Em marcha lenta

sábado, 19 de maio de 2018
por Jornal A Voz da Serra

O COMITÊ de Política Monetária contrariou as expectativas do mercado e decidiu, em reunião nesta semana, estacionar a taxa básica de juros da economia em 6,5%. A medida foi tomada por precaução, diante da valorização do dólar em nível internacional. O dólar vem subindo, há semanas, em consequência do aumento dos juros nos Estados Unidos.      

A SITUAÇÃO requer atenção no Brasil, mas não é preocupante. O país possui uma grande reserva de dólares e a inflação no trimestre foi de apenas 0,70%, devido, em grande parte à fraca demanda do mercado consumidor. E assim os juros puderam parar de cair. 

A ECONOMIA também está estacionada. No primeiro trimestre, teve um recuo de 0,13% no Produto Interno Bruto (PIB), após registrar uma recuperação que vinha desde o ano passado. As expectativas para o PIB deste ano também são de que ele não vai atingir os 3% previstos.

O EMPREGO expõe dramaticamente essa retração. Segundo o IBGE, o país tem 27 milhões de pessoas sem trabalho. Parte são trabalhadores que buscam emprego de carteira assinada, mas a maioria é constituída de pessoas que trabalham por conta própria, sobrevivendo de bicos.

ESSE GRANDE contingente de brasileiros depende do aquecimento da economia para ter uma expectativa de consumo. Deles dependem a indústria, o comércio e os serviços, cujas atividades tiveram poucas oscilações no trimestre.

SEM MAIORES expectativas, o governo Temer encaminha-se para seu final. Fez o que poderia fazer, como o ajuste monetário, com juros e inflação baixos. Entretanto, não foi capaz de transmitir confiança na população, devido aos episódios de corrupção em que se envolveu, além das polêmicas reformas Trabalhista e Previdenciária, esta última postergada pela incerteza da aprovação no Congresso.

A INCERTEZA permanece, desta vez deslocando-se para as próximas eleições. Ninguém investe diante da dúvida: quem será o próximo presidente da República?

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