Família é resgatada de cachoeira em Lumiar após cabeça d'água

Fenômeno de volume de água aumentar de repente é comum no verão. Saiba como se precaver
terça-feira, 07 de janeiro de 2020
por Jornal A Voz da Serra
Cachoeira da Feiticeira, na Cascatinha (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)
Cachoeira da Feiticeira, na Cascatinha (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)

O resgate de uma família, surpreendida por uma cabeça d'água em uma cachoeira de Lumiar no primeiro fim de semana do ano, acendeu o alerta para este perigo, comum no verão. O fenômeno acontece quando chove forte na cabeceira de um rio, e o volume de água sobe rápido demais para dar tempo de os banhistas escaparem. Muitas vezes a enxurrada vem mesmo com o tempo ensolarado, pois o mau tempo atinge apenas a cabeceira.

O resgate da família foi feito pelo Grupo Lumiar Aventura, que precisou usar uma corda no salvamento. Entre os membros da família resgatada estava uma criança de 9 anos.

Segundo o comandante do 6º Grupamento de Bombeiros Militar de Nova Friburgo, Thiago Nunes Alecrim, no ano passado, enquanto  Debossan registrou 148 milímetros de chuva em uma hora, em Mury o volume foi de apenas 20 milímetros. "Ou seja, no mesmo período tivemos 7,4 vezes o volume d’água na cabeceira do Rio Santo Antônio”, exemplificou.

Como se precaver

Nova Friburgo é famosa pelas cachoeiras e rios com belas paisagens e excelentes opções de lazer. Nesta época do ano muitas famílias visitam as cachoeiras para se refrescar, mas para aproveitá-las de modo adequado, é preciso estar atento não só à beleza do cenário, mas aos riscos que a estação mais quente do ano provoca: as chuvas de verão.

Ao escolher se banhar em um rio ou cachoeira, em primeiro lugar, o visitante deve pesquisar sobre o destino, procurar informações com moradores das redondezas. Assim, descobrirá perigos como pedras escorregadias e profundidade. As condições meteorológicas, a alta umidade e forte calor, por exemplo, costumam anteceder as cabeças d’água.  

Os fenômenos naturais devem ser lembrados sempre, pois são traiçoeiros nos percursos fluviais: eles alteram o fluxo e o volume da água em poucos minutos. Em geral, os fenômenos mais frequentes em cachoeiras e rios são três: trombas d’água, enxurradas e cabeças d’água. Veja as diferenças:

  • Cabeça d’água

Quando chove é normal os rios ficarem volumosos em um instante. Algumas vezes, nem se ouve barulho de chuva e, mesmo com o céu aberto, ele sobe rapidamente. O nível das águas pode aumentar até vários metros em poucos segundos, como um tsunami dos rios. Isto acontece nas cabeças d’água, quando chove em um trecho distante do rio, como em nascentes ou serras, e o fluxo da água aumenta. A chuva não é, necessariamente, direta no rio, mas a água escoa para ele, causando o volume. A presença de folhas secas ou outros materiais flutuantes no rio é indício de que uma cabeça d'água possa estar a caminho, normalmente é possível perceber seus indícios e agir rapidamente.

  • Enxurrada

Fenômeno onde o nível de água que passa pelo rio aumenta rapidamente, em pouco tempo. A causa da enxurrada pode ser tanto tromba d’águas, como cabeça d’águas.

  • Tromba d’água

Diferente das cabeças d’águas, que podem chover em qualquer lugar, as trombas d’água chovem no local e diretamente sobre o rio. São chuvas intensas e breves, com a duração máxima de 30 minutos. É preciso ficar atento à presença de nuvens na parte alta dos rios. Se o clima está fechado lá, mesmo que embaixo faça sol, há grandes possibilidades de chegar uma tromba d'água. Às vezes, é possível ouvir o barulho um pouco antes de sua chegada. Uma boa dica para o banhista é,ao entrar no rio, localize pedras que lhe permitam marcar mentalmente o nível das águas. Se a pedra ou o nível de referência sumir, acompanhado de uma possível turbidez da água, o banhista deve sair imediatamente de perto do rio e buscar um local mais alto. “Os frequentadores devem respeitar as sinalizações indicativas de risco e buscar informações seguras sobre o local, pois incidentes como a cabeça d’água, normalmente são conhecidos em determinada região”, orienta o comandante Alecrim. 

“Em nossa região, as ocorrências estão associadas aos rios Santo Antônio e Macaé, nas regiões de Mury e Lumiar, respectivamente. A atenção deve ser redobrada nos períodos mais chuvosos do ano”, alerta.

O comandante lembra que a equipe do Corpo de Bombeiros realiza treinamentos para lidar com esses fenômenos naturais e está sempre pronta para o atendimento de emergências, com viaturas especialmente preparadas para acessar locais de difícil acesso. Para a realização de buscas, contam com Veículo Aéreo Não Tripulado (Covant), e outros recursos possíveis de mobilização, como helicóptero e equipes de mergulho.

 

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