Friburgo pode ter estacionamento rotativo pago ainda este ano

Projeto que divide opiniões pretende dar maior mobilidade ao trânsito
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Carros estacionados ao longo da Rua General Osório (Arquivo AVS)
Carros estacionados ao longo da Rua General Osório (Arquivo AVS)

A proposta de estacionamento rotativo pago está de volta à pauta e pode ser implementado em até 40 dias, nas ruas de Nova Friburgo. De acordo com a prefeitura, o projeto prevê que as vagas no Centro da cidade, até o momento gratuitas, passem a ser taxadas por um valor de acordo com o tempo em que o motorista deixar o carro parado na vaga. Existe a expectativa de que uma empresa terceirizada assuma a responsabilidade pelo projeto.

No final do ano passado, o prefeito Renato Bravo tentou aprovar uma emenda à Lei Orgânica para liberar a terceirização do projeto. Sem sucesso na época, a emenda teve que ser readequada ao texto da nova Lei Orgânica Municipal, aprovada no final do mês passado. Um novo edital para a implantação do sistema pode sair até o fim de setembro.

A implantação do projeto divide opiniões dos friburguenses. Débson Coelho, por exemplo, acha a medida válida, desde que o valor cobrado seja justo e haja fiscalização. “Achar uma vaga disponível é muito complicado, principalmente no Centro. São inúmeros estacionamentos privados espalhados por aqui, mas que cobram um valor muito caro. Por isso encontramos carros parados em filas duplas e estacionados em local proibido, que dificultam a mobilidade do trânsito. Se com essa medida tivermos uma rotatividade maior, mais vagas sendo criadas e mais espaços para estacionar e consequentemente menos carros atrapalhando o fluxo, acho válida essa cobrança, desde que seja a um preço justo. Afinal a rua é um espaço público”, analisa Débson.

Contrária ao projeto, Carolina Duarte desconfia do destino do dinheiro arrecadado e lembra que a rua, por ser espaço público, não deveria ter uma cobrança para estacionar nos locais permitidos. “Eu não concordo. Não entendo por que cobrar uma taxa para utilizar um espaço público destinado para vagas de carro. Isso só serve pra arrancar dinheiro da gente. Pra onde vai essa verba? A gente já paga muito imposto pra ter que pagar mais um”.

Na Câmara Municipal, alguns vereadores também manifestaram suas opiniões quanto ao projeto. O vereador Carlinhos do Kiko (PSDC), por exemplo, só irá se manifestar mediante apresentação do projeto. Ele quer saber para onde será destinado o dinheiro do rotativo.

Cascão do Povo (PDT) apoia, sem terceirização: “Se a única maneira de organizar o trânsito de Nova Friburgo for mesmo através do estacionamento rotativo pago, eu não sou contra essa implantação. Minha única ressalva é em relação ao controle desse serviço. Um estacionamento rotativo pode explorar cerca de três mil vagas em nosso município. Imagina só o montante financeiro arrecadado? Eu sou contra a terceirização desse estacionamento. O ideal é que o Poder Executivo administre o serviço. Essa foi até uma sugestão que fiz através de uma indicação legislativa, pela qual uma parcela desse valor gerado poderia muito bem ser destinada à Saúde, que precisa muito de recursos e está extremamente carente em nossa cidade. O restante seria para a manutenção do sistema, que por si só já é muito lucrativo e auto-suficiente. Não faz sentido essa verba ir para as mãos de uma empresa, quando pode ficar no município e trazer melhorias para a população”.

Naim Pedro (DEM) também apoia: “Tendo em vista que as vagas estão tomadas por comerciantes, principalmente vendedores de carros, sendo muitas vezes pessoas físicas que ocupam as vagas durante todo o dia e impedem que haja rotatividade e até prejudicam o comércio local, nós somos favoráveis à implementação do projeto, que inclusive está previsto na Lei Orgânica. Claro que vamos cobrar para que o rotativo tenha valor acessível a todos e que a sua arrecadação seja convertida em benefícios para o trânsito de Nova Friburgo”.

Luiz Carlos (PP) também opinou: “Concordo com estacionamento desde que a arrecadação seja em prol do município”.

A prefeitura informou que no momento o projeto está em fase de estudos e não há como afirmar como será feita a fiscalização: se uma empresa terceirizada vai assumir a responsabilidade e qual valor será cobrado. A previsão é de que no início do próximo mês o poder Executivo finalize as pesquisas e chegue a uma conclusão.

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