Coelho de estimação: fofura que requer cuidados

Frequentemente ofertados como presente na Páscoa, peludinhos não podem comer qualquer coisa. Saiba como criar
sábado, 31 de março de 2018
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Minicoelho da Lumiar Coelhos: fofura que requer cuidados (Divulgação)
Minicoelho da Lumiar Coelhos: fofura que requer cuidados (Divulgação)

Nem só de chocolate vive o lado comercial da Páscoa. Petshops por toda a cidade, especialmente as da Avenida Euterpe Friburguense, andam lotadas de gente em busca de filhotes de coelho para dar de presente. Mas criar um desses adoráveis animais em casa não é para qualquer um. Que o diga Márcia Damascena, de 44 anos, gerente de um restaurante em frente ao Lago de Lumiar. Moradora de São Pedro da Serra, ela conta a sua experiência com coelhos.

Uma amiga friburguense, que mora metade do ano na Califórnia (EUA), metade aqui, resolveu dar um coelhinho para a filha, comprado num shopping, na Páscoa de três anos atrás. A condição era que outras amiguinhas da filha cuidariam do animal, numa espécie de guarda compartilhada, enquanto as duas estivessem fora do Brasil. No entanto, às vésperas de uma das viagens, ninguém pôde ficar com o coelho - missão que coube a Marcia cumprir.

Como a amiga custou a voltar, foi um ano e meio de sufoco. Sem saber lidar com coelhos, Marcia viu o animal roer tudo o que podia, do sofá ao fio do ventilador, correndo sérios perigos. “É muito mais difícil do que as pessoas pensam, embora sejam bichos lindos. Eles precisam de espaço, mas não podem ficar soltos. Necessitam de ração específica, não podem comer qualquer verdura. Podem desenvolver alergia à própria urina, precisam de “cama” de serragem para urinar.  Até os patos do lago são mais obedientes”, compara. Pelo menos o tal coelho, batizado de “Lindo”, teve um final feliz: foi doado a uma família mais bem preparada e está vivo até hoje.

Num sítio em Lumiar especializado na venda desses animais de estimação, os filhotinho ainda não estão disponíveis. Por um capricho da natureza, as coelhas não entraram no cio a tempo de seus rebentos desmamarem antes da Semana Santa. Resultado: coelho à venda como pet, só depois da Páscoa.

Segundo  o criador Osvaldo Loureiro, de 54 anos, o minicoelho, ou coelho-anão, é um excelente animal de companhia, sabendo cuidar dele. Uma vez domesticado, atende pelo nome, como um cão, e usa a caixinha como banheiro, como um gato. Adulto, ele não passa de dois quilos, e vive em média oito anos.

Loureiro fornece suas ninhadas para petshops há mais de dez anos. Hoje dispõe de quatro machos e 13 fêmeas para reprodução, das raças Lion e Hotot. Para quem tem vontade, ou curiosidade, seguem algumas dicas para ter em casa um coelhinho feliz:

  • Uma inocente folha de alface pode levar um coelho à morte. Isso porque folhagens de cor clara podem provocar diarreia, letal para a espécie. Além de ração balanceada, à venda em qualquer petshop, deve-se fornecer muito mais que cenoura: capim braquiária, folhas de bananeira e de outras árvores frutíferas, aveia preta e hortaliças como almeirão, aipo, aspargo, brócolis, beterraba, chicória, couve, pepino, pimentão, rúcula. Abóbora, com moderação (é laxante); nabo, rabanete e repolho, só ocasionalmente, pois podem dar indigestão.

  • Coelho também não tolera calor intenso. Nem água: não toma banho nem deve ser molhado, para evitar fungos na pele. Não o segure pelas orelhas, o que pode causar distensões ou até fraturas. Coelho deve ser segurado pela pele do dorso, próximo ao pescoço, como se faz com um filhote de gato, apoiando-lhe as pernas.

  • Machos e fêmeas começam a se reproduzir a partir dos 4 ou 5 meses de idade, o ano inteiro. A gestação dura só um mês. Aos 30 a 40 dias de vida os filhotes desmamam, e a mãe já pode emprenhar de novo. Se deixado junto e à vontade, o casal tentará copular o tempo todo. E o resultado pode ser briga ou prole demais.

  • Coelhos soltos no jardim são lindos, mas um perigo: podem devorar uma planta ornamental e passar mal. O certo é criá-los dentro de uma gaiola bem ventilada, com fundo vazado e bandeja para os dejetos e restos de alimentos. Se possível, soltá-los por duas horas diárias para que eles possam brincar e interagir com os humanos. Mas, quando soltos, considere que podem roer objetos de madeira, tecido e até plástico. E lá vem o perigo de morte de novo.

  • No Brasil não existem vacinas específicas para coelhos, que podem, no máximo, ser vermifugados. Diarreia e sarna são os problemas mais comuns. Por isso, o cuidado principal deve ser com a higiene e com a alimentação.

  • Apesar de não serem roedores, e sim mamíferos da família dos lagomorfos, têm dentes incisivos (os da frente) que nunca param de crescer. Uma diferença: enquanto roedores têm apenas dois dentes superiores, coelhos têm quatro.

  • Em seu habitat natural, seus predadores são raposas, falcões e cachorros do mato. Geralmente, a cor da pelagem os ajuda a se disfarçar: os coelhos selvagens que habitam lugares com neve são brancos, enquanto os das florestas tropicais são marrons. Podem passar muito tempo imóveis, a fim de não revelarem seu esconderijo.

  • Como as lebres, têm posteriores fortes para saltar e anteriores adaptados para cavar tocas. A diferença: os coelhinhos nascem sem pêlos e de olhos fechados, enquanto as lebrinhas nascem com uma pelagem fina e olhos bem abertos. Adulta, a lebre correrá mais rápido.

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