciar os infratores.  

 

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