Estado recupera em três meses R$ 5 milhões desviados para corrupção

Montante é de bens relacionados à milícia, crime organizado e lavagem de dinheiro
quinta-feira, 25 de abril de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Estado recupera em três meses R$ 5 milhões desviados para corrupção

O novo Departamento Geral de combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), do Governo do Estado do Rio de Janeiro, já começa a apresentar resultados nos primeiros meses de atuação. A unidade, vinculada à Secretaria estadual de Polícia Civil, conseguiu, entre janeiro e março, sequestrar R$ 5 milhões em bens relacionados à milícia, crime organizado e lavagem de dinheiro. O setor investigativo também apreendeu cerca de R$ 125 mil, um aumento de 392,43% no comparativo com o primeiro trimestre de 2018.

Um relatório elaborado pela delegada responsável pelo DGCOR-LD, Patrícia Costa Araujo de Alemany, também aponta a perspectiva de avanços em ações investigativas já em curso. O número de casos analisados pela unidade cresceu 192% em comparação com os três primeiros meses de 2018 e 152% em valores financeiros analisados.  

“O fato do departamento ter se transformado em uma política de governo já faz com que as investigações de lavagem de dinheiro, por exemplo, aumentem bastante. O mais importante de tudo isso é termos uma estratégia política voltada para esta natureza. É uma cultura que está se estabelecendo, de termos um olhar mais atento a crimes de viés financeiro. São análises e investigações complexas e que demandam tempo, mas estamos convencidos de que até o final deste ano muitos outros resultados vão aparecer”, afirmou a delegada.

O documento também mostra que aumentou em sete vezes o total de pessoas físicas e jurídicas analisadas pelo departamento e que o número de autoridades policiais se cadastrando junto ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também vem aumentando significativamente. Em 2018, apenas quatro autoridades policiais se cadastraram no Coaf. Em 2019, apenas nesse início de ano, já foram 27 agentes cadastrados.

“Isso demostra que agora há uma política dedicada à coleta de informações relacionadas aos crimes financeiros. Nossa unidade também cumpre um papel de estimular as delegacias de polícia a identificar crimes, o que permitirá que cada vez mais coibamos irregularidades desta natureza”, explicou a Patrícia Alemany.

O DGCOR-LD tem trabalhado em parceria com a Controladoria Geral do Estado (CGE), com as secretarias de Saúde, Obras e Educação no combate à corrupção, além de contar com o apoio do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o Ministério Público, entre outros órgãos.

Estrutura e tecnologia

Formado por policiais com perfis voltados às áreas de economia, contabilidade e informática, e capacitação realizada pela Polícia Civil para atuar com este tema específico, o departamento possui quatro unidades: Núcleo de Investigação ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro; Núcleo de Investigação à Corrupção e Lavagem de Dinheiro; Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro; e Gabinete de Recuperação de Ativos.

 

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