CCJ faz manobra para soltar deputados presos sem que eles reassumam mandatos

Votação no plenário da Alerj acontece na tarde desta terça; Louback corre risco de perder mandato
terça-feira, 22 de outubro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
CCJ faz manobra para soltar deputados presos sem que eles reassumam mandatos

Depois de mais de quatro horas de reunião a portas fechadas, os deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legiislativa (Alerj) aprovaram, por cinco votos a dois, um projeto para que o plenário vote nesta terça-feira, 22, à tarde, a favor da soltura dos cinco parlamentares presos na Operação Furna da Onça, sem que eles assumam o mandato. A informação é da colunista do jornal Extra Berenice Seara. 

Segundo o Extra, só votaram contra a resolução os deputados Luiz Paulo (PSDB) e Dr Serginho, líder do PSL. O presidente da comissão, Márcio Pacheco (PSC), o vice, Rodrigo Bacellar (SDD), Max (MDB), Jorge Felippe Neto (PSD) e  Carlos Minc (PSB) foram favoráveis ao texto.

O plenário da Alerj deve decidir nesta terça se mantém na cadeia os deputados presos em novembro de 2018 durante a operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato. Se a decisão for pela soltura dos investigados e eles reassumirem o mandato, o deputado friburguense Sérgio Louback (PSC) corre o risco de perder sua cadeira, já que ele assumiu o posto como suplente de Chiquinho da Mangueira (PSC), um dos presos pela Polícia Federal no ano passado. 

A Alerj vai analisar, especificamente, os casos dos deputados André Corrêa (DEM), Luiz Martins (PDT) e Marcus Vinícius Neskau (PTB), conforme determinação da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, mas a decisão pode beneficiar também Chiquinho da Mangueira e Marcos Abrahão (Avante), sustenta o advogado João Maia, que defende Abrahão.

Furna da Onça

Os cinco deputados fazem parte de um grupo de 22 presos em novembro de 2018 sob a suspeita de participação em um esquema de pagamento de propina comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Os parlamentares são acusados de receber dinheiro em troca de votos para projetos de interesse do governo Alerj. O esquema, que teria começado no início do primeiro governo Cabral, em 2007, e perdurou até a prisão deles, pagava valores mensais aos deputados que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil. Eles negam as acusações. 

Mesmo presos, os cinco deputados, reeleitos em 2018, pediram autorização para assumir os cargos no início deste ano, mas foram impedidos pela Justiça. Chiquinho é o único em prisão domiciliar. Os outros quatro que fizeram o pedido ao TRF2 estão presos.

 

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