Especial Dia do Idoso: João Ferreira, um jovem de 79 anos

Carioca radicado em Friburgo há 45 anos pratica exercícios acrobáticos, corre, pedala e faz aula de dança
segunda-feira, 02 de outubro de 2017
por Ana Borges
Especial Dia do Idoso: João Ferreira, um jovem de 79 anos

Ele é uma figura conhecida na cidade pela sua presença constante nas avenidas e vias expressas do Centro, praticando exercícios, correndo, caminhando, pedalando. E também porque virou um pé-de-valsa, segundo a colega aqui do jornal, a jornalista Adriana Oliveira, que conheceu esta simpatia na Escola de Dança Edu Cigano, na Rua Monte Líbano. O moço faz aula há quase 15 anos. “Dançar é a melhor coisa do mundo”, atesta, com brilho nos olhos.

João Martinho Alves Ferreira, 79 anos, é carioca, aposentado, radicado em Friburgo há mais de 45 anos. É livre e desimpedido, aliás, a contragosto, porque gostaria de ter uma companheira “pra sentar comigo num banco da praça pra conversar, passear, dançar”. João mora sozinho - os três filhos já deram rumo às suas vidas -, gosta de cozinhar e se sente confortável com o jeito simples e prático que imprimiu à sua rotina. “Quando estou na rua, aproveito para almoçar fora, mas sempre tenho alguma coisa para comer em casa, se eu preferir. Agora mesmo, por exemplo, tem um feijão branco de molho que vou fazer mais tarde”, conta.

Sua saúde é perfeita. “Meus médicos até me parabenizam pela minha boa forma.  Dizem que os resultados dos meus exames são ótimos, de uma pessoa até mais nova. O único remédio que tomo é para prevenir a osteoporose. De resto, vai tudo muito bem, obrigado”, comenta rindo. Ele acorda cedo e trata de aproveitar o dia da melhor maneira possível, sem maiores preocupações com um roteiro pré-determinado. Só uma coisa ele repete, religiosamente: “Todo dia de manhã eu faço o meu mingau de aveia e depois como uma maçã. É uma boa maneira de começar o dia. Me sinto fortalecido, com energia. Geralmente eu acordo animado, de bem com a vida. Comigo não tem esse negócio de depressão, não sei o que é isso. Nem tristeza eu sinto”, revela.

Mesmo sendo uma pessoa contida, ele se expôs:  “Mas isso não quer dizer que eu esteja totalmente realizado. É que sinto uma certa solidão, e não é nada legal sentir isso, essa sensação de isolamento. Ando pensando muito a esse respeito. Mesmo assim, adoro a vida e quero viver até os 100 anos”, acrescentou, recuperando o sorriso.

Planos de ir mais ao Rio

João tem a mesma silhueta há décadas, a balança confirma seu biotipo definido desde a infância. “Era uma criança magra e saudável e cresci assim. Tenho um estilo de vida que me favorece e minha natureza é essa desde sempre”, ressalta. A música é outra paixão, e seu gosto, eclético. Gosta de ouvir quase todos os gêneros musicais, de Nelson Gonçalves a MPB. Inclusive, curtiu muito o show do Steven Tyler, no Rock in Rio, que viu pela TV. “A música embriaga. Adoro. Mas não vejo quase nada na TV. Prefiro acompanhar as notícias e programas pela internet”.

Faz tempo que não viaja e tem sentido falta de ir ao Rio, passear na orla do Porto Maravilha, ir ao Museu do Amanhã e ao MAR. “Ainda não conheço aquela região revitalizada e pelo que tenho visto nas reportagens, fotos, ficou bonito. Quando saí do Rio, estavam construindo a Perimetral, que agora, felizmente, demoliram. A Orla Conde ficou linda, com aquele visual maravilhoso do mar. Tenho que ir lá, quero conhecer tudo”. A leitura de jornais, revistas, livros, é outra de suas atividades mais prazerosas. “Sou muito curioso, gosto de aprender coisas novas, desconhecidas, saber o que está acontecendo no mundo, no Brasil, aqui. Entrar numa academia de dança foi um desafio que me impus porque simplesmente a dança me fascina. Queria descobrir como me sentiria dançando”, diz João, que é bem perfeccionista na busca da técnica.    

E esse é o maior prazer que João tem sentido nos últimos tempos. “Tem sido a minha grande aventura, estar aberto para as sensações que a dança desperta e me entregar a elas. Danço quase todos os tipos de ritmos, mas me empolgo ainda mais com boleros. Quero viver a vida, com alegria, porque a vida é uma festa! Já acordo me sentindo  animado, com bons sentimentos, sempre positivo. Pode crer”, diz, alegremente jovial.

TAGS: Idosos