Fotos revelam estado “insalubre” da enfermaria do Raul Sertã

Membro do Conselho Municipal de Saúde flagrou paredes soltando reboco, rodapés infestados de cupins e piso descolando junto aos leitos
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Paredes soltando reboco na enfermaria do Raul Sertã (Fotos: Edmilson Schneider)
Paredes soltando reboco na enfermaria do Raul Sertã (Fotos: Edmilson Schneider)

Membro do Conselho Municipal de Saúde, Edmilson Schneider ficou perplexo ao passar nesta quarta-feira, 27, pela enfermaria do Hospital Municipal Raul Sertã. Fotos tiradas por ele mostram o estado “insalubre” das instalações, em condições deploráveis para uma unidade de saúde. Próximos aos leitos dos pacientes - entre eles um rapaz que, segundo ele, aguardava procedimento de biópsia em um dos pulmões - havia paredes com infiltrações e descascadas, soltando reboco; rodapés infestados de cupins; piso emborrachado descolando; e mofo no teto.

“Fui visitar um amigo na ortopedia e passei pela enfermaria. As condições são insalubres. Do jeito que está, o hospital promove doença, não saúde”, disse ele, que já encaminhou a denúncia ao Conselho Estadual de Saúde.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Secretaria municipal de Saúde reconheceu que “algumas alas do Raul Sertã estão com a  conservação fora do padrão ideal”. A prefeitura alegou que a estrutura do hospital é muito antiga - completará 100 anos em maio de 2020 - e que, por conta disso, “vem passando por importantes reformas estruturais”. A secretaria também fez questão de enviar fotos  de alguns dos setores que já estão prontos.

A prefeitura destacou ainda que, por se tratar de uma unidade hospitalar “de extrema importância para o município e a região, não é possível paralisá-la por completo para que a reforma aconteça em toda a estrutura de uma só vez. Sendo assim, conforme alguns setores vão sendo reformados, outros têm a reforma iniciada”, diz a nota.

Um hospital mergulhado em obras

O Hospital Raul Sertã passa por várias obras há anos. Conforme A VOZ DA SERRA publicou em junho passado, foi preciso o Ministério Público Estadual entrar na Justiça para a prefeitura apresentar um cronograma e as intervenções avançarem, sob pena de multa  pessoal e diária ao prefeito Renato Bravo e à então secretária de Saúde, Emmanuele Marques.

O inquérito civil que fundamentou a referida ação civil pública teve origem em repetidas denúncias de precariedade na prestação do serviço do hospital, que atende emergências clínicas, pediátricas, cirúrgicas e politraumas. 

As obras de expansão do prédio anexo do Raul Sertã, contratadas por R$ 4 milhões, foram iniciadas em abril deste ano, com previsão de 15 meses. A nova ala abrigará 30 leitos, sendo 20 adultos e dez infantis, do Centro de Terapia Intensiva (CTI) localizado no térreo, além clínicas médicas, a serem instaladas nos dois outros andares. Iniciada em 2012, a obra do anexo fazia parte de um  projeto do governo do estado, mas parou por falta de recursos. 

Além da construção do anexo, o Hospital Raul Sertã também passa por intervenções em seu prédio principal, como a reforma da lavanderia, da cozinha, do refeitório, da ortopedia, da rede de esgoto, do depósito de lixo, dos reservatórios de água e da recepção.

Em junho, a prefeitura entregou a nova recepção do Centro de Tratamento de Urgência (CTU), após cerca de um ano e meio de obras, que custaram R$ 167 mil. O novo espaço tem uma sala de espera pediátrica, uma sala de espera para adultos, uma sala de acolhimento e seis banheiros novos. O hospital também ganhou um letreiro instalado na fachada. 

Apesar das mudanças físicas, o fluxo de atendimento dos pacientes continua o mesmo de antes. O Raul Sertã ainda não conta, por exemplo, com classificação de risco, ferramenta utilizada nos serviços de urgência e emergência para identificar os casos mais graves e prioritários, como acontece na UPA de Conselheiro Paulino. 

 

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