Edifício Spinelli, o mais antigo da cidade, ganha elevador

segunda-feira, 12 de novembro de 2012
por Jornal A Voz da Serra
Edifício Spinelli, o mais antigo da cidade, ganha elevador
Edifício Spinelli, o mais antigo da cidade, ganha elevador

Dalva Ventura
Os moradores do Edifício Spinelli, em sua maioria idosos, estão rindo à toa. Agora podem contar com um conforto que veio mudar sua vida. Muitos, especialmente os que moravam nos andares mais altos, não podiam nem sair de casa, pois haja energia para subir até 80 degraus de escada. Fazer compras, então, representava um sacrifício gigantesco, pois, convenhamos, não é mole subir até o quarto andar carregando peso.   
O fato é que este equipamento, que se tornou praticamente obrigatório nos dias de hoje, fazia uma falta enorme a todos os que moram naquele belo edifício construído na década de 30 do século passado. O Spinelli foi o primeiro edifício da cidade, e até hoje se destaca na paisagem da Praça Getúlio Vargas, com seu estilo art dèco.  
O prédio, erguido no local onde antigamente funcionava o antigo Hotel Salusse, foi projetado pelo renomado arquiteto italiano Ricardo Buffa, que assinou diversas obras hoje tombadas no Rio de Janeiro. O projeto era tão arrojado para a sua época que nele estava previsto até um elevador, o que só agora se concretizou. O fosso, porém, teve de ser impermeabilizado, pois no local existe um lençol freático, o que atrasou um pouco mais a obra.  
Também foi necessário ampliar o espaço inicialmente projetado para as portas dos elevadores. As que tinham sido previstas tinham 80 cm de largura, pois na época em que ele foi construído as portas dos elevadores eram do tipo pantográfico, isto é, abriam e fechavam manualmente. 
Hoje, porém, tudo é festa e os moradores, a grande maioria ainda da família Spinelli, comemoram a novidade. Não só pelo conforto trazido pelo elevador como pela valorização de seus imóveis. 
Os 15 apartamentos do Edifício Spinelli, de dois, três e até quatro quartos, com duas salas, são maravilhosos. Amplos, sólidos e, apesar de tão antigos, sem uma rachadura sequer. Alguns têm até 120 metros quadrados, o que, hoje em dia, pode ser considerado um luxo e tanto. Detalhe: como fazia muito frio na época, os apartamentos contam até com lareira. Além disso, todos os cômodos são voltados para o sol.  
Só faltava mesmo um elevador. Claro que ninguém se opunha à obra, mas... querer é uma coisa, fazer é outra. Foram reuniões e reuniões de condomínio sem que se chegasse a uma conclusão. Apesar de todo o conforto e da valorização que o elevador traria, tratava-se de uma obra cara que nem todos queriam ou podiam bancar. Alguns alegavam até que havia outras prioridades, como a pintura externa do edifício, por exemplo.
A possível construção do elevador começou a ser discutida há dois anos, mas o assunto acabou não indo adiante. No ano passado, o síndico do prédio, Ítalo Spinelli, resolveu colocar o tema em pauta novamente e convidou uma empresa do ramo para fazer uma explanação sobre os custos da obra. O elevador não ficou nada barato, mas já está praticamente quitado.  

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