Anúncios de empregos falsos são armadilha para jovens em Friburgo

Supostas vagas são, na verdade, tentativa de empresas de captar alunos para cursos profissionalizantes
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Um dos anúncios
Um dos anúncios

Pelo Brasil afora, várias empresas anunciam vagas de emprego inexistentes com o intuito de captar clientes para cursos profissionalizantes. As chamadas vagas de emprego falsas têm aparecido em várias oportunidades, também em Nova Friburgo, e tem foco nos jovens entre 13 a 21 anos.

A VOZ DA SERRA foi procurada por uma pessoa que acredita ter se candidatado a uma dessas vagas. Ela preferiu não se identificar, mas informou que viu o anúncio de estágio em uma rede social. A pessoa mandou o seu contato na postagem, falou por telefone com a empresa e depois foi informada que ela não estava apta para o cargo, mas poderia fazer um curso profissionalizante e se capacitar melhor. A pessoa informou que não conseguiu efetuar sua candidatura à vaga, a qual não obteve nenhuma informação específica e somente lhe foi passada que deveria se capacitar melhor e a empresa oferecia cursos para isso.

A VOZ DA SERRA procurou Thiago Motta, sócio da filial friburguense da rede de cursos profissionalizantes Muito + Educação Profissional, que em agosto desse ano foi um dos responsáveis por ajudar o estudante Guilherme Motta a dar os primeiros passos a realizar seu sonho de ser empresário.

Thiago deu dicas para que as pessoas possam identificar e diferenciar os anúncios verdadeiros dos falsos. O público alvo dessas empresas, segundo ele, é principalmente o jovem, que está em busca do primeiro emprego. “Grande parte dos anúncios são referentes a estágios. Nos sites os candidatos fazem um cadastro com seus dados. A pessoa vai achar que está se candidatando para uma vaga real de emprego/estágio. A empresa entra em contato com o jovem e ele faz uma espécie de teste para saber seu nível de capacitação. Com o resultado em mãos eles dizem que o candidato não está capacitado para a tal vaga, mas oferecem um curso profissionalizante para o jovem aprimorar seus conhecimentos. Muitos jovens se matriculam nesses cursos e a vaga pela qual se candidatou, na maioria dos casos, não existe, era apenas um atrativo para o jovem se matricular no curso”, explica Thiago.

Ao acessar dois anúncios de empresas diferentes que atuam em Nova Friburgo e outras cidades de vários estados brasileiros, A VOZ DA SERRA constatou que nos dois sites não há informações detalhadas das vagas. Em um dos sites, apenas o aviso de que existem vagas de emprego, mas sem dizer que vaga é essa e para qual empresa. Ao clicar no anúncio, a página redireciona o candidato para que ele deixe suas informações para um banco de dados. Não há telefone e nem endereço da empresa que anuncia a vaga. O contato é sempre unilateral, ou seja, o candidato deixa seus dados e somente a empresa entra em contato com ele. No outro site não há sequer informações de vagas de emprego, somente o espaço para o candidato deixar seus dados e ícones que incentivam a pessoa a fazer cursos de capacitação.

Informações sobre a empresa devem ser conferidas      

Outra dica dada por Thiago é conferir os dados da empresa que anuncia a vaga e procurar saber qual é o cargo oferecido, valores de salários, além de endereço e número de contato. Páginas em que essas informações não estão claras, geralmente configuram em anúncios falsos. Segundo ele, há empresas que contratam vendedores de outros estados para realizar a captação de novos alunos.

“Eles chamam de macro captação. Esses vendedores são contratados por esses cursos. Eles criam páginas com nomes fictícios, anunciam a vagas de emprego, as pessoas fornecessem seus dados, e eles marcam com todos os interessados em uma determinada data. Nesse dia, com um auditório cheio, esse vendedor vai palestrar sobre os cursos que a empresa oferece. Ele precisa fazer o máximo de matrículas que puder, porque normalmente esse vendedor fica com a primeira mensalidade da pessoa, como pagamento. Eles conseguem vender gelo para esquimó”, observa. 

 

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