A entrevista do candidato a governador Tarcísio Motta ao AVS

Psolista defende benefícios fiscais ao setor têxtil e metal-mecânico para gerar empregos e tem planos para estimular o turismo no interior
terça-feira, 28 de agosto de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Tarcísio Motta em campanha (Divulgação)
Tarcísio Motta em campanha (Divulgação)

Tarcísio Motta, 43 anos, quer ampliar benefícios fiscais para o setor têxtil e metal-mecânico da Região Serrana, mas vai rever o plano de recuperação fiscal do estado. Promete ainda criar um polo de produção orgânica de hortaliças e diz que quer investir em obras de construção civil nas áreas de mobilidade e saneamento ambiental para gerar empregos no interior estado.

Nascido em Petrópolis, o professor licenciado do Colégio Pedro II e vereador na capital tem planos para o Hospital do Câncer, em Nova Friburgo, e ainda para o extinto escritório regional do Ibama. Com 5% das intenções de voto, segundo pesquisa do Datafolha divulgada na última quarta-feira, 22, Tarcísio tenta pela segunda vez se tornar governador pelo Psol.

Casado e pais de três filhos, o candidato declarou patrimônio de R$ 10 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele é o quinto dos 12 candidatos ao governo do estado convidados por A VOZ DA SERRA a responder às mesmas perguntas sobre Nova Friburgo e a Região Serrana. A série de entrevistas começou na última semana estão sendo publicadas nas edições de terça a sexta-feira.


AVS: O próximo governador assumirá o estado com um rombo estimado este ano de R$ 10 bilhões nos cofres. Como planeja sanear as contas do estado?
Tarcísio Motta: Vamos revisar o regime de recuperação fiscal. O que o governo Temer fez com o estado foi agiotagem, empurrando a dívida para o próximo governador a juros escandalosos. Para recuperar as finanças do estado, entre outras medidas, é necessário diversificar a matriz econômica, renegociar a dívida do Rio junto à União, cobrar da União a compensação das perdas de receita tributária decorrentes da Lei Kandir (que isenta do ICMS produtos e serviços destinados à exportação) e trabalhar pela revisão do preço mínimo do petróleo junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O Rio de Janeiro tem a maior taxa de desemprego do Sudeste. São cerca de 1,2 milhão de pessoas procurando uma oportunidade, segundo a Pnad/IBGE. Como gerar novas vagas?
Nossa principal estratégia de geração de emprego será investir em obras de construção civil nas áreas de mobilidade urbana e de saneamento ambiental para qualificar a infraestrutura das nossas cidades, destinando vagas de trabalho para os moradores locais e transformando, assim, os investimentos em obras em uma política de distribuição de renda. Também faremos investimentos no complexo industrial da saúde e na economia da cultura e do entretenimento.

Moda íntima, indústrias metal-mecânicas, o comércio, a construção civil e a agricultura são motores de Nova Friburgo. Seu futuro governo planeja algum tipo de incentivo para incrementar a economia da Região Serrana?
Vamos implementar planos regionais de desenvolvimento social, considerando o meio ambiente, as culturas locais, a soberania alimentar e a matriz socioeconômica de cada localidade. No caso da serra, vamos ampliar os benefícios fiscais para os setores têxtil e metal mecânico, criar um polo de produção orgânica de hortaliças e investir em obras de construção civil nas áreas de mobilidade e saneamento ambiental.

O estado está sob intervenção federal na segurança há seis meses. Como evitar a fuga de criminosos da capital para o interior?O Rio não precisa de intervenção, mas de outra política de segurança pública. Vamos modernizar a gestão, integrar os diferentes órgãos de segurança e priorizar o combate ao tráfico de armas. Os agentes de segurança serão ouvidos para que, junto com eles, possamos melhorar suas condições de trabalho, valorizar o salário dos servidores e garantir planos de carreira dignos. Além de aprimorar o controle externo e fazer uma limpa nas instituições para retirar das ruas os agentes envolvidos com grupos criminosos.

O Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, é uma referência para a região, recebe pacientes de 13 municípios, mas enfrenta dificuldades. Seu governo planeja estadualizar a unidade ou tem algum plano para melhorar o atendimento de urgência?
Vamos retomar o controle público da gestão e reorganizar a rede de emergência do estado para acabar com os gargalos. Para isso, criaremos um plano de carreira para melhorar os salários e as condições de trabalho dos profissionais da saúde e integrar os sistemas de atendimento. No que se refere ao Raul Sertã, podemos estudar um plano de cofinanciamento com o município. A estadualização deve ser apenas o último recurso. Os problemas de saúde só serão resolvidos com investimentos em programas de saúde da família.

A UPA da cidade não recebe a parte dos recursos que cabe ao governo estado há mais de três anos. A prefeitura tem mantido a unidade 24 horas com recursos próprios, junto com o governo federal. Qual o seu plano para as UPAs?  
É inaceitável que o governo Pezão não cumpra com suas obrigações. Assim que assumirmos o governo, vamos voltar a repassar os recursos necessários para garantir o atendimento de qualidade na UPA. No que se refere ao estado como um todo, vamos integrar a rede de hospitais com as unidades fixas de pronto atendimento e os serviços ambulatórios de atendimento móvel de urgência, de maneira a garantir pleno acesso e mais agilidade para a população.

E quanto ao Hospital do Câncer, cuja obras em Nova Friburgo estão paralisadas desde 2016?
O governo Pezão perdeu um convênio com o governo federal que iria garantir quase toda a obra com recursos da União. Quando assumirmos o governo, vamos elaborar um plano emergencial para executar as obras necessárias e garantir os investimentos que faltam para colocar o Hospital do Câncer em pleno funcionamento. E a gestão será pública.

Nova Friburgo conta com um campus da Uerj, o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ). Como tirar as universidades estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) dessa crise sem precedentes?
A rede pública de ensino superior do estado deve servir como um vetor de desenvolvimento estratégico que pode, inclusive, nos ajudar a sair da crise e elaborar soluções criativas para resolver os problemas de desemprego no Rio. Nossa principal medida será garantir autonomia financeira para as universidades estaduais, com a ampliação dos recursos públicos reservados ao ensino, à pesquisa e a programas de extensão, destinando, desde o primeiro ano, 6% da receita do governo do estado para as universidades.

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis são os principais destinos turísticos do estado para quem curte um friozinho. Qual seu plano para alavancar o setor turístico na região?
A Região Serrana tem grande potencial para o ecoturismo. Nosso plano é investir no mapeamento de novos circuitos e monitorar o impacto socioambiental dos roteiros existentes. Além disso, vamos elaborar um calendário de festivais, saraus, oficinas de arte, entre outros projetos culturais e esportivos, valorizando a história de cada cidade. Esse investimento irá estimular a criação de equipamentos hoteleiros de baixo custo e incentivar hospedagens domiciliares e o “cama-e-café”.

Depois da tragédia climática de 2011, Friburgo recebeu importantes obras de contenção de encostas, habitação e canalização pluvial, como a do Rio Bengalas. Outras ainda faltam ser executadas na cidade. Você pretende fazer alguma mudança na política atual de prevenção a desastres naturais na serra?
É fundamental terminar as obras emergenciais que faltam ser executadas, auditar os contratos firmados e investir na melhoria na qualidade de vida das famílias que perderam seus lares na tragédia de 2011 e que hoje vivem no condomínio Terra Nova. Mas queremos ir além: implementar sistemas agroflorestais de recuperação de solo, contenção de encostas e aumento de permeabilidade do solo; fortalecer os mecanismos de mapeamento e contenção de riscos ambientais; e reforçar o trabalho da Defesa Civil.

Friburgo perdeu o escritório regional do Ibama, que tinha importante papel na fiscalização do desmatamento. A cidade conta agora com o trabalho do Inea e da prefeitura, mas ambos sofrem pressões políticas. O que seu governo fará para evitar a redução da Mata Atlântica, que cobre 45% do território friburguense, segundo o SOS Mata Atlântica?
Vamos negociar com o Ministério do Meio Ambiente para realocar o Ibama em Nova Friburgo e elaborar um plano estadual para garantir a conservação e a recuperação da Mata Atlântica, de forma integrada às políticas sociais e ambientais vigentes no estado. Queremos ampliar a rede de unidades de conservação e implementar programas que integrem as comunidades na preservação e recuperação ambiental dos ecossistemas nativos. Nossa meta será zerar o desmatamento em mata nativa no estado até 2020.

 

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