Breve história da Musicoterapia

O primeiro registro sobre da musicoterapia está nos Papiros de Lahun, uma coleção de textos que relatam o cotidiano do cidadão do antigo Egito
sábado, 14 de setembro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Breve história da Musicoterapia

Ao contrário do que se pensa, a musicoterapia não é uma técnica nova de tratamento da saúde mental. Na verdade, sua história remonta ao tempo de nossos antepassados, muito antes de Jesus andar entre nós. Em tempos imemoriais, portanto, o povo já tinha alguma noção de que a música possuía um poder terapêutico. E que poderia ser de muita valia para o tratamento de diversos problemas.

Ouso dizer que ninguém vive sem música, inclusive não só os humanos, mas todos os seres vivos. Ao longo dos séculos a música encanta cada geração, mas foi somente a partir do século 20 que investigações científicas começaram a registrar seu potencial terapêutico e as mudanças que ela pode causar na vida das pessoas. Além da desejada vida saudável, nossas existências também ficam mais, digamos, sonoramente coloridas. 

No Egito Antigo

O primeiro registro sobre a musicoterapia está nos Papiros de Lahun, uma coleção de textos egípcios antigos que relatam tópicos da vida comum do cidadão do antigo Egito, como problemas administrativos, matemáticos e relatos médicos.

Através desses achados arqueológicos, pode-se constatar que a musicoterapia, naturalmente, longe da forma como é percebida hoje, era amplamente utilizada nos templos egípcios para ajudar a aquietar o espírito e elevar a mente. Acredita-se que era assim desde os tempos bíblicos. Essa hipótese foi cogitada através de um trecho do velho testamento que conta a história do rei Davi.

Antes de ganhar notoriedade por ter enfrentado o gigante Golias, Davi era um tocador de harpas na corte do rei Saul e usava o instrumento para acalmar os ânimos do nobre. Em Samuel, capítulo 16, versículo 23, há o seguinte trecho:

“E sempre que o espírito mau de Deus acometia o rei, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava.”

Na Grécia Antiga

Existem também registros sobre a importância social e terapêutica da música na antiga Grécia. Tanto é que o panteão (conjunto de deuses gregos) contava com entidades como Apolo, o deus grego da música e medicina, ou então Esculápio, outro deus da medicina, que curava as doenças da mente através de músicas e canções.

A obra de filósofos gregos pré-socráticos já discutiam sobre os possíveis benefícios terapêuticos da música. Já Platão, pupilo de Sócrates, por exemplo, dizia que a música afeta as emoções e pode influenciar o caráter de um indivíduo. 

Aristóteles ensinava que a música afeta a alma e a descrevia como “uma força capaz de purificar as emoções”. 

Somente por volta de 400 a.C., Hipócrates tocava música para doentes mentais e essa prática continuou influente até depois do fim da antiga Grécia.

O grande enciclopedista romano Cornélio Celso defendia que o som de címbalos e da água corrente seriam efetivos para o tratamento de transtornos mentais.

Nos séculos 9 a 12 

A primeira vez que o potencial terapêutico da música foi reconhecido foi no século 9, durante a Idade de Ouro Islâmica. Nessa sociedade, a música tinha ampla utilização terapêutica.

O cientista, psiquiatra e musicólogo Al-Farabi (872 a 951 – 79 anos) fez referência ao efeito terapêutico da música em seu tratado “Significados do Intelecto”, sendo que os hospitais árabes, já no século 12, contavam com salas de música para os pacientes.

No século 17

O acadêmico inglês Robert Burton, vigário da Universidade de Oxford no século 17, escreveu “A Anatomia da Melancolia”, por muitos considerado a maior obra literária da época.

O livro é um compêndio de textos e análises acadêmicas sobre o sentimento que dá título à obra: a melancolia (o que inclui o que chamamos hoje de “depressão”).

Nele, o autor defende que a música e a dança eram fundamentais para o tratamento de doenças mentais, especialmente a melancolia. Seu trabalho foi muito influente e deu origem a diversos outros sobre a relação do ser humano com a música.

 

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