Faol apresenta novos ônibus e propõe debate sobre como reduzir custos

Coletivos vão substituir gradualmente os 27 mais antigos em circulação
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
por Márcio Madeira
A frota nova (Fotos: Márcio Madeira)
A frota nova (Fotos: Márcio Madeira)

A empresa de ônibus Nova Faol, concessionária de transporte coletivo em Nova Friburgo, reuniu em sua sede, na manhã desta quarta-feira, 30, expressiva representação da sociedade friburguense, a fim de expor os 27 novos ônibus que começam a circular hoje, 31, bem como apresentar um seminário a respeito da logística operacional voltado a otimizar o serviço e reduzir custos. Além da imprensa, compareceram à cerimônia o prefeito Renato Bravo e seu vice, Marcelo Braune; os vereadores Luiz Carlos Neves, Vanderleia Lima e Janio Carvalho; o deputado estadual Sérgio Louback, representando o governador Wilson Witzel, bem como secretários municipais, representantes do Judiciário e diversas representações da sociedade civil organizada.

Sobre os ônibus

A direção da empresa informou que nove ônibus curtos seminovos, equipados com ar-condicionado, começaram a operar há cerca de um mês nas linhas que ligam o Centro aos bairros Catarcione, Alto de Olaria e Sítio São Luiz. Além deles, foram adquiridos 27 novos ônibus que a partir de hoje, à razão aproximada de três veículos ao dia, começam a substituir os 27 ônibus mais antigos da frota da empresa.

De acordo com Paulo Valente, diretor da Nova Faol, 20 dos novos ônibus são equipados com ar-condicionado. Os outros sete, sem ar-condicionado, vão operar no terceiro distrito, na região de Salinas, Conquista, São Lourenço e Campo do Coelho. Os outros 20, por sua vez, vão atender a Olaria, Riograndina e Theodoro de Oliveira. A substituição também gerará efeitos sobre outras linhas. Os veículos já equipados com ar-condicionado que atualmente operam nessas linhas serão remanejados para Alto do Floresta, Maria Tereza, Jardim Califórnia “e outras linhas que vinham operando com ônibus mais velhos”.

Quantitativo

O processo de substituição não altera o quantitativo de veículos, que permanece em 140. Questionado se este número seria suficiente, o diretor da Faol respondeu afirmativamente. “É suficiente sim. Estamos totalizando 140 ônibus. Essa é uma tendência moderna. Não adianta a empresa ter 200 ou 300 ônibus para operar as 1800 viagens que ela tem que fazer. Em vez disso, é preciso ter uma logística que permita otimizar ao máximo a utilização desses ônibus, diminuindo, dessa forma, os custos da operação. Porque quanto mais ônibus nós temos, mais pessoas precisamos contratar, e mais pressão haverá sobre a tarifa, para prestar o mesmo serviço. Por isso, procuramos otimizar ao máximo nossa operação, de forma a repassar o menor custo possível a quem utiliza o sistema”, argumentou Paulo Valente.

Subsídio e continuidade

A polêmica em torno do pagamento de subsídio a partir de recursos da Secretaria Municipal de Ordem e Mobilidade Urbana, considerada ilegal pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, não ficou de fora do encontro. A reportagem de A VOZ DA SERRA questionou o diretor da Faol a respeito do que pode acontecer, caso o pagamento venha a ser interrompido, acatando a recomendação do MPRJ.

“A diretoria vai se reunir para ver o que pode ser feito, porque é preciso equilibrar as contas. Sem o subsídio nós teremos um rombo de R$ 300 mil em nossos orçamentos, que estamos usando para pagar as prestações dos ônibus novos. Então talvez seja necessário reduzir a frota, demitir funcionários, buscar formas de cortar custos para que eles possam caber no orçamento que nós temos. Se isso acontecer, certamente haverá alguma perda de qualidade para a operação”, enfatizou Valente. 

Questionado se existe risco da empresa interromper a operação, o diretor foi taxativo. “Não há risco algum, a gente tem o compromisso de continuar operando. A empresa quer continuar suas atividades aqui, quer participar do processo de licitação, mas desde que haja condições efetivas para que possamos trabalhar e oferecer um bom serviço. Porque se for para operar sem condições de renovar a frota ou pagar um bom salário aos funcionários, sem condições de fazer manutenção ou comprar combustível, sendo alvo de críticas, é preciso perguntar se vale a pena continuar. A gente veio aqui para prestar um bom serviço, mas um bom serviço tem um custo, e esse custo é dividido por quem paga. É assim que se determina o valor da tarifa, e eu entendo que a gente precisa buscar junto com o poder público, com o Ministério Público, a Justiça, as entidades governamentais e empresariais o que é possível fazer para que possamos reduzir a tarifa. Essa é a discussão que estamos propondo hoje. Como melhorar a mobilidade, como reduzir o custo, porque quanto mais cara é a tarifa, mais se perdem passageiros, e pior é para a população e para o empresário que paga o vale transporte. Nossa intenção é provocar o debate sobre como é possível reverter isso, para que Nova Friburgo possa ser um exemplo para o resto do país, uma vez que esse é um problema nacional”, concluiu Paulo Valente.

Seminário

A principal apresentação do dia coube a Rodrigo Vieira, consultor com 23 anos de experiência, ex-secretário estadual de transportes e ex-presidente da Suderj, que explicou desafios e necessidades logísticas do transporte coletivo. Em seguida foi a vez Aloísio Alencar, um dos diretores da Faol, que detalhou a realidade local e lembrou investimentos e estudos realizados pela empresa ao longo dos últimos dois anos.  O deputado estadual Sérgio Louback e o prefeito Renato Bravo também discursaram, ao fim do evento. Entre outros temas, o prefeito anunciou a abertura do edital do estacionamento rotativo, afirmou que estão sendo feitos estudos sobre formas de ampliar os subsídios e se disse favorável à criação de uma agência reguladora para as concessões municipais.
 

 

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