Em seu melhor momento, Barboza se coloca a uma vitória do cinturão do UFC

Duas vitórias inquestionáveis, contra adversários de peso, ex-campeões da categoria
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
por Vinicius Gastin
Triunfo sobre Melendez teve sabor especial: “Pessoalmente, mais importante que contra Pettis” (Foto: Divulgação)
Triunfo sobre Melendez teve sabor especial: “Pessoalmente, mais importante que contra Pettis” (Foto: Divulgação)

Duas vitórias inquestionáveis, contra adversários de peso, ex-campeões da categoria peso leve do UFC. Retrospecto que levou Edson Barboza Junior ao quinto lugar do ranking do Ultimate, e o aproximou como nunca da tão sonhada disputa do cinturão da organização. Em período de férias, em Nova Friburgo, o lutador revela inclusive que já esperava brigar pelo título no início de 2017. No entanto, uma luta ainda o separa da esperada possibilidade.

“Posso dizer que nunca estive tão perto. Já posso sentir uma de minhas mãos no cinturão. Fiquei, ao mesmo tempo, triste e feliz por não ter lutado nesse final de ano. Eu tinha programado fazer mais uma luta em dezembro e tentar lutar pelo cinturão não no início do ano que vem. Mas acredito que Deus faz tudo certo e na hora certa. Acredito que o UFC segurou um pouco porque quer me dar uma luta boa agora. Se eu vencer, tenho certeza que o próximo combate vai ser pelo cinturão.”

Mesmo sem ter o poder de escolher o próximo adversário, Edson Barboza não esconde a sua preferência. “Eu gostaria muito de enfrentar o Nate Diaz. As pessoas acham que seria uma grande luta, e eu tenho certeza que sim. Seria divertido, como em todos os momentos em que estou no ringue. Nunca fiz outra coisa a não ser lutar. A minha primeira luta profissional foi com 16 anos e, desde então, não parei mais.”

Atualmente, Diaz divide a quinta colocação do ranking dos leves com o Barboza. À frente deles estão o campeão Conor McGregor, Khabib Nurmagomedov, Tony Ferguson, Eddie Alvarez e Rafael Dos Anjos. Na melhor fase de sua carreira, o atleta de Nova Friburgo confia que pode encarar qualquer adversário no caminho até o título. O ano bem-sucedido e a rotina de treinos são os trunfos do lutador para vencer o próximo obstáculo.

“Poderia ser qualquer um que está no ranking. Sem dúvidas é a melhor fase da minha carreira. Nunca me senti tão bem fisicamente e tecnicamente. Foi um ano muito abençoado, pois não tive nenhum tipo de lesão e pude treinar muito duro. Acho que esse é um dos grandes motivos de eu poder vir para Nova Friburgo e descansar um pouco. É a melhor temporada da minha vida.”

Mudanças de cidade e treinos

Depois de sofrer algumas derrotas nas temporadas anteriores, que de certa forma acabaram adiando o sonho pela disputa do cinturão, Barboza iniciou 2016 com uma nova estratégia: treinar e morar no mesmo lugar, New Jersey. Segundo ele, a escolha fez total diferença no rendimento durante as lutas. “Fiz algumas mudanças, e uma delas foi essa. Eu fazia o camp (período de treinos) em um estado e morava em outro. Eu conversei com minha esposa e treinadores, e todos nós sabíamos que eu poderia ir mais longe na carreira. Então, toda a minha família foi morar comigo na mesma cidade em que eu fiz o meu camp.”

Outra mudança destacada pelo lutador é a intensificação dos treinamentos de defesa. A equipe de treinadores foi mantida, inclusive com a participação do friburguense Anderson França, mas a parte defensiva recebeu atenção especial. De fato, Edson terminou as duas lutas deste ano com menos lesões em relação às anteriores, o que dimensiona a importância deste reforço. 
“Esse foi um dos principais focos dos meus treinos. A defesa do MMA é diferente da do muay thai, que eu estava mais acostumado. A luva, por exemplo, é bem menor. Eu sempre acabei minhas lutas bem machucado, o que não aconteceu nos duelos desse ano.”

“Contratação” especial...

A melhora na parte da defesa e as evoluções física e técnica foram importantes, mas Edson Barboza considera um outro reforço adquirido neste ano fundamental: a psicóloga Maria Letícia. A profissional de Nova Friburgo manteve contato com o lutador através da ferramenta Skype, e as sessões, periódicas, de aproximadamente uma hora, foram intensificadas às vésperas dos combates.

“Ela me ajudou muito, porque muita gente acha que a luta é só corporal. Mas a principal luta é psicológica. O trabalho com ela e a mudança para o mesmo local onde eu treino fizeram toda a diferença. O lutador é a ponta da espada, e o resto é a nossa equipe, da qual ela também faz parte. No ringue quem toma a decisão sou eu, até porque nem sempre consigo escutá-los. Mas eu tento sempre ouvir muito meus treinadores. Acredito muito neles.”

“Contra Gilbert foi especial”

Os resultados reforçam a tese de que o ano de Edson Barboza foi um dos melhores de sua carreira. O lutador entrou no octógono do UFC duas vezes em 2016, e saiu com vitórias convincentes sobre dois dos melhores atletas do peso-leve: Anthony Pettis, no início do ano, e Gilbert Melendez. “Contra o Pettis foi uma ótima luta, uma verdadeira guerra. Ele é uma cara muito criativo, e eu poderia esperar qualquer coisa a qualquer momento. Ele tentou me derrubar, mas não conseguiu. Eu estava muito preparado para enfrentar um ex-campeão. Vencer essa luta foi ótimo para a minha carreira.”

Embora a vitória contra Pettis tenha repercutido de maneira positiva, Barboza valoriza ainda mais o triunfo contra Melendez. “Cada luta tem uma história, mas essa última luta foi muito especial. O Gilbert é uma cara que eu admiro muito, por estar há mais de dez anos no topo. As pessoas talvez não o conheçam muito por aqui, mas ele é um dos mais respeitados. Vencer o Pettis foi melhor pra minha carreira, mas pessoalmente lutar com o Gilbert e vencê-lo teve uma grande importância.”

Contra Alvarez não...

Edson Barboza construiu toda a trajetória no Ultimate com o objetivo de buscar o cinturão. Cada vez mais perto de tentar o objetivo, ele traz consigo uma certeza: vai adiar o sonho se tiver que enfrentar o companheiro Eddie Alvarez, atual terceiro colocado do ranking em sua categoria. Mais um exemplo de companheirismo e prova de sua já reconhecida humildade.

“Não há nenhuma chance. O Eddie é meu amigo, meu parceiro de treino, lutou com os meus dois últimos adversários e foi para o cinturão. Eu fiz o mesmo caminho e por isso acredito que estou perto. Ele me ajudou com conselhos, e eu também o ajudei bastante. Não existe possibilidade de essa luta acontecer. Aliás, essa luta já foi cogitada. Seria a primeira luta dele no UFC, a organização ofereceu e nós dois recusamos.”

TAGS: artes marciais | Edson Barboza