Categoria decide em assembleia manter a greve no ensino municipal

Sepe não reconhece Sinsenf: “Eles não têm representatividade. Aquela reunião foi mais um teatro do que algo real”
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
Passeata dos profissionais de ensino após a assembleia (Fotos: Fernando Moreira)
Passeata dos profissionais de ensino após a assembleia (Fotos: Fernando Moreira)

Em assembleia realizada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), na tarde desta segunda-feira, 26, os profissionais da educação municipal decidiram, por unanimidade, manter a greve por tempo indeterminado. A paralisação, que nesta terça-feira, 27, chega ao 20º dia, continua ao menos até a próxima sexta-feira, 30, quando a categoria irá se reunir para nova assembleia.

Além de deliberar pela manutenção da greve, os profissionais da educação também elaboraram um calendário de mobilização com ações, atos e atividades, nas ruas e nas escolas para esclarecer a população friburguense os motivos da greve.

“Aprovamos por unanimidade a continuidade da greve devido a falta de diálogo por parte da prefeitura. Também foram esclarecidos diversos pontos na esfera jurídica, uma vez que a Executivo começa, extraoficialmente, a dizer que vai cortar o ponto dos grevistas, numa clara tentativa de enfraquecer o movimento. Mas a categoria comprou a briga e se mantém na luta porque sabe que a causa é digna”, disse Rômulo Cravinho, diretor do Sepe em Nova Friburgo.

Após a assembleia, que mais uma vez foi realizada no auditório do Colégio Estadual  Jamil El-Jaick, os grevistas partiram em caminhada rumo ao Palácio Barão de Nova Friburgo, sede da prefeitura. Eles passaram em passeata pela Ponte Branca, Rua Dante Laginestra, Praça Dermeval Barbosa Moreira e Avenida Alberto Braune com cartazes, apitos e gritos de ordem, numa tentativa de sensibilizar o governo municipal a abrir negociações com o Sepe.

Adesão à greve

Enquanto a prefeitura afirma que a adesão dos profissionais da educação à greve é cada vez menor, o Sepe garante que a mobilização tem aumentado, principalmente depois das últimas negativas do governo municipal em negociar com a categoria. Mesmo assim, o sindicato preferiu não divulgar uma estimativa oficial.

“Uma estimativa precisa nós não temos. Porque o tempo todo sai e entram pessoas no movimento. Nossa estimativa é baseada no relato dos trabalhadores de cada unidade e nas corridas que fazemos às escolas. Muita gente aderiu a greve a partir desta semana, devido a intransigência da prefeitura”, explicou Rômulo Cravinho.

A reportagem de A VOZ DA SERRA entrou em contato com o governo municipal solicitando uma nota a respeito da continuidade da greve e um balanço oficial sobre a adesão da categoria. A prefeitura mais uma vez ignorou o Sepe e emitiu um comunicado à imprensa alegando que “sempre esteve aberta ao diálogo com pais de alunos, funcionários da educação e representantes do Sinsenf”. E que “segue de portas abertas para dialogar com as representatividades acima citadas”.

Sepe se manifesta sobre legitimidade do sindicato

Conforme noticiado por A VOZ DA SERRA na edição da última sexta-feira, 24, a prefeitura de Nova Friburgo se reuniu semana passada com representantes do Sinsenf “para iniciar tratativas com vistas a legitimar qualquer eventual acordo futuro entre prefeitura e servidores da Educação em geral”.

Na ocasião, a prefeitura reafirmou seu entendimento de que o Sinsenf “é o legítimo representante sindical de todos os segmentos dos servidores municipais e também é o sindicato reconhecido pelo Executivo como o único representante legal da categoria e de todos os demais servidores públicos municipais”.

Já Ricardo Rocha, presidente do Sinsenf, preferiu evitar polêmica e afirmou que não tem nada contra o Sepe: “Não cabe a nós dizer se somos a favor ou contra a greve. Quanto à representatividade do Sepe, isso é uma questão deles com a prefeitura. Que fique claro que o Sinsenf não tem nada contra o Sepe, mas não nos cabe emitir qualquer opinião sobre esse assunto. Na nossa avaliação, todas as reivindicações são sempre justas, no entanto, precisamos entender que o momento do país é complicado. As lutas têm sido mais para não perder direitos, do que para reivindicar melhorias”, afirmou Ricardo Rocha.

Romulo Cravinho, diretor do Sepe, rebateu as afirmações da prefeitura e reafirmou a legitimidade do Sepe na representação da categoria. E chamou a reunião entre Sinsenf e prefeitura de “teatro”. “Nosso estranhamento é o seguinte: sabemos que o Sinsenf é um sindicato co-irmão da prefeitura, visto que o coordenador-geral é nomeado em cargo de confiança no atual governo. Isso é ilegal e imoral. E mais, como um sindicato se reúne com a prefeitura para negociar algo que não foi deliberado por ele? Eles nunca fizeram uma assembleia. A legislação exige isso. Eles vão negociar o que? Eles não têm pauta. O Sinsenf não tem representatividade. Aquela reunião foi mais um teatro do que algo real”, sustentou Rômulo Cravinho.

 

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