Caos sobre rodas

sábado, 26 de maio de 2018
por Jornal A Voz da Serra

       ATÉ A TARDE desta sexta-feira, 25, caminhoneiros continuavam paralisados em diversos estados do país e no Distrito Federal. Eles fazem uma série de reivindicações, entre elas a contenção do preço do óleo diesel. O acordo entre o governo e lideranças da categoria foi anunciado na noite da última quinta-feira, 24. O documento prevê a suspensão da greve por 15 dias.

       O GOVERNO se comprometeu, entre outros itens, a manter a redução de 10% no valor do óleo diesel a preços na refinaria, já praticados pela Petrobras, nos próximos 30 dias, com compensações financeiras da União à Petrobras. Enquanto isso, o desabastecimento continua.

       EM 1973, UMA greve de caminhoneiros contribuiu para a derrocada do governo de Salvador Allende, no Chile, ao promover o desabastecimento e, consequentemente, a insatisfação da população, ensejando uma intervenção militar e o golpe de Estado.

A SITUAÇÃO hoje, no Brasil, é diferente e não se parece com um locaute, embora as grandes empresas de transportes também tenham interesse no movimento, quando poderiam impedi-lo. No entanto, os autônomos é que têm sido responsabilizados pela paralisação. 

       A CONFEDERAÇÃO Nacional do Transporte critica o governo e a Petrobras pela situação. A União tinha sido avisada há mais de um mês. E a estatal é acusada de estar exagerando em sua política de preços, ao aplicar custos internacionais a suas operações internas, seguindo orientação de fora.

      No entanto, o momento é impróprio: a economia está desaquecida e aos consumidores está sendo atribuída parte dos prejuízos da corrupção na estatal.

       A PETROBRAS reduziu o preço do diesel nas refinarias por 15 dias. O governo prometeu usar recursos do orçamento para os 15 dias seguintes. Após esse primeiro mês, os preços não mais serão atualizados diariamente, como ocorre hoje, mas mensalmente.

       AO FIM DE cada período de 30 dias, o governo bancará a diferença, caso haja prejuízo para a Petrobras. Na prática, o governo muda a política de preços da estatal, mas, para não desagradar o mercado e não gerar prejuízos à companhia, coloca o custo na conta do contribuinte.

       NEM TODOS OS caminhoneiros aceitaram o acordo, que prevê uma suspensão de 15 dias para a greve. Enquanto isso, na sociedade, a situação se aproxima do caos. O sistema de transporte sofre um “apagão” relativo ao peso que tem na economia nacional, pois é responsável pelo transporte de 60% da riqueza do país. Por falta de planejamento,  sucessivos governos descuidaram de outros modais, entregando o país ao transporte rodoviário. Já está faltando combustível. O que vai acontecer quando faltar comida?

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