A entrevista do candidato a governador Índio da Costa ao AVS

Ele diz que seu foco é segurança, saúde e microempresários e que o interior será sua prioridade
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Índio faz campanha
Índio faz campanha

O tema segurança pública está em praticamente todas as respostas de Índio da Costa nesta entrevista. Candidato ao governo do Rio de Janeiro, o deputado federal pelo PSD diz que resolver a crise na segurança no estado, sob intervenção federal desde fevereiro deste ano, vai impactar em todas as demais áreas da administração pública, inclusive, no ambiente de negócios.  

Com 3% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope na última segunda-feira, 20, Índio foi relator da Lei da Ficha Limpa, vereador do Rio três vezes e, como deputado federal, está no segundo mandato. Já foi secretário de estado e também da prefeitura da capital. Em 2010, foi vice na chapa de José Serra para a presidência da república.

Carioca, o candidato é advogado e empresário. Ele é casado e tem duas filhas, e declarou possuir patrimônio de R$ 12 milhões. Índio é o segundo dos 12 candidatos ao governo do estado entrevistados por A VOZ DA SERRA. Todos foram convidados a responder às mesmas perguntas sobre Nova Friburgo e a Região Serrana.

AVS: O próximo governador assumirá o estado com um rombo estimado este ano de R$ 10 bilhões nos cofres. Como planeja sanear as contas do estado?

Índio: O PMDB comanda o estado há 20 anos e fez absurdos com os recursos públicos. A Secretaria de Fazenda foi politizada, não está tecnologicamente avançada para arrecadar. Eu até poderia fazer um discurso bonito e dizer que vou cortar, nomear, diminuir, fazer e acontecer. Se trata da realidade do governo do estado. Vamos fazer mais com menos e com princípios básicos: não roubar, não deixar roubar e não desperdiçar.

O Rio de Janeiro tem a maior taxa de desemprego do sudeste. São cerca de 1,2 milhão de pessoas procurando uma oportunidade, segundo a Pnad/IBGE. Como gerar novas vagas?

A insegurança afasta o investimento. Sem investimento, não tem emprego. Uma vez eleito, a farda e o distintivo voltarão a ter valor e respeito. Sabemos que o estado tem boa capacidade e potencial para microempresários e empreendedores. É óbvio que a economia local pode ser melhor. No meu governo, a política para microempresários no estado será simples, com infraestrutura e apoio. Precisa ter menos burocracia e mais atenção.

Moda íntima, indústrias metal-mecânicas, o comércio, a construção civil e a agricultura são motores de Nova Friburgo. Seu futuro governo planeja algum tipo de incentivo para incrementar a economia da Região Serrana?

Em julho, quando visitei a região, encontrei lideranças, estive com produtores da agricultura familiar e terminei na maior feira de moda íntima do estado, que tem como marca o empreendedorismo. O que precisamos é de um governo que não atrapalhe, porque não faltam criatividade e disposição do povo. O interior será prioridade no meu governo, porque é desta região que vem a força para o desenvolvimento econômico do estado.

O estado está sob intervenção federal na segurança há seis meses. Como evitar a fuga de criminosos da capital para o interior?

Eu não vou pedir a prorrogação da intervenção. A intervenção teve o sentido político de produção de uma imagem sem profundidade. Quem sabe fazer o trabalho da polícia é a polícia. O dinheiro destinado à intervenção deveria ter sido investido na polícia. A realidade mostra que a violência aumentou e que foi uma jogada de marketing do governo. Eu quero ser governo com as polícias fortes e equipadas e treinadas. Um governo que dê condições para fazer investigação, para prender os bandidos e não soltá-los da cadeia.

O Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, é uma referência para a região, recebe pacientes de 13 municípios, mas enfrenta dificuldades. Seu governo planeja estadualizar a unidade ou tem algum plano para melhorar o atendimento de urgência?

O meu plano é fazer um raio-x das filas para o atendimento e garantir que as pessoas sejam atendidas nos hospitais e postos de saúde. Precisamos atuar na prevenção de doenças e aqui incluo a política de segurança. Há pessoas que estão nessas filas com doenças causadas pela falta de segurança. Quero atuar na medicina preventiva e, dentro do trabalho preventivo, a segurança pública para evitar que as filas estejam do tamanho que estão. Vou colocar 12% do que o governo arrecada na saúde. Porque, hoje, o estado está colocando a metade.

A UPA da cidade não recebe a parte dos recursos que cabe ao governo estado há mais de três anos. A prefeitura tem mantido a unidade 24 horas com recursos próprios, junto com o governo federal. Qual o seu plano para as UPAs?  

Rever, porque defendo o conceito. O fato é que como um programa de atendimento, as UPAs, no início deram certo, mas acabaram sendo politizadas. E, por trás tinha um grande esquema de corrupção, como em quase todas as áreas dessa turma do PMDB que esteve e está no governo do estado ainda. Vou fazer valer o dinheiro que as pessoas pagam em impostos.

E quanto ao Hospital do Câncer, cuja obras em Nova Friburgo estão paralisadas desde 2016?

Uma obra iniciada em 2015 que até hoje não foi entregue é um desrespeito com o povo. É mais um abandono e está na lista das promessas não cumpridas. Falta de atenção, falta de investimento e a incapacidade do governo de gestão pública. O governante precisa ter mais atitude e prometer menos.

Nova Friburgo conta com um campus da Uerj, o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ/Uerj). Como tirar as universidades estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) dessa crise sem precedentes?

Vou ouvir os estudantes e não as corporações. Temos que usar o potencial científico da Uerj em favor dela própria e da sociedade. A Uerj, referência de qualidade nacional e internacional, foi tão sucateada que chegou ao risco de fechar. O governo do estado não entende a importância do ensino. Um governo tem que entender que educação deve ser prioridade absoluta dos governos, por uma razão única, é o futuro.

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis são os principais destinos turísticos do estado para quem curte um friozinho. Qual seu plano para alavancar o setor turístico na região?

Em primeiro lugar, garantindo a segurança pública. Não me levem a mal por ser repetitivo, mas é segurança mesmo que vai destravar o estado como um todo. Quem imagina um turista percorrer o estado sem se sentir seguro? Vamos chamar todos dos restaurantes, donos das casas noturnas, todo mundo que tenha relação direta com o mundo turístico para fazermos um plano estratégico e inserir a Região Serrana num calendário anual de eventos.

Depois da tragédia climática de 2011, Friburgo recebeu importantes obras de contenção de encostas, habitação e canalização pluvial, como a do Rio Bengalas. Outras ainda faltam ser executadas na cidade. O senhor pretende fazer alguma mudança na política atual de prevenção a desastres naturais na serra?

Como governador, vou fiscalizar e cobrar das prefeituras e dos órgãos envolvidos o monitoramento das nossas áreas de proteção. Infelizmente, a Região Serrana é um exemplo deste descontrole e abandono. Precisamos implantar um sistema de monitoramento e de prevenção de catástrofes, reassentar famílias que se encontram nestas localidades, reflorestar áreas desmatadas, desassorear os rios, educar a população. Enfim, tomar uma série de medidas de controle, de prevenção, fiscalização e monitoramento.

Friburgo perdeu o escritório regional do Ibama, que tinha importante papel na fiscalização do desmatamento. A cidade conta agora com o trabalho do Inea e da prefeitura, mas ambos sofrem pressões políticas. O que seu governo fará para evitar a redução da Mata Atlântica, que cobre 45% do território friburguense, segundo o SOS Mata Atlântica?

Os crimes ambientais precisam ser denunciados, combatidos e punidos. Todos nós somos vítimas. É nossa obrigação proteger as matas, rios e a rica biodiversidade do estado. Desmatamentos precisam acabar. Como disse antes, como governador, vou fiscalizar e cobrar os órgãos envolvidos o monitoramento das nossas áreas de proteção. Precisamos criar uma política de reflorestamento.

 

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