Cifras da desigualdade

terça-feira, 17 de abril de 2018
por Jornal A Voz da Serra

RELATÓRIO da Organização Não Governamental britânica Oxfam revela que em 2017 o Brasil ganhou 12 novos bilionários, aumentando para 43 o número de brasileiros que fazem parte de uma seleta lista de 2.043 pessoas em todo o planeta.

       O QUE MAIS chama a atenção nas estatísticas da desigualdade é que no Brasil somente cinco indivíduos são mais ricos que a metade da população (mais de 100 milhões de brasileiros). Por outro lado, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, o Brasil ainda tinha até 5% da população trabalhadora com rendimento médio mensal de apenas R$ 47.

       ALÉM DISSO, ainda de acordo com o IBGE, a riqueza segue concentrada nas mãos de poucos no país. As pessoas que faziam parte do topo da pirâmide, aquele 1% da população brasileira com rendimentos mais elevados, recebiam 36,1 vezes mais do que a metade mais pobre da população, que compõe a base da pirâmide. O rendimento médio mensal real da metade mais pobre da população brasileira ficou em R$ 754 em 2017, contra uma média de R$ 27.213 recebidos pelos mais ricos.

       OUTRA disparidade extrema está no fato de que, também no ano passado, 82% de toda a riqueza gerada no mundo ficaram nas mãos de apenas 1% da população. Enquanto isso, a metade mais necessitada dos seres humanos não apresentou nenhuma progressão em seu patrimônio.

A ESTATÍSTICA da pobreza ganha contornos ainda mais graves, principalmente no Brasil. Enquanto o patrimônio total dos bilionários brasileiros cresceu 13% e somou US$ 549 bilhões, o número do desemprego também aumentou e já atinge mais de 13 milhões de pessoas. Além disso, a economia brasileira, que geralmente é medida pelo PIB do país continua em ritmo demasiadamente lento. Em 2017, ela avançou apenas 1,1%.

       É NECESSÁRIO saber se há algum interesse em fazer mudanças em um modelo que privilegia uma pequena parcela da sociedade em detrimento da maioria. Não cabe uma abordagem somente socioeconômica do que está acontecendo. O ser humano não pode ser resumido em cifras bilionárias.

 

 

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