Copa Africa resgata e aquece tradicional canoagem em Friburgo

Retorno das provas em corredeiras dos rios Macaé e Bonito reúne atletas novos e veteranos
sábado, 25 de agosto de 2018
por Vinicius Gastin
Copa Africa de Canoagem movimenta e reaquece a modalidade no município e região
Copa Africa de Canoagem movimenta e reaquece a modalidade no município e região

Nova Friburgo é uma cidade com vocação e estrutura natural para o esporte. São muitas as modalidades enraizadas na história da formação da sociedade friburguense, e outras que ajudam a valorizar aquilo que a natureza oferece de melhor no território municipal. Uma das categorias que explora esse potencial esportivo é a canoagem, e assim como tantas outras, sofre com as dificuldades estruturais e falta de apoio, sobrevivendo apenas da paixão de amantes e abnegados.

E é exatamente essa chama que reacende a canoagem em Nova Friburgo. O retorno das provas em corredeiras do Rio Macaé, localizado no quinto distrito de Lumiar, aconteceu no último dia 5. O evento, denominando Copa Africa de Canoagem, reuniu os atletas da Associação Friburguense nas modalidades Kaiak Open, Duck individual iniciante e Duck dupla. A modalidade disputada foi a Slalom gigante, onde o canoísta precisava percorrer o trecho de corredeiras e ainda contornar as balizas montadas ao longo do percurso.

“A prova foi um evento-teste para aprimorar a técnica dos novos atletas e também dos veteranos, além de valer como experiência para futuros projetos a serem realizados na região, já tradicional na canoagem em águas brancas”, destaca Heberson Lamblet, um dos coordenadores do evento.

O campeonato foi realizado na altura do encontro dos rios Macaé e Bonito, palco de grandes eventos da canoagem brasileira, durante anos. “Suas fortes corredeiras proporcionam um espetáculo natural que faz do Rio Macaé um dos melhores para a prática da canoagem em águas brancas no Brasil. A Copa Africa exigiu muito dos competidores, que de forma acirrada, mostraram ao público presente um espetáculo de manobras, coragem, força e técnica”, exalta Heberson.

Na categoria Kaiak Open, Bruno Rutman foi o grande campeão, seguido por Pedro Rutman, Heberson Lamblet, Odionio Leandro, José Rios, Tom Adnet, Frederico Bruno, Romulo Silva e Fabio. Na modalidade Duck individual iniciantes, Flávio faturou o primeiro lugar, enquanto na segunda colocação houve empate técnico entre Romulo e Mauricio. Maria Perez foi a terceira colocada, seguida por Carol e Ana. Na categoria Duck dupla, Bruno Rutman e Rhavi foram os vencedores. Completaram a classificação, nesta ordem: Zé Rios e Fabio; Mauricio e Fabio; Pedro e Dudu; Maria e Bel; Romulo e Yuri, Ana e Carol.

O resgate

A prova realizada no início deste mês valeu como etapa única do Campeonato Friburguense de Canoagem. Contudo, também serviu como um grande teste para que, em breve Nova Friburgo, possa voltar a receber mais um grande evento esportivo na região, movimentando o turismo e formando novos adeptos. A Africa (Associação Friburguense de Canoagem) está sob nova direção, tendo Bruno Pagnoncelli como presidente, e um dos objetivos é retomar, em breve as atividades das escolas de base da entidade.

É desta forma que a canoagem volta a respirar e ressurgir em Nova Friburgo, ativando e fomentando, inclusive, o turismo de aventura de forma geral. O rafting foi a primeira modalidade a ser trabalhada nesse contexto, sendo sucedida pelo arvorismo, rapel, cachoeirismo, jeep tour, trekking, corridas de aventura e canoagem, esportes oferecidos durante todo o ano.

A história, de fato, começa em Lumiar, famosa na década de 70 pelas comunidades hippies. No entanto, a história do distrito está inserida no contexto da colonização suíça em Nova Friburgo, implantada por D. João VI, em 1818. A ocupação das terras do Vale do Rio Macaé começou com o êxodo dos colonos, que se deslocaram em direção aos povoados de São Pedro da Serra, Lumiar, Boa Esperança e outros.

Atraídos pelo clima agradável, suíços, alemães e italianos descobriram, aos poucos, todo o potencial natural da localidade. Com o tempo, a região passou a dividir a habitual tranquilidade com a emoção dos esportes de aventura. A fundação da Africa está ligada à uma famosa gravação para TV, em Lumiar, a partir da habilidade de Uwe, um canoísta que atuava como dublê do ator Kadu Moliterno.

A partir de então, os amigos Orlando Miele, Cristiano Valladares, Marcelo Cortêz, Sílvio Cezar Ruiz, Stefan Hoffman e Alexandre Meinhardt, fundaram a Africa. A criação da entidade em 1983 foi o pontapé inicial para realização de três campeonatos friburguenses de canoagem (84/85/86) e seis edições (de 1985 a 1989) do ‘Golden Cup’, evento que reunia os principais atletas da modalidade do Brasil.

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