Colapso do clima, greve pelo clima e rebelião da extinção: você já ouviu essas expressões?

quarta-feira, 05 de junho de 2019
por Isabela Braga*
Colapso do clima, greve pelo clima e rebelião da extinção: você já ouviu essas expressões?

Diante da imobilidade da sociedade em caminhar efetivamente para um economia de zero carbono, que seja capaz de manter o aumento da temperatura global dentro da barreira dos dois graus celsius, o protesto de uma adolescente sueca de 15 anos, chamada Greta Thunberg, está reformulando a discussão global sobre o que está acontecendo com o clima do planeta.

A mensagem da Greta é simples: sou jovem e preciso que os adultos ajam agora para que no futuro a minha geração possa viver na Terra. E com essa intenção, ela começou a protestar pelo mundo. Primeiramente na frente do parlamento sueco e um mês depois fez seu debut internacional na última Conferência do Clima da ONU, a COP 24, em dezembro de 2018. Foi então que Greta iniciou um movimento global de greve escolar às sextas feiras que ficou conhecido como #StrikelForClimate e #FridaysForFuture (#GrevePeloClima e #SextasPeloFuturo).

 Mas Greta não está sozinha já que todos os trabalhos da comunidade científica indicam que se continuarmos no ritmo de crescimento e desenvolvimento observado nas últimas décadas, estaremos indo em direção a um colapso climático. A concentração de carbono na atmosfera hoje é maior do que qualquer outra época em que os humanos já habitaram a Terra. Em 9 de maio, os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiram a marca de 415 ppm (partes por milhão) nos medidores localizados no topo do vulcão Mauna Loa no Havaí, que realiza medições desde 1958 quando a concentração era de 313 ppm.

Para medida de comparação, durante 800 mil anos a concentração de CO2 na atmosfera não ultrapassou a marca de 300 ppm. Modelos científicos calculam que a última vez que a atmosfera da Terra atingiu concentração superior a 400 ppm foi entre 3-5 milhões de anos atrás. Ou seja, alguns milhões de anos antes da evolução da nossa espécie, Homo sapiens, que cientistas calculam ter começado entre 400-200 mil anos atrás. 

E os resultados desse colapso podem ser observados em todas as espécies que se tem registro. Há cerca de um mês, foi publicado um relatório desenvolvido durante três anos por 145 cientistas de 50 países diferentes que considerou a resposta global insuficiente para evitar uma extinção em massa de espécies de animais e plantas. A previsão é que na próxima década um milhão de espécies sejam extintas, o que representa um ritmo alarmante para tal fenômeno e impulsionou o movimento Rebelião da Extinção.

Com tanta evidência das consequências catastróficas por um lado e por outro tão pouca ação dos grandes líderes e agentes de tomada de decisão, não é de se estranhar que a pressão esteja acontecendo de baixo para cima. A geração Z começou a se mobilizar internacionalmente para pedir que nós, adultos e responsáveis por eles, ajamos agora ou eles e as futuras gerações não reconhecerão o planeta que deixaremos para eles viverem. Precisamos cuidar da mãe natureza como cuidamos dos nossos filhos: com todo o amor e respeito que somos capazes. E é preciso agir AGORA!

* Isabela Braga é bióloga e cientista climática

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