A entrevista do candidato a governador Anthony Garotinho ao AVS

Antes de ser impugnado, ex-governador promete estadualizar Raul Sertã e aumentar o efetivo do 11º BPM
sexta-feira, 07 de setembro de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Garotinho em campanha
Garotinho em campanha

Ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho tenta novamente assumir o comando do estado com as promessas de que vai renegociar a dívida, rever incentivos fiscais e reduzir secretarias para enxugar a máquina pública e aumentar a arrecadação estadual. Afirma que, se eleito, vai gerar empregos reestruturando as cadeias produtivas dos municípios fluminenses.

Com 12% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha, o candidato, porém, pode ficar inelegível. Na última terça-feira, 4, Garotinho foi condenado em segunda instância pelo crime de formação de quadrilha armada, em ação que investiga um esquema para exploração de jogos de azar no estado. Com a decisão, ele passa a cumprir os requisitos para ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. A questão, entretanto, depende de avaliação da Justiça Eleitoral. Sua candidatura foi impugnada nesta quinta, 6, pelo TRE, mas ele ainda pode recorrer ao TSE.

Nascido em Campos dos Goytacazes, no Norte do estado, o ex-governador tem 58 anos, é casado com a ex-governadora Rosinha Garotinho com quem tem nove filhos - quatro biológicos e cinco adotivos. Já foi deputado federal, prefeito de Campos duas vezes e governador do estado em 1998. Tentou a presidência da República, mas ficou em terceiro lugar. Em 2010, foi eleito deputado federal.

Para Nova Friburgo, promete criar um distrito industrial, estadualizar o Hospital Raul Sertã e ainda aumentar o efetivo do 11º BPM. Garotinho encerra a série de entrevistas com os 12 candidatos ao governo do Rio realizada por A VOZ DA SERRA. Todos foram convidados a responder às mesmas perguntas sobre o estado, a cidade e a Região Serrana. A série começou no último dia 21 de agosto.

 

AVS: O próximo governador assumirá o estado com um rombo nos cofres estimado em R$ 10 bilhões. Como planeja sanear as contas do estado?

Garotinho: Vamos renegociar a dívida do estado e rever todos os incentivos fiscais, auditar contratos para descobrir superfaturamentos, reduzir as secretarias e cargos comissionados que atendiam apadrinhados do ex-governador Sérgio Cabral e do atual, Luiz Fernando Pezão. Vamos aumentar a arrecadação estadual.

O Rio de Janeiro tem a maior taxa de desemprego do Sudeste. São cerca de 1,2 milhão de pessoas procurando uma oportunidade, segundo a Pnad/IBGE. Como gerar novas vagas?

Quando assumi, o governo do estado em 1999 o Rio não produzia um carro, não gerava um emprego. Trouxe para o Rio a fábrica da Peugeot/ Citroen, logo em seguida a MAN passou a produzir caminhões no estado. Hoje, o setor automobilístico como um todo emprega mais de dez mil pessoas. A mesma coisa aconteceu com a indústria naval, que empregava apenas 500 pessoas e, após nosso governo incentivar a abertura de mais de 14 estaleiros, o setor chegou a gerar mais de 70 mil empregos. A única saída é a reestruturação das cadeias produtivas do estado. Através do programa Florescer e Frutificar, vamos reestruturar a cadeia produtiva de flores, plantas ornamentais e medicinais e de hortifruti. O turismo na Região Serrana tem um potencial incrível e será incentivado, assim como o polo de moda íntima e o setor metal e mecânico. Vamos fomentar as vocações produtivas de cada região.

Moda íntima, indústrias metal-mecânicas, o comércio, a construção civil e a agricultura são motores de Nova Friburgo. Seu futuro governo planeja algum tipo de incentivo para incrementar a economia da Região Serrana?

Rosinha Garotinho é autora da Lei da Moda. Desde então, o número de estabelecimentos do setor cresceu 190%. Vamos manter os benefícios previstos nesta lei. Não podemos permitir que confecções migrem para São Paulo ou caiam na informalidade. Vamos instituir o distrito industrial de Nova Friburgo para reordenar o setor metal-mecânico do município. O setor de bebidas artesanais terá atenção especial no meu governo. A Agerio, agência estadual de fomento, vai promover a criação e formalização de novos negócios na região.

O estado está sob intervenção federal na segurança há seis meses. Como evitar a fuga de criminosos da capital para o interior?

A política de segurança instituída por Cabral e Pezão, através das UPPs, fez com que bandidos saíssem da capital para se instalarem no interior. Vamos retornar com os policiais que foram transferidos do interior para a capital. Vamos aumentar o efetivo do 11º BPM. É necessário aumentar o patrulhamento ostensivo no interior.

O Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, é uma referência para a região, recebe pacientes de 13 municípios, mas enfrenta dificuldades. Seu governo planeja estadualizar a unidade ou tem algum plano para melhorar o atendimento de urgência?

Estadualizar o hospital e colocá-lo para funcionar.

A UPA da cidade não recebe a parte dos recursos que cabe ao governo estado há mais de três anos. A prefeitura tem mantido a unidade 24 horas com recursos próprios, junto com o governo federal. Qual o seu plano para as UPAs?

Não é possível pensar a UPA de maneira isolada. Vamos reorganizar todo o sistema de saúde do estado, promovendo integração entre as unidades de saúde. Os municípios devem se responsabilizar pela saúde básica e da família. O estado pelo atendimento de média complexidade. Já o governo federal em parceria cuidará da alta complexidade. Vamos incluir todos os leitos numa central única de regulação.

E quanto ao Hospital do Câncer, cuja obras em Nova Friburgo estão paralisadas desde 2016?

Esta é a prova da incompetência instalada na atual gestão. Vamos abrir uma negociação com a Caixa Econômica Federal, concluir as obras do hospital para atender as áreas de oncologia clínica, radioterapia, reabilitação e a realização de cirurgia oncológica, entre outros.

Nova Friburgo conta com um campus da Uerj, o Instituto Politécnico do Rio de Janeiro (IPRJ/Uerj). Como tirar as universidades estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) dessa crise sem precedentes?

Vou garantir recursos para investimento e custeio dessas unidades.

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis são os principais destinos turísticos do estado para quem curte um friozinho. Qual seu plano para alavancar o setor turístico na região?

Vou implantar plano de desenvolvimento para o turismo do interior que reforce as vocações de alta temporada mas apresente ao turista os atrativos da região em outras épocas do ano. Friburgo é diversão garantida o ano todo com ecoturismo e o turismo de aventura. Vamos apoiar os municípios na criação de um calendário anual de eventos.

Depois da tragédia climática de 2011, Friburgo recebeu importantes obras de contenção de encostas, habitação e canalização pluvial, como a do Rio Bengalas. Outras ainda faltam ser executadas na cidade. Você pretende fazer alguma mudança na política atual de prevenção a desastres naturais na serra?

Vamos criar a Geo RJ, empresa de engenharia para dar assistência ao estado na elaboração e execução de um consistente programa de obras de contenção de encostas, de modo a prevenir tragédias decorrentes de deslizamento de terras, com atenção especial para as áreas de risco, como a da Região Serrana.

Friburgo perdeu o escritório regional do Ibama, que tinha importante papel na fiscalização do desmatamento. A cidade conta agora com o trabalho do Inea e da prefeitura, mas ambos sofrem pressões políticas. O que seu governo fará para evitar a redução da Mata Atlântica, que cobre 45% do território friburguense, segundo o SOS Mata Atlântica?

Vamos intensificar a fiscalização contra o desmatamento com a adoção de novas tecnologias para o monitoramento destas áreas preservadas.

 

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