Comte Bittencourt explica rompimento com governo Renato Bravo

Ex-deputado integrava o chamado grupo de “conselheiros” e apoiou a gestão atual desde os preparativos para a eleição de 2016
sábado, 02 de novembro de 2019
por Márcio Madeira
O ex-deputado Comte Bittencourt (Arquivo AVS)
O ex-deputado Comte Bittencourt (Arquivo AVS)

A VOZ SERRA: O atual governo municipal foi eleito, em grande parte, graças ao grupo de apoiadores que foram chamados à época de "conselheiros". O senhor era um deles, e por isso a notícia de que o Partido Cidadania recentemente deixou o governo surpreendeu muita gente. Diante desta situação, o que o senhor tem a dizer aos eleitores que abraçaram a chapa atraídos por sua credibilidade política?

Comte Bittencourt: O que eu tenho a dizer é que a nossa frustração com esse projeto não deve gerar desânimo, pois continuamos a acreditar que Nova Friburgo tem força para construir um presente e futuro com muita qualidade para a sua gente.

A condição de conselheiro se verificou de fato?

De fato, nunca. Sempre me coloquei à disposição, mas quando você fala e não é ouvido, não tem por que continuar no projeto. Acredito que seja também o sentimento dos demais. Acreditávamos na construção de um projeto estratégico construído em conjunto com a sociedade friburguense, que fosse capaz de enfrentar os problemas do presente e olhasse a cidade pensando nos próximos 20 anos. O governo, no entanto, fez outra opção, adotou uma gestão do dia a dia que não é mais admitida na administração pública. O que temos a mostrar hoje para o friburguense depois de quase três anos de gestão? Quais as alternativas nas áreas mais importantes para o nosso futuro? A população sabe como pensa o governo e o seu olhar a médio e longo prazos? A época do improviso na gestão pública acabou, hoje temos novas exigências, como gestão fiscal, transparência, planejamento estratégico construído através de diálogo com a sociedade... São essas as nossas frustrações. Adoro o Renato [Bravo], mas o meu compromisso político, a minha história pública, sempre se colocaram acima das amizades.

Como fica a situação dos servidores que foram indicados pelo Cidadania?

Estabelecemos que eles teriam de se posicionar a partir do dia 1º de novembro, entre continuar colaborando com um governo que não nos representa mais ou optar por seguir a decisão política do partido de sair do governo. Naturalmente, quem optar por seguir no governo será convidado a deixar o partido. Respeitaremos a decisão que tomarem.

A saída do governo pode vir a se desdobrar numa candidatura própria em 2020?

Esse é um debate que precisamos estabelecer com a sociedade friburguense e as forças da política que se aproximam do nosso pensamento. O Cidadania está preparado e disposto a construir esse projeto junto a outras forças da política e da sociedade de Friburgo. Temos no vereador Alexandre Cruz, atual presidente da Cãmara Municipal, o nosso representante nessa construção.

 

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