A entrevista do candidato a governador Romário ao AVS

Candidato do Podemos defende medidas austeras para tirar estado da crise fiscal
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
A entrevista do candidato a governador Romário ao AVS

Romário Faria (partido Podemos)pretende estreitar laços com os governos municipais do interior fluminense para entender e atender as demandas da Região Serrana. Se eleito ao governo do Rio de Janeiro, promete tomar medidas austeras para equilibrar as contas do estado. Quer realizar uma gestão transparente e apoiar empreendedores e projetos para o turismo no interior.  

Com 16% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 22, pelo Datafolha, o senador pelo Podemos está tecnicamente empatado com Eduardo Paes e Anthony Garotinho. O ex-jogador de futebol declarou patrimônio de R$ 5 milhões.

Com 52 anos, o Romário nasceu na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Divorciado e pai de seis filhos, o “baixinho” foi campeão do mundo pela seleção brasileira em 1994. Deixou os gramados para entrar na política em 2010, quando foi eleito deputado federal. Presidiu a CPI do Futebol, que revelou o esquema de corrupção na CBF. Em 2014, foi eleito senador com mais de quatro milhões de votos.

Romário é o terceiro dos 12 candidatos ao governo do estado entrevistados por A VOZ DA SERRA. Todos foram convidados a responder às mesmas perguntas sobre Nova Friburgo e a Região Serrana.
 

AVS: O próximo governador assumirá o estado com um rombo estimado este ano de R$ 10 bilhões nos cofres. Como planeja sanear as contas do estado?
Romário:
Sendo transparente e austero. Vamos auditar as contas públicas, analisar os contratos e encontrar os ralos por onde o dinheiro está saindo. Meu governo vai trabalhar com desperdício zero e 100% de transparência.

O Rio de Janeiro tem a maior taxa de desemprego do Sudeste. São cerca de 1,2 milhão de pessoas procurando uma oportunidade, segundo a Pnad/IBGE. Como gerar novas vagas?
Vamos facilitar a vida do empreendedor. Em São Paulo, a pessoa abre uma empresa em dez dias. No Rio, dois meses. Temos que desburocratizar esse sistema. Em segundo lugar, enfrentar a violência que afasta os investidores e as empresas. A violência torna o Rio de Janeiro muito pouco atrativo.

Moda íntima, indústrias metal-mecânicas, o comércio, a construção civil e a agricultura são motores de Nova Friburgo. Seu futuro governo planeja algum tipo de incentivo para incrementar a economia da Região Serrana?
Todo incentivo do meu governo terá como objetivo gerar emprego, seja no campo, seja na indústria. Se a cidade tem essa vocação, vamos investir nela, tornando-a mais forte e ajudando o empreendedor. É importante analisar caso a caso, mas certamente a economia da Região Serrana será olhada com muita atenção.

O estado está sob intervenção federal na segurança há seis meses. Como evitar a fuga de criminosos da capital para o interior?
A intervenção foi importante pelo momento que o Rio de Janeiro estava passando. O que nós temos que fazer é utilizar o legado que ela vai deixar em inteligência e treinamento para combater os poderes paralelos de forma mais efetiva. Vou reduzir o número de Unidade de Polícia Pacificadora (UPPs) e colocar polícia na rua.

O Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, é uma referência para a região, recebe pacientes de 13 municípios, mas enfrenta dificuldades. Seu governo planeja estadualizar a unidade ou tem algum plano para melhorar o atendimento de urgência?
O primeiro passo será conversar com o prefeito para entender a situação do hospital. Com um déficit de R$ 10 bilhões, salários atrasados e tantos problemas fiscais, a gente não pode agora apontar uma solução mágica. A gente tem que entender o problema e ver como o estado poderá ajudar.

A UPA da cidade não recebe a parte dos recursos que cabe ao governo estado há mais de três anos. A prefeitura tem mantido a unidade 24 horas com recursos próprios, junto com o governo federal. Qual o seu plano para as UPAs?  
A saúde foi um dos principais focos de corrupção dos últimos governos. Essa falta de repasse vem justamente da corrupção. E isso no meu governo não vai ter, porque, pela primeira vez, a população vai saber onde o dinheiro está sendo investido e com certeza será aplicado onde a população precisa.

E quanto ao Hospital do Câncer, cuja obras em Nova Friburgo estão paralisadas desde 2016?
Vamos conversar com a prefeitura e entender a real situação do hospital. Entender o que já foi feito, por que parou e analisar a continuidade.

Nova Friburgo conta com um campus da Uerj, o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ). Como tirar as universidades estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) dessa crise sem precedentes?

Temos que aproximar as universidades do estado. Esses locais devem ser centros de inteligência da saúde, da educação, do desenvolvimento econômico. A Uerj pode atuar em uma UPA, por exemplo. O que vamos buscar são fontes alternativas de recursos e diminuição do custeio. As universidades também não podem ficar distantes da iniciativa privada e o meu governo vai buscar essa aproximação.

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis são os principais destinos turísticos do estado para quem curte um friozinho. Qual seu plano para alavancar o setor turístico na região?
Vamos criar um Plano Estratégico de Turismo para entender o potencial de cada região e buscar os investimentos e melhorias. Melhorar as estradas, o policiamento, atrair empresários do setor (hotéis e restaurantes). Um estado como o Rio tem que ter um calendário de eventos para todas as regiões de acordo com as características das cidades.

Depois da tragédia climática de 2011, Friburgo recebeu importantes obras de contenção de encostas, habitação e canalização pluvial, como a do Rio Bengalas. Outras ainda faltam ser executadas na cidade. Você pretende fazer alguma mudança na política atual de prevenção a desastres naturais na serra?
O que aconteceu em 2011 não pode se repetir. Não adianta buscar a solução depois da tragédia. Da mesma forma que meu governo será transparente, eu quero que os prefeitos sejam comigo, porque estarei aberto a ouvir e buscar soluções. Iremos buscar recursos, mas cobraremos que eles sejam aplicados da maneira correta.

Friburgo perdeu o escritório regional do Ibama, que tinha importante papel na fiscalização do desmatamento. A cidade conta agora com o trabalho do Inea e da prefeitura, mas ambos sofrem pressões políticas. O que seu governo fará para evitar a redução da Mata Atlântica, que cobre 45% do território friburguense, segundo o SOS Mata Atlântica?
A Mata Atlântica é um tesouro do do Brasil. Vamos ao governo federal entender a saída do Ibama da cidade e avaliar com o Inea a real situação desse problema. Mas já adianto que pressão política vai acabar.

 

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