Aos mestres, com todo o nosso carinho

No Dia do Professor, reapresentamos a visão de mundo da educadora Thereza de Jesus Barbosa Barros
terça-feira, 15 de outubro de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)

Neste dia do professor, A VOZ DA SERRA, faz uma homenagem a todos os mestres que se dedicam arduamente todos os dias na exaustiva, mas gratificante tarefa de ensinar, apresentar o mundo aos seus alunos e mostrá-los o quanto estamos sempre, todos os dias aprendendo mais e mais. Através dos professores e sua mágia arte de ensinar, nossas crianças recebem verdadeiras lições de vida. Neste dia do mestre, lembramos os grandes ensinamentos da professora Thereza de Jesus Barbosa Barros, destacados em uma entrevista especial ao jornal no ano passado, cujo vídeo, foi um dos campeões de visualizações em nosso site. Hoje, aos 97 anos, a professora Thereza continua dando exemplo. Confira alguns trechos de sua entrevista:   

 

“Não deixem de estudar, nem de ensinar. Não cruzem os braços. Ser aluno e professor devem ser nossos eternos compromissos”. Com essa afirmação, a docente aposentada Thereza de Jesus Barbosa Barros, chamou a atenção de nossa equipe que procurou-a para saber um pouco mais sobre a maior paixão de sua vida: o magistério. 

Cativante, lúcida, bem informada e interessada nos rumos da educação no país, seu recado aos educadores e estudantes de hoje é incisivo: “Não desistam”. Segundo ela, professores e alunos precisam dar valor à construção do conhecimento e todos os jovens com vocação para o magistério, devem perseverar. 

“Qualquer país, para se desenvolver e ser respeitado como nação, precisa de cidadãos educados e preparados para ter uma profissão, vencer na vida. Ensinar é uma missão sagrada e um dia a educação voltará a ocupar o lugar que merece”, enfatizou a professora Therezinha, como é chamada no meio acadêmico. 

Carioca, ela viveu parte da sua infância em Friburgo, voltou para o Rio e concluiu os estudos de português, francês e latim. Já como professora graduada, retornou a Friburgo e lecionou em importantes educandários, como os antigos Colégio Rui Barbosa (atual Ceje),  Cêfel, e na Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia. “Jamais me arrependi da escolha que fiz e até hoje sinto muita falta, saudades do meu tempo em sala de aula. Não me conformo com aposentadoria aos 70 anos, na rede pública, ao contrário da particular, onde continuei ainda por um tempo. Muitos de nós estamos aptos, de todas as formas, a continuar trabalhando”, sustentou. 

Crítica, ela fez comentários concisos sobre a educação no Brasil nos dias de hoje. Para ela, infelizamente, há incompetência, negligência e falta de visão na gestão da rede pública de ensino. As precárias condições físicas das escolas, a falta de estrutura, os baixos salários e o desinteresse dos alunos contribuem para o comprometimento da qualidade do ensino. “Como chegamos a esse ponto? Eu vivo me fazendo essa pergunta, queria entender o que acontece para esse abalo na educação”, observou a professora na entrevista concedida ao jornal. 

“Para sobreviver, o professor da rede pública tem que trabalhar pela manhã, à tarde, à noite. E ainda leva tarefa para casa, porque tem que preparar plano de aula, corrigir prova, deveres. Com toda essa carga horária, ele não tem condições de fazer uma reciclagem. Essa falta de tempo para se dedicar ao seu próprio aprimoramento, que o ajudaria na construção de mais conhecimento, vira um desestímulo para esse profissional. É muito frustrante. Mais do que cansados, eles estão decepcionados. E a decepção abate”, conclui.          

    A educadora também faz críticas a atual proliferação de faculdades e cursos, onde pouco se ensina e ainda menos se aprende, o que, na visão dela, resulta em uma enorme quantidade de documentos, “diplomas”, que na verdade não se convertem em conhecimento. “Antigamente, os alunos tinham interesse em aprender, tinham sede de saber. E na sala dos professores, nos intervalos das aulas, havia troca de conhecimento, de descobertas, de novidades, era estimulante. Hoje em dia, que tempo os professores têm para esse exercício, que disposição se pode cobrar de um grupo de profissionais que se sente tão desvalorizado e desrespeitado? Toda essa situação é desoladora”, comenta.

    Apesar de todo esse sentimento de desalento, dona Thereza sente falta do ambiente escolar, de estar rodeada de alunos, de poder falar para eles. “O papo com os colegas, os momentos divertidos que compartilhávamos, até aquele aluno meio malcriado, bagunceiro, de tudo sinto falta. Apesar do cansaço, ao fim de cada aula eu saía feliz, com a sensação de missão cumprida, de ter conseguido passar conhecimento para meus alunos. E quer saber de uma coisa? Gostaria de tentar passar tudo que acumulei de experiências e conhecimentos, em meus quase 100 anos de vida”, revela a mestra, que nunca deixou de ser o que sempre foi: uma professora. “Meu papel é incentivar, pedir que não desistam, que lutem por uma educação de qualidade, por escolas bem estruturadas, por salários decentes e por um país melhor. Que não deixem de estudar, nem de ensinar. Não cruzem os braços. Um dia, isso vai melhorar, tem que melhorar. Ser aluno e professor devem ser nossos eternos compromissos”, sustenta a professora Therezinha. 

 

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