Após queixas constantes, Renato Bravo congela passagens de ônibus

Comissão criada pelo governo pode aplicar punições à Faol e propor até redução da tarifa de R$ 3,95
quarta-feira, 14 de março de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Os novos ônibus (Foto: Arquivo AVS)
Os novos ônibus (Foto: Arquivo AVS)

As constantes reclamações de usuários dos ônibus feitas à Secretaria municipal de Serviços Concedidos levaram o prefeito de Nova Friburgo, Renato Bravo, a anunciar, nesta terça-feira, 13, o congelamento do valor da passagem este ano. O prefeito também decidiu criar uma comissão, que pode propor a aplicação de multas à empresa Friburgo Auto Ônibus e até mesmo a redução da passagem, hoje, em R$ 3,95 - uma das caras do estado.

O governo municipal admitiu que vem recebendo queixas, todas as semanas, de passageiros que relatam superlotação dos ônibus e a redução na quantidade de viagens entre o Centro e os bairros e distritos, atrasos. Há reclamações também do estado de conservação de alguns coletivos, que, inclusive, costumam apresentar problemas mecânicos em regiões mais distantes do Centro. Tudo isso, segundo a prefeitura, configuraria descumprimento do contrato de concessão.

A VOZ DA SERRA apurou que a comissão deve ser formada pelo secretário de Serviços Concedidos, Nader Pedro, o secretário de Governo, Bruno Villas Boas, representantes da Procuradoria e da Controladoria Geral. O grupo ainda não começou as atividades, mas deve concluir os trabalhos ainda no primeiro semestre deste ano.

Faol quer rever gratuidades

Nesta quarta-feira, 14, o diretor da empresa Nova Faol, Paulo Valente, disse que a concessionária “entende” a decisão do prefeito de criar uma comissão para avaliar a qualidade do transporte público em Nova Friburgo. “Concordamos que o valor, hoje, em vigor, de R$ 3,95, é caro para quem paga, mas ressaltamos que, infelizmente, esse valor não é suficiente para custear a operação dos coletivos nos moldes atuais”, afirmou Valente.

A empresa de ônibus protocolou na prefeitura, no último dia 8, o pedido de reajuste anual das passagens para R$ 4,23 e entregou uma planilha com cálculos que levam em conta o aumento no custo com combustíveis, folha de pagamento, cujo dissídio coletivo ocorre este mês, insumos para manutenção dos coletivos, a concessão de gratuidades e a compra de novos ônibus.

Para Paulo Valente, o governo municipal deveria reavaliar a forma de concessão das gratuidades a idosos a partir dos 60 anos (antes eram beneficiados os usuários a partir de 65 anos), a estudantes e a portadores de necessidades especiais. Segundo ele, em Friburgo, o número de gratuidades chega a 45% dos passageiros que embarcam nos ônibus todos os dias.

“A Faol não recebe nenhum subsídio, seja do governo municipal, estadual ou federal, pela concessão das gratuidades, diferente do que muitas pessoas pensam. O valor acaba sendo repassado para o passageiro que paga a passagem dele e do passageiro com gratuidade”, disse.
    O diretor da Faol argumenta que a elevada carga tributária do país onera a tarifa, e propõe a implantação de vias urbanas exclusivas para ônibus na cidade, como o BRS (Bus Rapid Service), com corredores exclusivos, o que melhoraria o atendimento à população, estimulando o uso do transporte coletivo, e reduziria, na avaliação dele, o custo operacional.
    “O foco de nossa empresa é prestar um serviço de qualidade à população de Nova Friburgo, o que fica evidenciado quando vemos os 42 ônibus novos colocados em operação nos últimos seis meses, medida de maior impacto dentro de uma série de outras que já foram tomadas neste sentido e que já melhoraram significativamente o atendimento prestado, embora saibamos que ainda há muito a ser feito”, afirmou Valente.

Nova Faol

A Faol está sob nova direção desde maio do ano passado. O Grupo Real, que comandou a empresa por cinco anos, vendeu a concessionária para um consórcio formado pelas empresas de ônibus Coesa, Pavunense e Expresso Recreio, que operam no Rio e na Região Metropolitana. Os novos donos assumiram o risco de renovação do contrato de concessão, que vence em setembro deste ano.

Desde que a nova gestão passou a comandar a Faol, parte da frota começou a ser substituída em contrapartida ao último reajuste da passagem. Os novos ônibus não vêm mais com a cadeira para cobrador, função que vem sendo extinta na empresa com a adoção da bilhetagem eletrônica. Cerca de 75% dos passageiros embarcam nos coletivos com o cartão. Em 80% dos ônibus, não há mais cobradores.

Este ano deve ser votado na Câmara Municipal projeto de lei para vedar a dupla função dos motoristas em Friburgo e restabelecer a atividade de cobrador nos ônibus. O texto, de autoria do vereador Zezinho do Caminhão (Psol), Professor Pierre (Psol) e Marcinho (PRB) segue a mesma linha do projeto aprovado pela Câmara do Rio de Janeiro e sancionado, em dezembro, pelo prefeito carioca Marcelo Crivella.

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