Centenas protestam pela retomada das obras no Hospital do Câncer

Grupo realizou caminhada do Bairro Ypu até a Ponte da Saudade, onde imóvel segue inconcluso há três anos
segunda-feira, 20 de maio de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
A caminhada em prol do Hospital do Câncer (Fotos de leitores)
A caminhada em prol do Hospital do Câncer (Fotos de leitores)

Manifestantes realizaram uma caminhada pela retomada das obras do Hospital Regional de Oncologia Francisco Faria, em Nova Friburgo. O protesto pacífico ocorreu na manhã do último domingo, 19, e reuniu centenas de pessoas, segundo organizadores, em frente ao canteiro de obras, no bairro Ponte da Saudade. A construção da unidade está paralisada desde 2016.

O grupo se reuniu às 9h no Natureza Buffet e Eventos, no Bairro Ypu, onde participaram de um café da manhã fornecido pela metalúrgica Stam. De lá, por volta das 10h, os manifestantes partiram em caminhada pela estrada da antiga linha férrea (em frente à Fábrica Ypu) até o canteiro de obras na Ponte da Saudade.

“Veio gente de vários bairros da cidade. Até turistas participaram do ato. Pessoas de todas as idades caminharam conosco, como a dona Herlinda Sasek, de 94 anos. Fizemos uma caminhada-manifesto para cobrar das autoridades a retomada desta obra tão importante para a nossa região”, disse o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Ponte da Saudade, José Roberto Folly.

Vestidos com camisas confeccionadas para a caminhada, que foi patrocinada por diversas empresas da cidade, o grupo cantou o Hino Nacional durante o percurso e, ao chegar em frente ao canteiro de obras, deram um abraço simbólico no hospital. No local, eles também fizeram a oração do Pai Nosso em prol das vítimas de câncer. A Associação das Mulheres Mastectomizadas de Nova Friburgo (Amma) também participou do ato.  

“Vamos continuar realizando ações semelhantes na cidade. Continuamos recolhendo assinaturas em um abaixo-assinado online e outros espalhados por comércios da cidade. Já temos cerca de 70 mil assinaturas. Quando chegarmos a 100 mil, faremos a entrega ao governo”, disse Folly.

No mês passado, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, esteve na cidade para uma vistoria no canteiro de obras do hospital e disse que trabalha na conclusão do orçamento e cronograma para a retomada dos serviços. Ele afirmou ainda que a unidade não prestará somente atendimento oncológico, mas também cardiovascular.

“Os projetos estão adiantados. A obra vai ser feita com recursos do estado e recursos federais que nós iremos buscar em Brasília. O custeio do hospital será feito pelos entes estadual, federal e por um consórcio de municípios, já que a unidade será regional”, afirmou Edmar Santos.

Em nota, a Secretaria estadual de Infraestrutura e Obras detalhou que recebeu da Secretaria estadual de Saúde (SES) o novo escopo reduzido, em relação ao elaborado inicialmente, do Hospital do Câncer, com as modificações apontadas pelo corpo técnico da SES. O documento é analisado pela Empresa de Obras Públicas (Emop).

“A Emop fará a produção dos demais elementos técnicos necessários ao futuro certame licitatório pretendido, incluindo os projetos complementares e um levantamento que considere as condições atuais da edificação, em especial o apontamento das depreciações decorrentes das ações do tempo e de vandalismo. Após cumprida essa etapa inicial, será dado prosseguimento às demais ações necessárias à conclusão da obra”, diz a nota.

Promessa de Witzel

A entrega do Hospital do Câncer é uma promessa de campanha do governador Wilson Witzel. Iniciadas em 2015, as obras de adaptação do antigo Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs), onde funcionará o hospital, foram paralisadas um ano depois por atrasos de repasses à construtora que realizava os serviços. De lá para cá, o espaço foi furtado, depredado, ocupado por moradores de rua e até atingindo por um princípio de incêndio.

No ano passado, o governo do estado perdeu R$ 50 milhões para a construção da unidade devido a irregularidades no convênio com a União. O projeto original, que previa 200 leitos, 288 atendimentos, e quatro mil cirurgias por ano, foi reduzido para caber nos cofres do estado. O hospital agora terá dois prédios em vez de três. Também foi diminuída a quantidade de equipamentos e leitos.

 

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