Bravo põe Huguenin na Casa Civil em meio a inquérito da PF sobre contratos na Saúde

Subsecretária executiva, Tânia Trilha assume de vez a pasta. Salarini vai para a cadeira de Villas Boas
quarta-feira, 05 de setembro de 2018
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
A nova secretária de Saúde, Tânia Trilha (Arquivo AVS)
A nova secretária de Saúde, Tânia Trilha (Arquivo AVS)

O prefeito Renato Bravo fez na manhã desta terça-feira, 4, mais uma mudança na Secretaria de Saúde: Christiano Huguenin entrega o comando da pasta, interinamente, para sua sub Tânia Trilha e assume a Casa Civil, que vinha sendo acumulada por Gilberto Salarini nos últimos 15 dias, desde a exoneração, a pedido, de Bruno Villas Boas da Secretaria de Governo.

A dança de cadeiras, que fortalece Huguenin trazendo-o para o núcleo do Poder Executivo, ocorre cinco dias depois de o Ministério Público Federal pedir à Polícia Federal abertura de inquérito policial para investigar a contratação emergencial da empresa que fornece alimentação para o Hospital Municipal Raul Sertã. A investigação da PF começa nesta semana.

Segundo Bravo, as mudanças vão trazer dinâmica à gestão municipal: “As secretarias da Casa Civil e de Governo são os pilares da administração. Christiano Huguenin e Gilberto Salarini vão aliar dinamismo e experiência para que possamos executar nossas ações. Estamos com muito trabalho pela frente e a equipe está empenhada”, afirmou em nota.

Na mesma nota, Huguenin afirmou que, na Casa Civil, vai “continuar trabalhando firme pela saúde, dando todo o apoio na implantação de projetos”. Já Salarini se senta na cadeira de Villas Boas com foco na execução de projetos: “Vamos  fortalecer a parte técnica da prefeitura. Teremos muitas realizações pela frente e vamos buscar cada vez mais organização e planejamento”, afirmou.

Em junho, por imposição do Ministério Público Estadual, Huguenin teve que deixar a Assistência Social, pasta que acumulava junto com a Saúde desde março. Chegou a ser aberto inquérito civil para apurar a acumulação indevida, proibida por lei, de cargos de chefia na área de saúde pública. A Assistência acabou nas mãos de Emmanuele Marques Mendonça.

A nova secretária de Saúde, Tânia Trilha, foi uma das primeiras nomeações técnicas de Huguenin quando ele assumiu a pasta, no início do ano, em meio a uma crise que levou à exoneração  de 23 pessoas de cargos de confiança nomeados pela cúpula anterior, substituída por ordem judicial. Duas ex-secretárias (foto) foram acusadas de fraudar um contrato de serviços de esterilização.

Advogada, Tânia Trilha é especialista em controle e gestão de recursos e processos licitatórios e vinha colaborando com Huguenin como subsecretária executiva de Saúde. Coordenadora do curso de Direito da Universidade Candido Mendes em Nova Friburgo, Tânia já foi titular de pastas como Fazenda, Educação, Infraestrutura e Logística, em gestões passadas.

Huguenin assumiu a Saúde logo após o Natal de 2017, no lugar de Suzane Oliveira de Menezes, afastada do cargo de secretária, juntamente com a subsecretária-executiva Michelle Silvares Duarte de Oliveira, por ordem da Justiça Federal.   O afastamento das duas (foto) se deu durante a “Operação Esterilização” da PF, deflagrada às vésperas do Natal. O MPF e a PF investigam fraude no contrato da prefeitura com a empresa Bioxxi Serviços de Esterilização, no valor de R$ 780 mil, para esterilização de materiais médico-hospitalares para o Raul Sertã  e a Maternidade Dr. Mário Dutra.

O novo alvo da Polícia Federal agora é a empresa Global Trade Indústria de Alimentação Ltda, com sede no Perissê. A empresa foi contratada em 2017, com dispensa de licitação, pelo valor de R$ 2,1 milhões, mais acréscimo de R$ 733 mil no contrato. Este ano a Global recebeu da prefeitura  R$ 3,3 milhões, além de um aditivo de R$ 164 mil. Em agosto a Secretaria municipal de Saúde voltou a firmar contrato com a Global sem licitação para o mesmo serviço, no valor de R$ 2,9 milhões. A empresa nega qualquer irregularidade.

O contrato já é o 17º firmado  pela prefeitura com dispensa de licitação este ano. Segundo o Portal da Transparência, todos os contratos nesta modalidade já somam R$ 12,6 milhões. A maioria das contratações, e também as mais caras, foram realizadas pela Secretaria de Saúde.

Segundo o MPF, no inquérito policial da PF serão investigados tanto os atos praticados pela gestão de Huguenin quanto de Suzane.

O pedido de abertura do inquérito foi feito pelo procurador da República João Felipe Villa do Miu, o mesmo que, em julho, firmou com o prefeito Renato Bravo e o Ministério Público do Trabalho (MPT) um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para uma reforma administrativa da prefeitura, que vai culminar na demissão de comissionados e revisão de contratos.


 

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