Comércio friburguense disputa espaço com ambulantes no Centro

Como a quantidade de camelôs cresce nesta época do ano, CDL solicitou mais rigor na fiscalização. Prefeitura diz que está intensificando o trabalho
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
Camelô (em segundo plano) expõe mercadorias na calçada da Alberto Braune (Foto de leitor)
Camelô (em segundo plano) expõe mercadorias na calçada da Alberto Braune (Foto de leitor)

 

Com a proximidade do Natal, ruas e lojas ficam mais cheias devido ao horário estendido do comércio friburguense. Mas não é apenas o aumento no movimento que faz as calçadas parecerem pequenas. A cada dia cresce o número de vendedores ambulantes comercializando produtos ilegalmente nas ruas de Nova Friburgo, especialmente no Centro. O problema não é de hoje, mas fica ainda mais evidente em dezembro, devido a proximidade com as festas de fim de ano.

Pensando nisso, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Nova Friburgo, Braulio Rezende, solicitou à prefeitura uma fiscalização rigorosa contra ambulantes que tomam as calçadas da cidade. Em ofício encaminhado ao prefeito Renato Bravo, Braulio contou que as duas entidades do comércio recebem reclamações constantes de empresários que se sentem prejudicados pela atuação dos camelôs.

“As queixas acontecem durante todo o ano, mas aumentam muito nas semanas anteriores ao Natal. Elas têm um relato comum: quando o Departamento de Posturas intensifica a fiscalização, os camelôs se retiram por curto período, voltando logo em seguida às calçadas. Muitas vezes, acintosamente, se instalam na porta das lojas”, comenta Braulio.

Para a CDL e o Sincomércio, os ambulantes fazem concorrência desleal ao comércio estabelecido, que paga elevados impostos e contribui para o desenvolvimento econômico do município: “As lojas movimentam a economia local, geram milhares de empregos e enfrentam alta carga tributária. Além de a concorrência ser injusta, a presença dos camelôs dá aspecto de desorganização às ruas da cidade”, observa.

Braulio defende ainda que o combate ao comércio ambulante deve ser permanente, de modo a evitar que o problema se agrave e se torne a cada vez mais difícil de ser solucionado: “Calçadas cheias de camelôs enfeiam a cidade. Os empresários do comércio de Nova Friburgo, assim como a população, desejam uma cidade limpa, bonita e ordenada”, finaliza Braulio.

O barato pode sair caro

Os ambulantes costumam ficar sempre nos mesmos pontos e vendem de tudo, desde guarda-chuvas a carregadores de celular, pendrives, brinquedos, utensílios para o lar, máquina para cortar cabelo, e muito mais. Produtos que podem ser facilmente encontrados no comércio estabelecido de Nova Friburgo, mas acabam atraindo os consumidores pelos preços que costumam ser mais em conta.

No entanto, o barato pode sair caro, já que os produtos comprados por um preço menor não tem garantia nenhuma, seja de funcionamento ou segurança, podendo representar uma economia enganosa, sem contar no impacto causado ao comércio local e, consequentemente, à economia friburguense.

É claro que, em meio à crise, cada um se vira como pode para garantir o sustento da família. E trabalhar como ambulante acaba sendo a única opção para muitas pessoas que não conseguem um emprego formal no mercado de trabalho. 

O que diz a prefeitura

Em nota enviada à redação de A VOZ DA SERRA, a Prefeitura de Nova Friburgo disse que “o Departamento de Posturas, em parceria com a Guarda Municipal de Nova Friburgo, começou a intensificar nesta segunda-feira, 16, o trabalho de fiscalização contra o comércio ambulante no centro da cidade”.

A nota diz ainda que “o ambulante flagrado em venda irregular de mercadoria terá o produto apreendido. Após 90 dias, o material será encaminhado à instituições de caridade. Já os produtos piratas, por ser considerado um ato criminoso, são incinerados após este período. Já o ambulante que apresentar nota fiscal do produto pode optar por pagar uma multa, que deve ser equivalente ao valor da mercadoria em dobro”.

 

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