Brincar é bom, mas brinquedos podem ser perigosos

Pais devem se manter alertas; veja os conselhos do Inmetro
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
por Vitória Nogueira*
Brincar é bom, mas brinquedos podem ser perigosos

Conhecer o mundo das cores, dar vida e movimento a bonecas, blocos, vivenciar o lúdico e exercitar a imaginação, marca não só a infância, como grande parte do que os pequeninos serão no futuro. Mas é preciso atenção. 

No Brasil, o órgão responsável por realizar diversos testes com objetivo de garantir a qualidade e segurança dos brinquedos é o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), que também fiscaliza a indicação das diversas faixas etárias. Novos brinquedos são lançados todos os dias, mas quando comprados, eles devem estar alinhados ao nível de habilidade da criança e até mesmo ao interesse. 

De acordo com o Portal de Serviços do Inmetro, por esses motivos e perigos, desde 1988, o processo de avaliação da conformidade de brinquedos, tornou compulsória a certificação de brinquedos fabricados e/ou comercializados no país, para preservar a saúde e a integridade física das crianças enquanto brincam.

A funcionária de uma loja de brinquedos localizada no centro da cidade, Renata da Silva, informou que normalmente os pais costumam pedir orientação quanto à faixa etária antes de comprar um brinquedo. Segundo ela, as embalagens facilitam o processo, pois todas oferecem informações sobre a idade indicada. Nesta loja, foi possível observar a classificação etária e avisos do Inmetro em todos: na casinha de boneca, que por conter objetos pequenos é contra indicada para menores de 3 anos, no slime colorido, nas barbies, nos carrinhos hot wheels, polly pocket, todos também proibidos para menores de 3 anos. 

Mariana Pessanha é mãe de primeira viagem do Gustavo (foto), de 1 ano e 2 meses. Segundo conta, ela e o papai Adriano ainda não viveram a experiência de levá-lo a uma loja de brinquedos para ver a reação dele diante de tantas opções. Mas toda vez que vai a uma loja comprar algo para o pequeno, geralmente parte dela a procura pela idade correspondente e na maioria das vezes, os vendedores só perguntam se ela precisa de alguma ajuda. E a deixam livre para escolher sem indagarem a idade da criança. 

“Toda criança tem preferências e quando são pequeninos, mudam o tempo todo. Nessa fase, Gustavo gosta muito de brinquedos de encaixe e geralmente a faixa etária desses está acima da dele, além de gostar e preferir também os brinquedos do primo mais velho. Por isso, o jeito é redobrar a atenção sempre que ele está brincando para evitar acidentes, como pequenas peças na boca”, comentou Mariana. 

Essas precauções acompanham as mães e pais por toda a infância, mas principalmente na fase de 0 a 5 anos, em que todo cuidado é pouco.

O pequeno Theo (foto) tem 2 anos e 8 meses e muita energia para brincar! Ele adora seus bonecos, andar de cavalinho, brincar com o primo Gustavo, que mesmo sendo 1 ano e 6 meses mais novo, adora dividir as brincadeiras e os brinquedos. Sobre verificar a indicação de idade dos brinquedos, a mãe, Carolina Pinto Pessanha, está sempre atenta, porque fica com medo. Principalmente quando o filho era menor e existia a possiblidade dele colocar peças na boca sem ela perceber. 

“Procuro brinquedos que possa deixar ele brincando sozinho sem me preocupar se vai se machucar ou engolir alguma peça. Olhar a indicação e a característica do brinquedo são atitudes que toda mãe deve tomar, independente dela estar perto quando o filho está brincando”, contou. 

Já em relação ao atendimento nas lojas, Mariana diz que na maioria das vezes eles querem saber qual o brinquedo que ela busca e para qual idade, na intenção de saber o que oferecer. Perguntam a faixa etária, embora perceba que o intuito é vender o brinquedo de maior interesse da criança no momento, algo específico, sem entrar na questão da segurança em relação à idade. 

“Penso que a indicação da sessão dos brinquedos de acordo com a idade funciona mais em relação a cumprir o interesse da criança e agradar, do que necessariamente com a preocupação se é perigoso ou não para a criança em questão.” 

Pedro tem 3 anos e 10 meses, é filho único, está em uma fase cheia de energia, descobertas e adora todos os tipos de brincadeiras. “Brinquedos para ele são como cores da imaginação, com essa idade ele já entende melhor como os carrinhos, blocos, pistas, bonecos e pecinhas funcionam. Sua única curiosidade é observar tudo e criar novas brincadeiras nesse mundo cheio de possibilidades”, diz mãe Natiara Siqueira, lembrando que quando Pedro era mais novinho, ela costumava prestar mais atenção na faixa etária dos brinquedos, “já que os vendedores não perguntavam e ainda não perguntam”. (FOTO)

Conselhos do Inmetro:

  • 1. Os materiais usados na fabricação dos brinquedos devem ser resistentes, não tóxicos e não inflamáveis. 
  • 2. Evite brinquedos com pontas ou bordas afiadas, pistolas com projéteis, dardos e flechas, pois podem causar ferimentos de gravidade variável.
  • 3. Brinquedos que produzem ruídos acima de 100 decibéis podem prejudicar a audição.
  • 4. Brinquedos com correntes, tiras e cordas com mais de 15 cm devem ser evitados devido ao risco de estrangulamento de crianças pequenas. 
  • 5. Evite brinquedos com vidros para crianças até 5 anos.
  • 6. Brinquedos elétricos podem causar queimaduras. Assim como brinquedos ligados em tomadas, com elementos de aquecimentos, com pilhas e baterias, não são aconselhados para crianças com menos de oito anos. As baterias e pilhas contêm conteúdo corrosivo e podem causar sérios problemas ao tubo digestivo quando ingeridas ou sufocação quando aspirados. 
  • 7. Vale ressaltar que, segundo a Lei nº 9437, que instituiu o Sistema Nacional de Armas, é proibida a fabricação, venda, comercialização ou importação de brinquedos, que se constituem em réplicas ou similares de armas de fogo.
  • 8. Observe o número de peças ou regras de montagem, quando for o caso. O selo do Inmetro garante que o brinquedo passou por testes que comprovam sua segurança e qualidade. Apesar dos preços mais baixos, os brinquedos comercializados por ambulantes geralmente não estão de acordo com as normas de qualidade e segurança, expondo a criança a riscos. 
  • 9. Na dúvida, ou se notar ausência do selo, denuncie. A ouvidoria do Inmetro atende pelo telefone 0800-285-1818.

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Borges

 

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