Cadão treina forte para 2017 e é destaque no Friburguense

Zagueiro é capitão do time desde 1999: liderança dentro e fora de campo aos 45 anos de idade
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
por Vinicius Gastin
Cadão é recordista de jogos e vice-artilheiro na história do Frizão: fôlego para ajudar na série B de 2017
Cadão é recordista de jogos e vice-artilheiro na história do Frizão: fôlego para ajudar na série B de 2017

Olhar a escalação do Friburguense e não encontrar o nome de Cadão é praticamente impossível nas duas últimas décadas. E as súmulas assinadas pelo capitão tricolor na última temporada não foram as últimas. Em boa forma aos 45 anos de idade, o zagueiro vai defender o Frizão na Copa do Brasil, Copa Rio na série B do Campeonato Carioca em 2017. Feliz com o desempenho da equipe no segundo semestre do ano passado, o experiente jogador pede que a campanha da Copa Rio seja exemplo para esta temporada.

“Que isso nos sirva de exemplo para o ano que vem, com espírito de grupo, para que voltemos à primeira divisão. Eu sei que já está muito perto do final para mim, e ainda não sei se jogarei a segunda divisão no ano que vem. A gente renasceu. O rebaixamento foi injusto. Fizemos uma primeira fase muito boa, mas infelizmente pelo regulamento a gente acabou caindo. Quero agradecer ao Siqueirinha (gerente de futebol), que sempre nos abraça, como fez mais uma vez, e a todos. Graças a Deus, pudemos renascer no ano passado”, disse em entrevista recente.

Cadão impressiona pela vitalidade e por desafiar os efeitos do tempo. O zagueiro fez uma boa Copa Rio até a sua lesão, que poderia ter colocado ponto final na carreira. No entanto, encontrou forças para se recuperar, buscar o recondicionamento nos treinos e já se destacar novamente junto ao grupo de jogadores. Cadão fez ótimas apresentações nos amistosos realizados em dezembro, e mostrou que será peça fundamental para o Friburguense alcançar os objetivos em 2017.

Assim como o companheiro, o lateral Sergio Gomes também vai compor o elenco tricolor, e também Bidu e Ziquinha. Aos 42 anos, Sergio fez excelente Copa Rio e se mostrou fisicamente em condições de continuar atuando. “Só penso em parar quando o Friburguense voltar para a primeira divisão. Estava na equipe nesse rebaixamento e só vou sossegar quando o clube estiver novamente na Série A.”

Cadão: história se confunde com a do clube

É quase impossível não associar Cadão ao Friburguense e vice-versa. Afinal de contas, em 921 partidas oficiais registradas na história do clube, o zagueiro esteve presente em 412. Em quase metade das vezes em que o time esteve em campo nos 36 anos de trajetória, lá estava ele, vestindo a camisa três e carregando no braço a faixa de capitão. Aos 45 anos de idade, tornou-se um dos jogadores de idade mais avançada em atividade no futebol brasileiro. Exemplo dentro e fora de campo, formou-se recentemente em Educação Física, e já é possível dizer que atua na área, uma vez que comandou o Friburguense no Torneio OPG de 2016.

Há exatas duas décadas em Nova Friburgo, entrou para a história, não só do Tricolor da Serra como também do futebol carioca. Ele lidera o quarteto que praticamente já ultrapassa 300 partidas pelo clube, ao lado do lateral-direito Sergio Gomes, do volante Bidu e do atacante Ziquinha. 

A trajetória de Cadão

Ricardo Jerônimo nasceu em Três Rios, em 30 de setembro de 1971. A primeira experiência como profissional aconteceu no ano de 1991, ainda no Entrerriense, clube de sua cidade natal, aos 19 anos de idade. Estreou na elite do futebol carioca em 1993, já com resultados expressivos, como a vitória sobre o Vasco. Dois anos depois, uma nova participação na elite e um empate com o Botafogo. Curiosamente, neste jogo, atuou como volante.

Em 1996, surgiu a proposta do Friburguense por Cadão. A estreia foi em 17 de março, pela Segunda Divisão Estadual, numa vitória por 1x0 sobre a Portuguesa. O primeiro gol veio em 4 de abril, no empate simples diante do Barra de Macaé. Naquela temporada, chegou à sua primeira final pelo Frizão, mas acabou batido pelo Nova Iguaçu, perdendo o último pênalti do desempate, perdido por 4x3. Ali os rumos da história de Cadão no futebol já estavam praticamente definidos.

Nos anos seguintes, se alternou entre a titularidade absoluta e o empréstimo a clubes como Barreira e CFZ. Até que veio a grande chance de estrear na Série A pelo Frizão, em 1999. Daí em diante, foi titular em 17 temporadas com o clube, conquistando números expressivos em atuações e gols: é o segundo maior artilheiro da história do clube, com 41 gols, atrás apenas de Ziquinha. Em 2011, mesmo no alto dos quase 40 anos, teve fôlego para bater o recorde de jogos pelo clube numa só temporada: 54. Pelo clube, tem quatro títulos: a Seletiva para o Carioca de 1998, a Taça João Ellis Filho de 2009 e os simbólicos Torneios do Interior de 98 e 99.

Ídolo da torcida, o zagueiro disputou 17 Estaduais da Primeira Divisão, dois da Segundona, nove Copas Rio, cinco edições da Série C do Brasileiro e outras duas da Série D. A dedicação e o tempo de casa lhe renderam o título de cidadão honorário de Nova Friburgo. Cadão segue no plantel para orgulho e sorte do Friburguense e do esporte de Nova Friburgo.

Jogos marcantes de Cadão pelo Friburguense

100º jogo: 
Friburguense 0x1 Americano, 28/03/2001
200º jogo: 
Madureira 2x1 Friburguense, 04/06/2008
300º jogo: 
Bangu 1x2 Friburguense, 17/11/2011 (Cadão fez um dos gols)
400º jogo:
 Resende 3x1 Friburguense, 21/10/2015

Top 10 do Friburguense

412 jogos - Cadão
370 jogos - Sergio Gomes
317 jogos - Ziquinha
292 jogos - Bidu
202 jogos - Flavinho
149 jogos - Lucas
148 jogos - Jorge Luiz
136 jogos - Marcos
129 jogos - Diego Guerra
127 jogos – Marcelo

Os maiores artilheiros do Friburguense

46 gols - Ziquinha
41 gols - Cadão
39 gols - Sergio Gomes
31 gols - Jorge Luiz
27 gols - Anderson
26 gols - Ricardinho e Rômulo
20 gols - Lucas
19 gols - Marcelo
18 gols - Dede

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