A entrevista do candidato a governador Pedro Fernandes ao AVS

“Vamos criar um plano com metas de crescimento para o interior”, diz pedetista
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Pedro Fernandes em campanha (Divulgação)
Pedro Fernandes em campanha (Divulgação)

O mais novo candidato ao governo do Rio, Pedro Fernandes, 35 anos, diz que vai cortar mordomias, se eleito. Quer enxugar a folha de pagamento, reduzindo cargos comissionados e afirma que vai rever a quantidade de imóveis alugados pelo estado. Ele também promete ir atrás dos sonegadores do ICMS para equilibrar as finanças do estado. Para o interior, o candidato quer desenvolver com prefeitos um plano de ações para definir metas de crescimento.

Deputado estadual pelo terceiro mandato, Fernandes presidiu a Comissão de Orçamento, Finanças, Fiscalização Financeira e Controle e afirma que sempre teve como prioridade fiscalizar o funcionamento de órgãos públicos, como forma de garantir o bom atendimento à população do estado, em particular, nas áreas da saúde, transporte, segurança, educação e infraestrutura.

Em 2006, aos 23 anos, foi o mais jovem parlamentar do país a ocupar assento na mesa diretora da Alerj. Começou na vida política aos 19 anos, como subprefeito do Grande Irajá e Penha, na Zona Norte do Rio. Exerceu o cargo por três anos. É dentista e professor universitário com mestrado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e cursos de extensão na Universidades de Harvard (EUA), Salamanca (Espanha) e George Washington (EUA).

Pedro tem 3% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada na última quarta-feira, 22, pelo Datafolha. Ele declarou patrimônio de R$ 1,9 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato é o quarto dos 12 candidatos ao governo do estado entrevistados por A VOZ DA SERRA. Todos foram convidados a responder às mesmas perguntas sobre Nova Friburgo e a Região Serrana.

 

AVS: O próximo governador assumirá o estado com um rombo estimado este ano de R$ 10 bilhões nos cofres. Como planeja sanear as contas do estado?
Pedro Fernandes: Será preciso gestão para renegociar o passivo, aumentar a receita e reduzir a despesa. A questão previdenciária é central para o equilíbrio das contas. Estima-se em até R$ 10 bilhões anuais de perdas com sonegação do ICMS. Na despesa, temos muita gordura para queimar. Pagamos mais de R$ 70 milhões com aluguéis de imóveis, tendo mais de cinco mil imóveis próprios. Gastamos R$ 1 bilhão com cargos comissionados. Até vagas de garagem e mordomias de palácios nós bancamos. Vamos acabar com isso.

O Rio de Janeiro tem a maior taxa de desemprego do sudeste. São cerca de 1,2 milhão de pessoas procurando uma oportunidade, segundo a Pnad/IBGE. Como gerar novas vagas?
Com desburocratização para abertura de negócios e empreendedorismo, aplicação de incentivos fiscais sob a condição de que tais investidores tenham como contrapartida obrigatória a geração de empregos, aumento da oferta de qualificação profissional no estado, considerando as vocações regionais, melhorar a segurança para que as empresas sintam-se confortáveis em se estabelecer aqui.

Moda íntima, indústrias metal-mecânicas, o comércio, a construção civil e a agricultura são motores de Nova Friburgo. Seu futuro governo planeja algum tipo de incentivo para incrementar a economia da Região Serrana?
Os incentivos serão feitos, com garantia da contrapartida de ofertas de emprego. É preciso criar um plano de ações com os municípios para definir metas de crescimento. Para isso, é fundamental pensar na melhoria das estradas, vias de acesso e maneiras de conter os desequilíbrios ambientais.

O estado está sob intervenção federal na segurança há seis meses. Como evitar a fuga de criminosos da capital para o interior?
Em primeiro lugar, o governador precisa retomar a responsabilidade da segurança pública. Vamos criar o Plano Estadual de Segurança Pública, estabelecendo diretrizes e metas para a redução da criminalidade. Precisamos fortalecer as polícias, investindo em inteligência, tecnologia e capacitação. É necessário também pensar no controle das rodovias, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, atuando em vias estratégicas do estado.

O Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, é uma referência para a região, recebe pacientes de 13 municípios, mas enfrenta dificuldades. Seu governo planeja estadualizar a unidade ou tem algum plano para melhorar o atendimento de urgência?
O objetivo do meu governo é estreitar a parceria entre o estado e municípios, principalmente na área da saúde, para que a população possa ter atendimento digno.

A UPA da cidade não recebe a parte dos recursos que cabe ao governo estado há mais de três anos. A prefeitura tem mantido a unidade 24 horas com recursos próprios, junto com o governo federal. Qual o seu plano para as UPAs?
O boletim da Comissão Independente de Análise do Orçamento da Saúde do estado revelou um aumento de despesa de 144% das UPAs e isto não significou melhoria do atendimento, por conta disto, é preciso sim, que o estado cumpra seus compromissos de repasse de recursos, mas também é preciso que os municípios executem e prestem contas adequadamente destes valores pactuados.

E quanto ao Hospital do Câncer, cuja obras em Nova Friburgo estão paralisadas desde 2016?
É inadmissível que uma unidade de saúde desta importância, com previsão de 200 leitos, 288 consultas/dia e quatro mil cirurgias ano, esteja paralisada por falta de gestão. A Caixa Econômica Federal pediu ao estado a devolução do investimento de R$ 45 milhões devido ao não cumprimento de ajustes técnicos no processo de licitação. Vamos rever esta situação e dar a população o que ela merece.

Nova Friburgo conta com um campus da Uerj, o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ). Como tirar as universidades estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) dessa crise sem precedentes?
Investimento em infraestrutura, respeitar o pagamento dos duodécimos, progresso de carreira e reposição dos quadros, além de usar a Faperj, a fundação de apoio à pesquisa do estado, como ferramenta de desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia.

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis são os principais destinos turísticos do estado para quem curte um friozinho. Qual seu plano para alavancar o setor turístico na região?
Não devemos nos limitar quando falamos em turismo. Melhorar mobilidade e acesso e fomentar projetos, através da parceria com as universidades e iniciativa privada, são propostas para o desenvolvimento do turismo cultural, solidário, rural e ecoturismo.
 

Depois da tragédia climática de 2011, Friburgo recebeu importantes obras de contenção de encostas, habitação e canalização pluvial, como a do Rio Bengalas. Outras ainda faltam ser executadas na cidade. Você pretende fazer alguma mudança na política atual de prevenção a desastres naturais na serra?
As políticas de prevenção vão continuar na minha gestão e deverão ser potencializadas para que possamos erradicar os impactos climáticos nestas áreas.

Friburgo perdeu o escritório regional do Ibama, que tinha importante papel na fiscalização do desmatamento. A cidade conta agora com o trabalho do Inea e da prefeitura, mas ambos sofrem pressões políticas. O que seu governo fará para evitar a redução da Mata Atlântica, que cobre 45% do território friburguense, segundo o SOS Mata Atlântica?
O objetivo é discutir iniciativas que visem à gestão sustentável dos ambientes, envolvendo os diversos atores que atuam nesses espaços. Vale destacar um importante evento que acontecerá em dezembro em Friburgo, o Mountains 2018.

 

  • A série de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro será retomada na edição da próxima terça-feira, 28.

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